“Você pode ter certeza que se você fosse um bandido, o tratamento seria bem diferente.”

Apesar de parecer ameaçadora, a frase dita durante uma situação (fictícia) em que uma equipe de blogueiros (hipotética) foi abordada durante uma blitz (imaginária) soou mais acalentadora na voz aveludada do PM carioca sem identificação.

Ele já havia explicado, no mesmo tom moderado, quase paternal, que com aquela quantidade de drogas o proprietário seria conduzido até a “D.P.”, onde o delegado procederia a um interrogatório para decidir se o suspeito seria enquadrado como usuário e liberado após assinar um termo circunstanciado, ou considerado traficante, sendo preso imediatamente.

A questão principal, aparentemente, era financeira.

– Pode ligar pro seu advogado, porque de qualquer forma você vai ter que pagar uma multa, ou uma fiança… a não ser que prefira resolver de outra maneira.

– Eu preferia avançar no tempo e contar com a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre esse assunto, né?

– Pois é, mas infelizmente…

 

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Infelizmente, existem inúmeras liberdades individuais que ainda são arbitrariamente tuteladas pelo Estado, esta onipotente entidade abstrata, no caso concreto representado pelo delegado civil e pelo juiz (em teoria), ou pela autoridade policial militar (na prática).

Mesmo carregando 25g, seis mudas, a discografia do Planet Hemp e uma bandeira da Jamaica, enquanto não houver uma definição do STF, esta mesma autoridade pode dar-se por convencida de que o meliante em questão pode representar um efetivo perigo à sociedade, segundo seus próprios critérios de convencimento (que podem compreender detalhes como endereço, profissão e melanina). A primeira sentença sai na hora, ali mesmo. Um esculacho.

No caso (fictício, lembre-se) em epígrafe, contudo, o playboy teve menos problemas. Foi bem tratado e pagou a “multa” em espécie, sem recibo, no local.

 

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E ainda saiu levando o flagrante, com recomendações de esconder melhor “que daqui pra frente a gente não se responsabiliza”.

Mas se fosse considerado “bandido” – seja lá o que isso signifique – o tratamento seria bem diferente. Sem nenhuma dúvida.


 

BONUS TRACK – Já que estamos aqui, confira a cobertura caprichada do Hempadão na Marcha da Maconha 2015 em São Paulo: