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 Textículos        Ivo Neuman        11 pedradas

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“Lonely in London.”
 

Sou desses. Não tenho conhecimentos profundos sobre qualquer esporte, mas com dois dias de olimpíadas já me considero capacitado a criticar o desempenho de um atleta de quem nunca ouvi falar em uma modalidade cujas regras ignoro solenemente. Você também é assim, confesse. Esta é a graça de ser espectador esportivo. Mas a despeito da naturalidade da coisa, acho digno de nota a forma como as pessoas vão tentando interpretar o resultado do Brasil nas Olimpíadas de Londres sob um prisma, digamos assim, antropológico (como fazem com quase tudo, pelo menos no Facebook).

Lembro que numa prova de História da sétima série, não soube responder por que os Estados Unidos tinham mais reservas de ouro que o Brasil, sendo que ambas eram colônias europeias, e como eu já tinha passado de ano esclareci à professora que devido ao diferenciado processo histórico de cada uma das nações, os atletas americanos eram privilegiados com melhores condições de treinamento e chegavam mais bem-preparados para as olimpíadas. A mestra, sem capacidade de transcender a cartilha, não me deu nem meia questão. E desde então eu decidi parar de tentar estabelecer relações sociológicas com esporte.

Contudo, confesso que costumo usar o critério do subdesenvolvimento para torcer em disputas internacionais: quanto mais pobre um país e seu povo, mais justo me parece conceder-lhes um momento de superioridade, esta pequena revanche lúdica que nos permite especular sobre as singularidades e potencialidades de cada etnia e lembrar por um instante que a História poderia ter sido bem diferente. Um jamaicano ser o mais rápido do mundo há de significar alguma coisa.

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“A história é contada pelos vencedores.”
 

É o ópio do povo, é verdade. Mas que ópio gostoso! O esporte entretém ao tempo em que enaltece algumas das mais excelentes virtudes humanas: empenho, disciplina, técnica, desenvolvimento físico e mental. A prática esportiva é uma condicionante para a saúde e a qualidade de vida de uma população, e pra não sairmos do óbvio, é uma ferramenta social poderosa para evitar que o ócio infanto-juvenil se transforme em índices de criminalidade.

Portanto, meus amigos, eu não chego a empunhar a bandeira do patriotismo, que considero algo tão estúpido quando a xenofobia, mas torço de verde e amarelo verdade para que as próximas gerações acreditem que é possível transformar sonhos em realidade. Isso, sim, vale ouro.

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“Brasil-sil.”
 

Não sei dizer ao certo se 17 medalhas (um recorde histórico, afinal) refletem qualquer coisa. Não sabemos se o Dieguinho brigou com o namorado na véspera, ou acordou com uma afta na ponta da língua, pra avaliarmos se o seu mal desempenho denuncia a falta de investimentos públicos em bons programas de incentivo ao esporte, ou mesmo uma inferioridade psicológica de nossos atletas. Os astros do futebol, com suas carreiras alucinadas e seus valores deturpados, coitados, são apenas jovens tão suscetíveis ao fracasso quanto eu ou você.

Mas ainda assim uma coisa é mais do que certa: se tivermos qualquer pretensão de comemorar algo mais que um (honroso, porém indigesto) 22º lugar no quadro geral de medalhas, vai ser preciso muito mais do que vinhetas empolgantes e clipes emocionados. Não vou nem entrar no mérito da infraestrutura das instalações esportivas públicas, ou do salário dos profissionais da área. Existe uma inversão de valores muito bem observada pela Bic Muller: “Nos EUA os atletas praticam esportes pra ganhar bolsa nas universidades. Aqui os caras viram jogadores de futebol pra não precisar estudar.”

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“Caralho, perdi uns onze contratos de publicidade…”
 

O problema não é glamourizar o futebol. É não glamourizarmos os outros esportes – e as outras disciplinas escolares. É não podermos fornecer aos nossos potenciais medalhistas do futuro, de quaisquer modalidades, as condições para o melhor desenvolvimento de suas capacidades.

