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(Autor convidado: Walter Carrilho)

Djavan é o cara responsável por versos como “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã”, que geram dezenas de monografias em cursos de letras e algumas câimbras no meu duodeno. Pois ele está de disco novo: “Matizes”. E para homenagear esse “poeta”, escrevi este texto em djavanês.

Cacatua, sol da manhã, um suco de maçã. Neste novo disco, Djavan, este filho do luar, revoada de pombos, araçá, Zimbabwe, inovou. Na canção “Imposto”, ele mostrou o seu lado indignado e engajado, parangolê, maracujá, nuvem no céu, em uma crítica à carga tributária:

“IPVA, IPTU / CPMF forever / É tanto imposto / Que eu já nem sei!. (…) Eles nem tchum”

O “nem tchum” é, obviamente, fruto de alguma influência parnasiana. Bumba meu boi, meu rei, meu oi. No próximo disco ele promete musicar uma medida provisória, ou fazer uma crítica à cotação do dólar. Seu olho, repolho, alegria de ser. Deputados, intelectuais e economistas não convencem o governo. Mas nada mais assustador do que um músico de MPB revoltado. Se eu fosse ministro, abolia o ICMS. Só de medo.

O mais legal em Djavan, esse iansã, calor, grão de areia no ar, é que ele anima qualquer imbecil a ser compositor. Vejam o meu caso: musiquei a minha lista de compras. Ficou assim:

“Arroz, ovo e canela / Mate-leão / tomate, berinjela / sal e um monte de pão”

Estou pensando em chamar essa música de “Carrefour”. Flor no orvalho, lamour, sabor de mel. Acho que vai bombar.

Walter Carrilho é jornalista, boçal, e poeta.