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Lembro-me como se fosse há cinco anos.

Sempre achei meio esquisito saber o que fazer da vida logo aos 17 anos. Até então só tinha certeza de que o baile começava às 23h e a escalação do Grêmio campeão brasileiro de 1996.

O brabo é que sempre tem alguém querendo saber logo qual é a sua: reunir mil amigos no Orkut ou ser um neurocirurgião. Neste caso, de preferência com habilitação em austronáutica.

Mas de todos os temores dessa época, a coisa mais acalentadora foi saber que a universidade reservava uma coisa maravilhosa, ao menos para mim: o ônibus.

O ônibus fretado da faculdade, que ia e voltava todos os dias, como eu o conhecia, se foi, como muitas lembranças e trabalhos atrasados. Aquela coisa de às vezes, ou todas, nos reunirmos no fundão para celebrar uma quinta ou sexta-feira de prenúncios. Ou mesmo segundas, terças e quartas absolutamente normais.

O MOFO (Movimento Organizado Fundo do Ônibus) discutia o Brasileirão e a política econômica, ao mesmo tempo em que dava pitacos na diplomacia americana e a paz no Oriente Médio.

Era um tempo em que os trotes não faziam mal. E o Velho Barreiro também não. E ninguém ficou melhor ou pior com aquilo tudo. Saímos da estrada para continuar por outro caminho.

Hoje mudou. A sua viagem e a galera da faculdade mudaram. Ficou tudo proibido. Censuraram o ônibus. Lacraram a avacalhação. Não estou mais lá, mas o receio continua.

Tenho pena de que aquele ônibus da faculdade vire um lugar de, sei lá, apenas estudantes.

(*) Mais uma obra de buteco em parceria com o Uncle Deam

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