Posso parecer leviano, sendo blogueiro e obeso semi-mórbido, mas falo com o conhecimento de causa de quem acompanha de perto a carreira de dois atletas mirins. Poderia dizer até que são os primeiros atletas de certa forma patrocinados pelo TRETA: meu irmão mais novo e minha afilhada. Veterana aos 11 anos, a minha ginasta favorita ganhou todas as medalhas que disputou na sua ainda curta carreira, mas hoje simplesmente não tem onde treinar porque não encontra mais um único centro de treinamento nas proximidades de onde mora – e estamos falando da região metropolitana do Espírito Santo, teoricamente um centro urbano.

Sem falar em todos os outros problemas que não dizem respeito só ao esporte, mas a todos os brasileiros. Meu irmão viajou neste sábado com a seleção capixaba sub-15 de basquete rumo a Anápolis (GO), para disputar o campeonato brasileiro, e teve sua bagagem extraviada no inglório aeroporto de Vitória – um erro que infelizmente vem se trivializando, mas que segue sendo um absurdo inaceitável, principalmente quando o passageiro é diabético como o meu irmão e seu estoque de insulina seguia junto com a bagagem, por inexperiência do jovem atleta com a incompetência das companhias aéreas.

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“Eu quero tchú…”
 

Eu sei que muita água vai ter que passar por debaixo dessa ponte para não enfrentarmos, de verdade, um fiasco internacional (quando ainda mal superamos a projeção mundial do Michel Teló). A responsabilidade está batendo às portas e me parece pouco provável que tanto possa ser feito em tão pouco tempo. Só me resta torcer para que todos os prognósticos estejam errados.

E eu não estou nem preocupado com as Olimpíadas de 2016, ainda.

Quero ver na Copa.

(Autor: Walter Carrilho)

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Ok, o julgamento do mensalão começou. Eu acho que vale a pena colocar alguns pingos nos seus devidos “is”.

1- Sim, julgamento no STF é chato pra cacete. São milhares de páginas de processo e um bando de velho falando. Por isso que dá menos quorum que carnaval.

2- Desista de buscar “cobertura isenta” na imprensa. Ou em qualquer lugar, incluindo a mesa do bar. Isso é virtualmente impossível, posto que todo mundo tem um interesse na vida.

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3- Veja e Carta Capital são dois bons exemplos do que eu disse acima. Demóstenes foi o 2º senador caçado em mais de um século de história e todas as revistas deram capa. A Veja fez uma mera notinha (oh, por que será?). Agora todas dão capa para matérias que analisam o mensalão, um dos julgamentos mais bombásticos da história recente. E a Carta Capital finge que não é com ela, preferindo dar capa para um ataque a um dos juízes do STF (não por acaso, indicado por um ex-presidente que agora é oposição). Ambas prestam um péssimo serviço ao que outrora a gente chamava de jornalismo.

4- Você quer fazer manifestação a favor da condenação de alguém? Boa sorte. Manifestações por aqui causam tanto efeito quanto dar bronca para um bando de panda: ninguém dá bola. E seu eu fosse você não me aliaria a nenhum político em manifestações do tipo. O acusador de hoje pode virar o réu de amanhã. Por aqui é bem comum.

5- Você quer manifestar apoio aos réus? Não faça isso. Eles não precisam da sua ajuda. Eles já têm advogados muito bem pagos para fazer o trabalho. VOCÊ não vai fazer diferença. E eu ficaria envergonhado em apoiar alguém que amanhã pode ser realmente condenado. Tenha motivos além dos ideológicos para defendê-los, pelo menos.

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6- O mensalão não é uma farsa. Não sei ainda o que é, mas algo aconteceu, tá na cara. Deixe que os ministros julguem. Eu, você e seu barbeiro não temos conhecimento para dar muito palpite. Evite filosofar sobre algo que, no fundo, você não domina nem um pouco.

7- Aliás, por favor: se você quiser denunciar a “farsa do mensalão”, fique à vontade. Mas por piedade, use as letras corretas. Farsa é com “s” e não com “ç” como algumas pessoas escreveram por aí.

Gostem ou não, esse julgamento precisa ser feito. É um trabalho sujo, chato, mas necessário. Colocar políticos (qualquer um) e empresários na parede faz bem ao país. Pode não dar em nada (bem provável), mas é bom pra assustar o resto da manada.

