Tradicionalmente conhecida como “a Europa brasileira”, a internet consagrou Curitiba como a capital da “zoeira”, talvez até melhor resumido no título de “Rússia brasileira”, mas também disseminou a ideia de que seus moradores são tão civilizados quanto antipáticos.

Minha perspectiva pessoal é um pouco diferente.

Bairrismo

Sou carioca, criado no Espírito Santo, e a primeira vez que ouvi falar na capital do Paraná foi quando fui apresentado à segunda esposa do meu pai, curitibana. Esta foi também a primeira vez que ouvi falar em “bairrismo”.

Carioca ama o Rio de Janeiro, mas ama ainda mais falar mal do Rio de Janeiro. “Esta cidade está impossível” – ouço desde os anos 80 até hoje. Capixaba, por sua vez, parece não ter a mínima noção de que mora em um pequeno pedaço de paraíso. Em todo este tempo que vivi por lá, da pré-escola ao fim da faculdade, percebi que é muito raro ver alguém exaltando-se em declarações de amor ao Espírito Santo. Na oitava série tinha um maluco que exaltava diariamente o belíssimo município de Pancas, mas de um modo geral o cidadão capixaba parece mais apático e resignado do que orgulhoso e apaixonado.

Por isso, soou tão estranho pra mim naquela época ouvir a minha “madrasta” dizer que Curitiba era, de longe, a melhor cidade do país.

Como assim? Melhor em quê?

Frio

Quando a esposa do meu pai engravidou do meu primeiro irmão (contei um pouco sobre essa história no começo desse post), não poderia estar mais decidida: teria seu filho em Curitiba.

Para eu não perder o contato com a família, minha mãe me despachou para passar uns meses com meu pai na capital paranaense. Eu tinha apenas 6 anos de idade, mas me lembro claramente do quanto senti medo sobretudo do famoso frio curitibano.

E, chegando lá, este foi um dos primeiros medos totalmente confirmados pela realidade.

Primeiras grandes lições recebidas: cagar de roupa e vestir o agasalho antes mesmo da cueca ao sair do banho. Fora a estranheza congelante que o inverno curitibano aplaca sobre um carioca/capixaba, foi bem divertido acrescentar novas peças de roupa impensadas até então para aquele infante Ivo Neuman: luvas, cachecol, gorro e aquela máscara ninja iradíssima que eu adorava usar pra fingir que eu era o Robocop (ó as ideia).

Nesse aspecto do clima, Curitiba ficou marcada pra mim como um inverno autêntico, desses de filme. Com toda delícia e melancolia das temperaturas europeias.

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Civilidade

Eu ia falar em “sofisticação” mas a perspectiva que tive na infância tem mais este sentido: Curitiba era uma cidade rica e desenvolvida que o acaso colocou em um país pobre e subdesenvolvido. “Um pedacinho da Europa no Brasil”, exageravam.

Como eu sempre soube que não existe cartão postal sem uma correspondente periferia fora de foco, evitei me iludir com tais pretensões, mas sempre fiquei tocado com a civilidade e o sentimento de cidadania da população: as ruas eram limpas e a maioria das coisas, como filas, supermercados, praças e pontos de ônibus, eram organizadinhos. Era a tal “educação” superior dos países desenvolvidos, aqui, pertinho de nós, que emoção.

E mesmo depois de conhecer outras cidades do país, permanece a sensação de que Curitiba cultiva hábitos um tanto diferentes – talvez até poderíamos dizer mais “evoluídos”.

Apesar de achar o biarticulado um pouco de exagero.

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Qualidade de vida

Àquela altura da minha experiência de imersão, de fato tinha percebido várias peculiaridades no dia-a-dia que começaram a me fazer entender o tal bairrismo curitibano, mas nada até então superava a caixa de bombons da Nestlé, que antes dos anos 90 parecia só existir naquela cidade.

Também me fazia acreditar na magia de Curitiba o fato de que meu pai tinha a vida mais legal que um adulto poderia ter, pelo menos na opinião de uma criança de seis anos: ele fazia caratê e trabalhava num estúdio de animação com massinha.

E cada um dos amigos deles tinha um apelido de um dos membros da Liga da Justiça! Puta que pariu! Eu queria ser curitibano!

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Amor

Um desses amigos do meu pai – não me recordo ao certo se o “Aquamen” ou o “Gavião Negro” – tinha uma filha da minha idade. Linda, loira, de olhos azuis. Com poucos minutos de conversa já estávamos trancados na despensa da cozinha fazendo planos para o nosso casamento. E filhos. E pastores alemães. Nunca mais a vi, mas ficou para sempre a impressão de que Curitiba é uma cidade inevitavelmente romântica.

Anos mais tarde, já adulto, vivi grandes momentos de amizade e amor na cidade. Momentos tão singelos e profundos que mesmo os descaminhos da vida não enfraqueceram seu significado. Desde ver meu irmão, que mora em Curitiba, interpretar Raul Seixas no teatro, até fumar maconha com mendigos numa praça, passando por diversas reuniões épicas de amigos e figuras lendárias da internet.

Se o povo de lá não é muito sociável, definitivamente tem algo errado comigo. Ainda que por razões possivelmente aleatórias, oriundas do ocaso do acaso, ainda não aconteceu de eu não me sentir extremamente bem nesse lugar.

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Curitiba Social Media

Dentre todos os eventos de mídias sociais que já tive o prazer e a honra de participar, o Curitiba Social Media, ou #CSM, para os íntimos, não é apenas o mais organizado, mas também é aquele em que sempre rola “algo mais”.

Além dos diversos painéis com reviravoltas históricas, incontáveis escândalos nos bastidores, que você só fica sabendo se estiver na hora certa e no lugar certo. O que acontece no CSM fica no CSM – pelo menos as partes obscenas.

A gente esteve lá em 2012, 2013 e 2014 e numa dessas até registramos o papo em vídeo. Pra você ter uma ideia do evento como um todo, dá uma olhada no video case oficial do ano passado:

Este ano o #CSM vai rolar no Centro de Convenções de Curitiba, também conhecido como “Palácio de Vidro”, e mais uma vez reunirá os maiores influenciadores de mídias sociais do país para debater os aspectos mais relevantes desse mercado, bem como as nuances da cultura digital.

Fique atento à programação e não pense duas vezes em chegar junto, especialmente se quiser confraternizar com alguns dos principais ícones da internet brasileira – neste momento de profundas reflexões e transformações.

CLIQUE AQUI para ver como foi o evento!

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Pra saber mais sobre o evento, acesse o site oficial e a página do Facebook, e acompanhe tudo “em tempo real” pelo Twitter e pelo Instagram!

 
Dedicado ao melhor Sandro do universo.


 

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