A busca da humanidade pelo entretenimento começou há muitos milhares de anos atrás. Desde que o homem primitivo adquiriu a habilidade de pixar paredes para interpretar histórias, nossa espécie vem evoluindo em um ritmo frenético, atrás de cada vez mais motivos para não fazer nada além de ser entretido.

A forma como foram lidando com isso através das gerações, fez com que o que chamamos de sociedade hoje, seja apenas um reflexo do desejo de muitos de apenas viver consumindo o que outros fazem pra tomar o seu tempo. Graças aos homens das cavernas, nós temos os filmes, a música, as novelas mexicanas, as séries de TV, os blogs, o Instagram, a astrologia e os desenhos animados.

E cada vez que eu penso nisso, só tenho motivos pra agradecer, porque graças a eles nós podemos apreciar uma obra de arte como Rick e Morty, onde você é apresentado à teoria do multiverso, e de que em algum lugar existe um planeta com pessoas iguais a nós, escrevendo em blogs, e realmente entendendo tudo o que foi escrito até agora.

Sim, estamos falando de um desenho animado, é nesse momento que você tira as crianças da sala. Sério, tire.

Antes de tudo, se você faz parte da gama de pessoas que se nega a assistir à nova geração de desenhos animados, coloque a mão no coração e tente dar sequência em alguns episódios de cartuns como o Apenas Um Show, ou o Incrível Mundo de Gumball. Eles são feitos pra dois tipos de pessoas completamente distintos em termos físicos e psicológicos, as crianças e os adultos que consomem entorpecentes. Álcool ou o que mais você encontrar pela casa podem transformar a história e fazer você enxergar coisas que a inocência mundana não permitiria. Talvez isso prepare você para o que vem por aí…

Em Rick e Morty, nós até podemos observar detalhes que foram feitos para menores, como o traço amigável, e histórias que influenciariam nossas crianças a amarem mais os seus animais de estimação, mas que mostraria que é provável que se os cães se tornassem inteligentes, em dado momento nos veriam apenas como seres cruéis publicando vídeos no YouTube, onde escondem a bolinha nas costas quando fingem arremessá-las no horizonte, e assim eles reagiriam de uma forma violenta escravizando seus donos, vingando toda a sua espécie da exploração humana.

Rick Sanchez é um cientista alcoólatra que passa a maior parte da sua vida buscando novas maneiras de ficar completamente entorpecido com químicos e foder o universo. Considerado por ele mesmo o ser mais inteligente que já existiu, vive de favor em um quarto na casa da sua filha Beth Smith, casada com Jerry Smith e com dois filhos, Morty e Summer.

Rick é capaz de desenvolver tecnologias inimagináveis, através de uma arma de portais ele viaja alternando entre realidades paralelas em busca de ferramentas para essas tecnologias, como cristais ou sementes intergalácticas, pra isso conta com a ajuda de seu neto mais novo.

 

 

Morty, a melhor e mais prestativa cobaia do Rick é uma criança problemática que vive em busca da aprovação do seu avô, e pra isso aceita até servir de mula para levar materiais proibidos pela federação galáctica para a terra sem ser revistado quando a arma de portais não está funcionando.

 

Summer é uma adolescente que tenta apenas ser popular e aproveitar coisas de adolescentes, claro que é bem difícil sabendo que é considerada a principal razão pela infelicidade de seus pais, além de ocasionalmente cair por acidente em experiências de seu avô.

 

 

Beth é uma cirurgiã equina que sonha em se tornar cirurgiã de humanos um dia, mas vê seus planos frustrados por ter se casado com Jerry, ao ter engravidado de Summer na formatura do seu colégio.

 

 

Jerry é um publicitário fracassado, o tipo de cara que não aguenta ser contrariado, vive brigando com Rick e costuma se emocionar fácil com as coisas, o tipo de pessoa que não consegue aceitar o quão é minúscula no universo e por isso frequentemente chora no banho.

 

 

A dupla Rick e Morty, é uma referência direta à Marty Mcfly e o Doc. Brown de De Volta Para o Futuro, que em meio ao caos das teorias biológicas, físicas, comportamentais e uma caralhada de palavrões, tem o papel de, aos poucos, fazer o espectador deixar de acreditar em tudo o que antes poderia parecer óbvio.

Cenas onde as realidades de filmes como Inception são testadas, onde teorias sobre o espaço/tempo são quebradas, crenças religiosas são dissolvidas e pessoas inocentes são ofendidas ou dilaceradas não faltam. O humor negro está tão presente em Rick e Morty, quanto lunáticos estão nos comentários do G1.

Os episódios de 20 minutos são repletos de ótimos diálogos, inglês ou português tanto faz, o entrosamento da família e a forma como os problemas são apresentados, desde o governo ou acidentes na linha do tempo, as referências que aparecem nos momentos exatos e a maneira como o multiverso é explorado, tornam Rick e Morty uma das coisas mais brilhantes feitas pra TV atualmente.

Sério, vai de mente vazia e coração aberto que PUTA QUE O PARIU, Rick e Morty é o melhor desenho que já existiu!

E tem na Netflix.