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De autoria do jornalista boçal Walter Carrilho.

Autor: J. Noronha

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Volta e meia você fica naquela dúvida: recuso a solicitação de amizade ou recuso a solicitação de amizade e envio uma carta-bomba para quem solicitou?

Na dúvida, alguns motivos por que eu não aceito alguém no Facebook:

1. Você Não Tem Foto no Perfil

Assim, estamos em 2012 e até os sem-teto têm um celular com câmera. Nada justifica um perfil sem foto. Ah, você não tem tempo de olhar esses detalhes? Eu também não tenho tempo a perder tentando adivinhar quem você é.
 

2. Eu Não Te Conheço

Você pode ter 88 amigos em comum comigo, mas eu não sou um deles.

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3. Eu Te Conheço

Você é aquela colega de faculdade que entra no Google para entrar em qualquer outro site e ficou surpresa quando eu disse que bastava digitar facebook.com para entrar no site:

- Eu não sabia que o Facebook tinha site!

Triste, triste…

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4. Eu Não Lembro Quem Você é

Nos falamos uma vez na fila da cerveja liberada no Festival da Lhama de Agudo, em 2003. Quer motivo maior do que esse?
 

5. Você é Chato

Eu conheço você, é aquela pessoa cuja mesa no bar gera um espaço vazio ao redor, como um campo magnético repelente de seres humanos.

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6. Eu Lembro de Você dos Tempos do Orkut

Você era aquela pessoa que enviava 973 recados por dia com gifs animados dos mais variados tópicos, nenhum dos quais me interessava, sendo o principal deles gifs animados.

 

7. Você Só Compartilha Algumas Informações

Se você precisa manter um perfil tão privado que não dá para ver nem se você é gostosa nas fotos da praia, é sinal de que seu Facebook padece do mal da informação em excesso. Eu sinceramente não quero saber nada do seu ciclo menstrual.

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Sério, eu não preciso saber que fantasia você usou no último Carnaval, principalmente se você tem essa cara.
 

8. Eu Não Gosto de Você

A razão por que nunca trocamos mais de 3 palavras durante todo o ensino médio é que eu não gostava de você.

O que faz você pensar que o Facebook mudaria isso?

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9. Eu Não me Interesso por Horóscopo, Muito Menos o Seu

Seu mural se resume a páginas e páginas de um aplicativo que envia seu horóscopo diário automaticamente. Preciso dizer mais?
 

10. Você Não Sabe Usar Email ou Qualquer Outra Forma de Comunicação Inventada Depois do Pombo Correio

Eu lembro de você, era aquele sujeito que enviava os recados mais constrangedores abertamente no Orkut ou depoimentos patéticos com o pedido mais patético ainda de “não aceite”, o que para mim significa que você me considera tão estúpido quanto você.

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Eu não preciso disso no Facebook.

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O texto "10 Motivos Por Que Eu Não Quero Ser Seu Amigo no Facebook" foi publicado originalmente no blog Fim Da Várzea.

jul
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Tenho uma preocupação. Na maioria das vezes as pessoas civilizadas são ocupadas pelo trabalho. No tempo livre, descansam para enfrentar a próxima semana. Eles não têm tempo para trabalhar em outras coisas, como parar a civilização. Não há tanto dinheiro para ser gasto neste projeto também. Em compensação, as pessoas que trabalham para o crescimento das cidades e a exploração da vida selvagem estão trabalhando em tempo integral e são generosamente recompensados.

Talvez essa seja a razão por que os ativistas estão lutando basicamente na defensiva, simplesmente porque não conseguem acompanhar. Eles também têm de ganhar a vida no sistema para poder sobreviver. Isso significa que eles só podem estar trabalhando contra no intervalo do jogo do sistema. Então, primeiro eles contribuem e só então eles protestam.

A ciência da comunicação também mostra que as pessoas estão menos receptivos a mensagens que contradizem a sua visão de mundo e sua imagem. Então, se encaixam em suas comunidades sociais e negligenciam ideias que os façam mudar.

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Assim, muitas pessoas se preocupam mais com como elas são percebidas do que está realmente ameaçando-as.

