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Finalmente chegamos em 21.12.2012 e, pelo sim, pelo não, decidi trazer ao blog uma mensagem confortante aos leitores, caso o apocalipse efetivamente dê as caras. É certo que o universo é um mistério a ser desvendado e a vida é uma dádiva a ser reverenciada, mas temos que concordar que na hipótese de tudo que conhecemos vir a ser destruído por uma força superior, nossa alma terá alguns bons motivos para comemorar o fim dos tempos.

Juntei as ótimas listas de reclamações da Anna Ingrid e da Ana Freitas, acrescentei algumas mágoas pessoais e voilà! Aposto que você vai começar a querer que os maias estejam certos…

1. Frases inspiradoras em fotos aleatórias

Em primeiro lugar, desculpa, de verdade, mas não deixa de ser estúpido porque está escrito em helvética. Segundo, você pode tentar argumentar dizendo que os seus são realmente inspiradores, muito mais do que os para-choques de caminhão e mensagens de professoras de fundamental para os alunos. E você vai, porque gente que posta essas coisas é bem esse tipinho mesmo, mas você está errado. O máximo que você consegue com isso é ser um “não me inveje, trabalhe” hipster.

O nome disso não é surpresa, é enfisema pulmonar.
 

2. Gente fingindo que ser nerd é uma coisa ruim

Por caridade, parem com isso. Ler/ver "Crônicas de Gelo e Fogo" não faz de você um nerd. E nem ser nerd é uma coisa ruim. Parem com isso. Os nerds criaram as empresas e as nossas maiores necessidades biologicamente supérfluas (facebook, tablets) atuais. Os nerds mandam no mundo hoje, parem de tentar diminuir o esforço deles se enquadrando em qualificações que você não tem. Os nerds são mesmo os novos atletas. Qual é, vai dizer que não? Quem você quer pegar, Zuckerberg ou o Ronaldinho Gaúcho?

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Você não é nerd, é só uma attention whore de óculos.
 

3. Stand up comedy

Começa que não é por ter visto um episódio de Seinfeld que você é engraçado. E o stand up podia ter acabado junto com a série, entre várias razões, porque não é bom. Tenho muitas saudades de quando realmente dava pra rir em programas de humor. Era mais ou menos na mesma época em que o Fantástico era fantástico e a Super Interessante era interessante.

Zorra Total, porque existe algo pior do que stand up.
 

4. Instagramatização dos alimentos

Muito tempo atrás, eu me lembro bem, a gente podia chegar livremente num restaurante, ler o cardápio e pedir o que quisesse. Enquanto se esperava a comida chegar, as pessoas conversavam com quem quer que tenha ido junto e havia uma conexão social real. Quando a refeição chegava, era uma questão de comer. Apenas. Hoje sempre tem um amigo que precisa tirar fotos de todos os pratos para colocar na internet e dividir o jantar com todos os que não foram convidados.

O que há de errado com vocês? Instagram faz parte do processo de absorção vitamínica? 
 

5. Avisos sobre os males da tecnologia

Gente falando que nós somos a geração que não curte o ar livre, não vê flores, árvores e a natureza, que ninguém mais sabe o que é relacionamento verdadeiro, que tudo é virtual, online, transitório, efêmero, que todo mundo vê o mundo pela tela do computador e tudo isso é irreal e menos válido do que a maneira ‘tradicional’ de se relacionar. Falem por você, senhores narradores de vídeos que querem ser impactantes e life-changing; a minha vida social nem sequer EXISTIRIA se eu não tivesse encontrado, na adolescência turbulenta, gente como eu na internet. Eu, felizmente, tenho muitas amizades que foram iniciadas fora da internet e cuja manutenção eu faço online, e outras que começaram no Facebook e que foram levadas pro mundo, hum, “real”. E quer saber? Nenhuma é menos “de verdade” por um motivo ou por outro. Se VOCÊ, senhor narrador, não vive sua vida de verdade por que fica no celular, ou no laptop, ou trancado em um estúdio narrando vídeos pro You Tube, problema seu.
 

6. Adesivos "família feliz"

Aquele adesivo atrás dos carros que tem a família toda dando as mãos em versão palito, incluindo as vezes o bebê, o cachorro e até a avó, em alguns casos, entre outras coisas. Versões engraçadinhas com, sei lá, famílias de clássicos pop tipo Star Wars ou Família Dinossauro ainda estão sendo aturadas, mas não por muito tempo.

Adesivo é coisa de pobre. 
 

7. Falta de educação

Gente que, depois de pisar no seu pé no transporte público de maneira dolorida, troca olhares com você e mesmo assim se recusa a pedir desculpas, mesmo que fosse só com a mão ou só com a expressão corporal – vocês sabem, aquela gesto no qual a gente encolhe o corpo, que a gente costuma manifestar-se quando a gente se envergonha ou quer se mostrar à disposição, que é basicamente o que a gente faz quando se desculpa sinceramente. Especialmente quando isso acontece pela manhã, porque faz o dia mais difícil, torna o mundo um lugar mais inóspito pra se viver e contribui para a perda de pontos do time HUMANIDADE na competição universal pelas coisas fundamentais da vida.

Círculo social vicioso.
 

8. Israel bombardeando Gaza

Até sonhei com o Domo de Ferro outro dia, que é o fantástico sistema de escudo invisível do espaço aéreo de Israel, que bota os mísseis (supostamente) do Hamas em chamas assim que eles atingem a tal redoma invisível, o que lembra bem vivamente a cena do escudo em Hogwarts no último Harry Potter – bom, sonhei com isso, de tanto que eu não aguento mais Israel bombardeando Gaza.

 

9. Gente falando de Facebol no Futebook… NÃO, PÉRA

A verdade é que eu não reclamo disso no Facebook porque daí seria eu mais uma chata a engrossar o caldo de gente enchendo o saco sobre futebol no Facebook. A merda é que não dá pra bloquear, sabe? Porque tá cheio de gente que na maior parte do tempo posta coisas legais, mas aí nessas épocas de jogo é tomada por, sei lá, um espírito insuportável. E aí o Facebook não mais que de repente vira o Twitter, com 35 pessoas falando CHUUUUUUPAAAAA. Sabe o que eu queria mesmo? Eu queria mesmo um aplicativo que bloqueasse as palavras Corinthians, Timão, Palmeiras, Palestra, São Paulo, bambi, e variações de CHUPA que possuam entre um U e treze Us.

Ninguém quer saber sua opinião sobre o árbitro.
 

10. Intolerância

Gente que, nem por amor à própria vida ou à vida daqueles que lhes são caros, é capaz de compreender a grandeza e a diversidade disso que a gente chama de mundo, de modo que acaba julgando como inferiores pessoas diferentes delas em vários aspectos, de orientação sexual a gostos pessoais. Especialmente gente que se engaja em violência física pra fazer prevalecer a opinião de que essas pessoas diferentes não merecem dividir o mesmo PLANETA que elas.
 

Agora é só correr pro abraço!

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Leia os artigos originais aqui e aqui.