Em novembro de 1996 eu vivi um grande dilema: eu estava no maior (e, na época, único) shopping center da cidade e tinha que escolher um presente de aniversário de até 100 reais (valor inédito até então na minha vida).

Às vésperas de completar 13 anos, eu me via dividido entre um singelo tênis e um sofisticadíssimo jogo que eu esperava há muito tempo, o SimCity 2000 – uma caixa fantástica contendo 1 revolucionário CD-ROM (antes eram 2 disquetes) e o manual de instruções em edição especial!

Depois de uma tarde de drama consegui ganhar os dois presentes, e sentia que tinha valido a pena todo o esforço. Só que depois de um ou dois anos veio a loucura da internet, e aquele jogo que eu tive um trabalhão pra ganhar estava disponível na minha frente pra download… pouco mais de dois megabytes, zero reais.

Foi um marco na minha vida: a partir desse dia eu passei a ter certo despeito com tudo quanto era produto digital pago. Contra burguês, baixe mp3!

Muitas horas décadas de KaZaa e Emule (antes da infestação de malwares), torrents e comunidade Discografias no Orkut depois, contudo, alguns serviços pagos começaram a justificar o investimento, oferecendo serviços de boa qualidade, além de práticos e acessíveis.

O resultado é que hoje em dia algumas linhas da fatura do meu cartão de crédito já são dedicadas a esses serviços e ferramentas online. E não estou sozinho nessa: alguém mais tem que estar contribuindo nessa vaquinha que fez grandes players como o Netflix faturarem mais de um bilhão de trumps no último exercício!

 

Mas quanto custa essa brincadeira?

Confira abaixo os preços dos melhores e mais populares serviços de cada segmento – e alguns de seus concorrentes:

 

1. Televisão

Foi-se o tempo em que a TV decidia o que você vai assistir. Além disso, pra que 200 canais se nenhum passa nada que presta? O povo não é bobo: a onda agora é assistir filmes e maratonar séries online por streaming, na hora e local que bem entenderem, sem intervalo comercial.

Enquanto outros serviços pagos de vídeo ficam só na promessa, a Netflix segue reinando absoluta como melhor opção, custando R$ 22,90 por mês (R$ 29,90 se você quiser resolução 4K e até 4 telas simultâneas). Até existem concorrentes gratuitos, mas ou pecam pelo acervo ou pela ilegalidade.

 

Contudo, quem quiser acompanhar Game Of Thrones “em tempo real” pra não tomar spoiler na cara vai precisar acrescentar R$ 34,90 (ou adicionar o pacote HBO na sua TV a cabo) para ter acesso ao HBO Go nos meses em que a série estiver no ar.

 

Agora, se você não curte livros e prefere um bom reality show nacional, adicione R$ 14,20 por mês em que o BBB estiver no ar para assinar o Globo Play.

Custo = R$ 72,00 / mês*

* nos meses em que todas as atrações estiverem sendo transmitidas

 


 

2. Rádio

Quando foi a última vez que você comprou um disco? Seja vinil, CD ou digital, provavelmente faz tempo. E quando foi que sintonizou uma rádio AM ou FM? Parece que estamos falando de outro século, outro milênio…

Assim como não faz mais sentido ter que desembalar um objeto físico ou esperar a hora certa para ouvir seu hit favorito, gerenciar grandes coleções de músicas digitais em mp3 virou um transtorno desnecessário.

Dentre os muitos e medianos serviços de streaming de música por assinatura destacamos o Spotify, que disponibiliza gratuitamente um acervo de mais de 30 milhões de músicas licenciadas e pode ter seus inconvenientes anúncios de áudio e limitações removidos pela bagatela de R$ 14,90 mensais – mais ou menos o preço de um CD com 12 faixas nas Lojas Americanas nos anos 90. Ou R$ 26,90 para um plano família (até 6 contas).

As alternativas mais famosas são o Apple Music, Google Play Music, Deezer, Napster (sim, ele mesmo), além de serviços das operadoras Claro, Vivo, Tim, etc., todos formando um cartel incrivelmente na mesma exata faixa de preço para pacotes individuais e familiares.

Como nem só de música vive o áudio, podemos supor que você queira ouvir outra programação para se informar e se entreter. A maioria dos podcasts brasileiros disponibilizam assinaturas gratuitas, contudo os fãs mais amorosos podem colaborar com doações mensais para seus projetos favoritos, em sistemas especiais de crowdfunding, como o Patreon.

Dentre as minhas recomendações pessoais estão o Braincast, o Anticast, o Pouco Pixel e o Decrépitos.

Custo = R$ 29,80 / mês*

* supondo que você queira assinar 2 serviços ou 1 serviço familiar ou 1 serviço + podcasts

 


 

3. Jornal

Nem PT, nem PMDB, nem PSDB: a gente já está cansado de saber que o pior partido da política brasileira é o Partido da Imprensa Golpista. E mesmo morto o menino jornalismo, ainda têm um pessoal com cara de pau de fazer uma vaquinha pro velório…

Fazer jornalismo de qualidade exige recursos. Uma das formas de obter esses recursos é submeter o crivo editorial do veículo de comunicação aos interesses dos anunciantes. O governo, por exemplo, é um dos maiores.

Outra forma, um pouco mais modesta, é cobrar assinaturas pelo acesso ao seu conteúdo completo. Para escolher o jornal que seria minha fonte de informações preferencial, preferi aquele que aparentemente oferece uma proposta editorial diferenciada: o Jornal Nexo.

Custo = R$ 12,00 / mês

Se você prefere a pílula azul do Morpheus e quer ser manipulado em diferentes formatos de mídia impressa digital sugerimos o combo Estadão + Veja por R$ 39,90.

 


 

4. Correio

Uma pessoa que utiliza intensamente o Gmail desde o seu lançamento pode ter chegado ao fundo de um poço que parecia infinito: a capacidade de armazenamento de dados do email gratuito.

São 15 fucking gigabytes oferecidos no plano gratuito do Google Drive, suficiente para a maioria dos usuários, mas pouco para os 23,34 GB acumulados na minha caixa postal. A solução foi contratar o plano anual mais barato para adicionar +20GB na minha conta do Google.

Custo = R$15,99 + impostos / ano*

* quem precisar de mais espaço pode pagar R$ 6,99 (100 GB) ou R$ 34,99 (1 TB) por mês.

 


 

Quem trabalha com atividades online como eu certamente ainda tem outros custos fixos pra faturar no cartão corporativo, como (no meu caso) um boleto de hospedagem e outro eventual de Facebook Ads. Sem mencionar os módicos valores gastos com domínios anualmente.

Mas considerando os gastos básicos listados acima, vamos ver quanto ficou a conta?

TOTAL = R$ 115,14 / mês (ou R$ 1.381,60 / ano)

E aí? Tá valendo a pena pagar o boleto da internet?

Deixe sua opinião e as suas sugestões de bons serviços pagos online nos comentários!


 

Sobre o autor

Ivo Neuman
Fundador

Fundador do TRETA e consultor de ginástica laboral do Não Salvo.