Medo. É o que impede muitas pessoas de lutar. Medo de perder os privilégios. Medo de ser preso. Medo da repressão. Medo de morrer. Medo de ser o cara mau. Medo de fazer a coisa errada. Quando o medo de que tudo continue como está te assustar mais que qualquer outra coisa você vai estar pronto para resistir.

Há infinitas maneiras de se rebelar. Até agora as pessoas não foram capazes de desviar o barco completamente. Por isso temos de tentar de tudo, mesmo as coisas que não tenham sido tentadas antes. Nós não devemos ter medo de experimentar, porque um pequeno contratempo é melhor do que o fracasso.

POST6

Falhar não é uma opção.

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Preocupação do amigo Rodrigo Fortak.

mai
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 Textículos        Ivo Neuman        46 pedradas

Autora: Aline Valek

Não tenho nada contra homofóbicos. Eu, inclusive, tenho muitos amigos que são. O problema é que tem uns homofóbicos escandalosos, que não conseguem ser discretos. Ficam dando pinta que não gostam de gay, sabe? Tudo bem ser uma pessoa rancorosa e preconceituosa, mas não em público. Entre quatro paredes e bem longe de mim, tudo bem. Nada contra mesmo.

É impressionante o quanto eles se acham no direito de ficar com pouca vergonha na frente de todo mundo. Outro dia ouvi um cara dizer, em plena luz do dia e para quem quisesse ouvir, que “gay é abusado, mexe com homem na rua mais do que homem mexe com mulher”. Acredita? Mas já vi e ouvi coisas piores. “Tenho nojo de homem se pegando” ou “essas menininhas que se beijam não são bissexuais coisa nenhuma, só querem chamar atenção dos homens” ou ainda “te sento a vara, moleque baitola”, e por aí vai. E se alguém critica, logo apelam para “ah, foi só uma piada” ou “é a minha liberdade de expressão” ou ainda “está na Bíblia”. O horror, o horror.

Ser homofóbico é uma opção, mas ninguém tem a obrigação de aceitar, né. É muito constrangedor ver alguém olhando feio para duas pessoas do mesmo sexo se beijando. Como eu vou explicar para os meus filhos que existe gente intolerante? O pior é que nem na escola as crianças estão a salvo. Querem ensinar nossos filhos a serem homofóbicos, imagina! Quando você percebe, já é tarde demais: uma amiga minha foi chamada pela diretora porque o filho foi pego espancando um colega no intervalo. Tudo porque o rapaz era gay. Minha amiga, coitada, não aguentou a decepção de ter um filho homofóbico. Ela diz que é só uma fase, que vai passar. Por garantia, levou o menino no psicólogo.

Acredite, homofobia tem cura. Soube de uns casos de conversão que parecem até milagre. Em um dia, a pessoa estava lá, odiando gays, militando contra o direito dos homossexuais ao casamento civil, fazendo marcha pela família e tudo o mais. Mas com um pouquinho de empatia e bom senso, eles começaram a ver que não tinham nada que se meter com a sexualidade dos outros. E como o respeito é todo-poderoso e misericordioso, os ex-homofóbicos viram que os gays eram boas pessoas e também mereciam os mesmos direitos. Hoje dão testemunho de tolerância.

Agora, tão preocupante quanto homofóbicos exibidos e sem-vergonha são aqueles que não se assumem. Aqueles que não saem do armário, que se fazem de pessoas normais e sem ódio no coração, mas que, no fundo, no fundo, também são fiscais de cu alheio. Pensa comigo: você sai com uma pessoa dessas, sem saber da opção de ignorância dela, e começam a pensar que você também é homofóbico, igual a ela. E todos sabemos que homofóbicos são abominações, ninguém quer ser confundido com um deles. Além disso, onde enfiar a cara quando eles resolverem se revelar e soltarem um “odeio viado” assim, do nada?

Mas não me leve a mal. Não tenho nada contra os homofóbicos, apenas não concordo com a homofobia. Essa doença quase sempre vem acompanhada de outros preconceitos, como o machismo e o racismo. É um caminho sem volta. Fico triste de ver tantos jovens se perdendo nesse mundão de ódio gratuito. É por essas e outras que prefiro ter um filho gay a um filho homofóbico. Ah, você quer saber se eu vou aceitar e amar um filho que virar homofóbico? Como alguém já disse por aí, eles não vão correr esse risco; vão ser muito bem educados.

