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Sempre reverenciei a profundidade e o impacto do questionamento acima para uma biografia. Ainda pequeno, percebi as diferenças ideológicas entre servidores públicos e artistas plásticos, e não titubeava quando me perguntavam que profissão eu tinha em mente: Presidente da República (eis aqui minha megalomania moldando meus objetivos de vida desde os sete anos).

Na adolescência, caí na real que antes disso, eu precisaria me ocupar de cumprir o rito acadêmico em uma seara qualquer relacionada (frise-se que na época não se cogitava um mandatário operário). Como sempre fui um argumentador descarado, invariavelmente me sugeriam cursar Direito. Desvendar os mistérios das regras que regem a sociedade não me parecia má idéia (apesar dos costumes extremamente desconfortáveis), e foi o que fiz – numa das melhores escolhas da minha vida. Autodefesa para arte marcial nenhuma botar defeito.

Não obstante, nada daquilo que transita nos tribunais e departamentos jurídicos parecia ser o que eu queria ser. E me lembrava daquela velha opinião de “fazer aquilo que se gosta”, e especulava sobre uma eventual carreira profissional como massoterapeuta de esportes femininos – se já estaria financeiramente estável neste ramo subvalorizado, se já teria ido a alguma olimpíada… E foi então que voltei minhas atenções para os meus maiores prazeres produtivos: ler, escrever, criar. E antes mesmo de prestar o vestibular já tinha escrito meu terceiro livro (o quarto estava em andamento).

SEXTA

Quando publicar e distribuir se tornou um problema, estudei webdesign, criei e administrei alguns sites muito bem (e outros muito mal) sucedidos, e então assumi oficialmente a identificação como blogueiro no início desta década revolucionária. Hoje, assisto bem de perto às magnificas e estonteantes transformações nas tecnologias da comunicação, e compartilho da busca por fazer o melhor uso pessoal estratégico de suas possibilidades. Sempre.

De político a burocrata, de escritor a usuário de redes sociais, constato que o cenário mudou e eu não fiz as escolhas mais adequadas a configurar um destino de sucesso clássico. Contudo, à revelia do que você pode estar pensando, meu planejamento está sendo seguido rigorosamente à risca, em múltiplas dimensões. Estar livre de qualquer amarra para ser capaz de decidir os próximos passos com ampla gama de possibilidades fazia parte do projeto desde o início, e a cada dia que passa, espero mais ansiosamente pelas próximas decisões que deverão ser tomadas no curso desta empreitada.

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Minha maior felicidade, modéstia à parte, se me permitem dizer, foi partir do pressuposto crucial da absoluta relatividade de todas as coisas para descobrir que este universo em que existimos está em permanente e acelerada transformação, metamorfose ambulante, não havendo qualquer sentido guardar amarras em conceitos obsoletos, por medo do novo ou pura acomodação cognitiva. Em nenhuma hipótese.

E minha satisfação se locupleta ao perceber em pequenos acontecimentos e conquistas cotidianas que venho apostando em valores cada vez mais ascendentes, justamente por ter descoberto que o que eu realmente quero ser é aquilo que me faz crescer, eternamente jovem, descobrindo deslumbrado a que o futuro nos reserva.

E acho que não estou sozinho.


 

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