- – -

Texto de autoria de Aline Valek.

Autor: Walter Carrilho

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Tá de mimimi pra cima da gente, 01?
 

Tempos mongos estes em que vivemos, torcida brasileira. Chegará o momento em que até piada em porta de banheiro renderá processo e manifesto sociológico. Celebridades estão reclamando do tratamento que recebem da mídia. E estão sendo levados a sério.

Wagner Moura escreveu reclamando do assédio do Pânico. E Luan Santana está processando um humorista por conta de uma paródia. São desdobramentos do caso Rafinha x Wanessa Camargo. Vai por mim, é só o começo. O problema é que a patrulha do bom gosto e do “Brasil mais civilizado” está aplaudindo. Quer saber o que eu acho? Vão todos catar coquinho. É simples: quer ser famoso? Aguenta a onda. Não dá para ser famoso esperando que todo mundo passe talquinho no bumbum e beije o chão.

Reclamar de humoristas, processá-los e convocar a sacrossanta justiça para se defender de piada não é só um escândalo de mimimi. É cretinice. Já disse aqui algumas vezes: as celebridades brasileiras querem ser tratadas a bolinho de fubá. Até mesmo as revistas de fofocas tratam os caras com luva de veludo. Em outros países, a imprensa marrom pega pesado e revela os podres. Aqui a imprensa marrom é, se muito, bege. Não que eu defenda esse trabalho babaca de ficar seguindo celebridade e viver de fuxico. Mas se é para pisar na jaca, que seja pra valer.

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"Não brinquem com a minha sexualidade."
 

Não vejo Pânico. E, sim, acho que muitas vezes eles extrapolam. Sim, a piada do Rafinha é ofensiva. Ok, a paródia do Luan Santana é infame (não mais do que as próprias músicas do cantor). Mas daí a processar e prender a respiração até ficar azul é outra história. Esse povo precisa deixar de ser café com leite.

Nos EUA, humoristas como Leny Bruce, George Carlin e Louis C.K. sempre barbarizaram. Ninguém afundou o páis "na barbárie". Tá tudo em paz e os humoristas tiram sarro de todo mundo. Ninguém precisa de babá. Todo mundo é adulto e vacinado. Sociedade desenvolvida tem que aguentar suas idiossincrasias humorísticas. Senão vira jardim da infância.

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"kk"
 

Prefiro o Chico Buarque, que descobriu que recebe críticas na internet e riu da coisa. Celebridade é isso. O resto é peso pena.

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Leiam esses dois posts falando sobre alguns desses casos. Um é do André Barcinski, comentando que as celebridades brasileiras se levam a sério demais. O outro é do André Forastieri, defendendo a ideia de “saiu na chuva é para se molhar”. Vale a pena ler.

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Texto de autoria do amigo jornalista boçal Walter Carrilho.

Autor: J. Noronha

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Radiografia do macho ocidental.
 

Pensando no que move homens e mulheres nessa intrigante seara dos relacionamentos, elaborei esse pequeno manual para ajudar o público feminino a lidar melhor com o sexo oposto. Para fins de praticidade, namorado ou marido, daqui por diante, será denominado "homem".

1. Amigas

Se você tem amigas bonitas, mantenha distância das mesmas quando seu homem estiver por perto e, em hipótese alguma, apresente qualquer uma delas a ele.

Mesmo que ele não demonstre a menor atenção e fique o tempo todo conferindo o Twitter no espertofone, em menos de 30 segundos já terá mentalizado as medidas e estará imaginando a mesma sem roupa.

E sim, temos a fantasia de levar você pra cama com sua amiga gostosa, sempre. Não pergunte se não tiver a intenção de colocar isso em prática ou se não for gostar da resposta.

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Até as pedras da rua sabem o que ele está pensando.

  

2. Sinceridade

Se você quer que seu homem seja sincero, não faça perguntas difíceis. Temos um mecanismo automático que está programado para mentir, dependendo da pergunta.

- Estou gorda? R: Não.

- Você achou a fulana gostosa? R: Que fulana? Não lembro quem é.

- O que você estava olhando? R: Tô pensando em comprar um carro desses, legal né?

- Você me ama? R: Sim.

 

3. Aconteceu Alguma Coisa?

Quando você, mulher, fica emburrada, perguntamos se aconteceu alguma coisa, não por que estamos preocupados, mas sim por que nossa única preocupação é se vai rolar sexo mais tarde.

Se você é do tipo que se emburra com facilidade, lembre-se de cumprir à risca o item anterior; mas, lembre-se, vemos mulheres bonitas e gostosas por aí o tempo todo…

Conte-me mais sobre como você está se sentindo hoje.

 

4. Procure Homens

Se você está solteira e à caça, tenha em mente alguns detalhes para não se decepcionar ou passar a vida toda sozinha. Homens ideais, desses que você lê em sites de encalhadas feministas, não existem ou, se existem, são gays.

Homens são superficiais, galinhas, egoístas… a lista é longa. Aprenda a lidar com isso ou case com seu melhor amigo gay.

 

5. Melhor Amigo

Homem só é amigo de mulher se ela for mais feia que bater na mãe e até isso muda depois de algumas cervejas.

Se você está sozinha e vive dizendo pro seu amigo como ele é legal, como é bacana, como gostaria de encontrar alguém como ele, fique com ele mesmo.

Estraga a amizade? Aprenda comigo: amiga de homem é mulher que ele ainda não conseguiu comer.

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Friendzone level MAIS DE 9.000!

 

6. Homens São Todos Iguais?

Sim, aprenda a conviver com isso.

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Não insista, todos os homens são bárbaros.
 

7. Casamento

Repita comigo: Nunca, em hipótese alguma, tocarei na palavra casamento.

Homens tem um mecanismo de defesa vindo dos tempos em que fugíamos dos predadores. O tempo passou, não precisamos mais ficar subindo em árvores, mas o mecanismo se adaptou e hoje dispara ao som da palavra casamento.

A mulher inteligente é pedida em casamento, já que bem no fundo homens são românticos, mas é preciso dar tempo ao tempo.

 

8. Filhos

Ver item anterior.

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Por fora ele está sorrindo, mas por dentro…

 

9. Compras

Shoppings, para homens, são lugar de comprar cuecas baratas, daquelas que vêm em pacotes com meia dúzia, ou para ver filmes de ação.

Leve seu amigo gay.

 

10. Aprenda a Recusar Convites

Nada irrita mais um homem que uma mulher cosplay de Superbonder. Se ele diz que vai tomar uma cerveja com os amigos e lhe convida, é por pura educação, ele NÃO quer que você vá junto.

Diga que não e fique na boa, lembre-se que você não vai querer o dito cujo junto quando for ouvir suas amigas reclamarem como homem não presta.

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Bonus Track

É fato conhecido até em Marte que homens não prestam atenção. Temos a concentração de uma barata e, qualquer assunto que dure mais de um minuto será substituído pelo último episódio dos Simpsons a que assistimos ou até mesmo questões fundamentais que afligem a humanidade, como por que o pão cai sempre com a manteiga para baixo.

Se a conversa em questão tiver lugar durante uma partida de futebol, caso seu homem goste, ou um filme, ou qualquer cena que envolva peitos/biquínis/todas as alternativas, essa atenção cai para zero.

Resumindo, desista de cobrar qualquer coisa que tenha sido prometida em um desses momentos, já que a resposta padrão sempre será "ahã", quando na verdade não fazemos a menor ideia de sobre o que vocês estão falando.

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Publicado originalmente no blog O Fim da Várzea.

bt-moviepopcornSeja em um domingo sombrio de chuva, seja numa tarde ensolarada de pura preguiça, ou naquele momento de relaxamento antes de dormir: poucas coisas parecem se manter tão firmes em nossa cultura quanto o hábito de assistir um bom filme. Pra não dizer que as coisas não mudaram muito, se antigamente era preciso se deslocar até uma sala de cinema hoje em dia os maiores sucessos cinematográficos da história podem se “materializar” na sua casa, à distância de um clique.

A pior sensação de todas, contudo, é quando a gente se arriscar em filmes que já não prometem muita coisa desde o título. Digo e repito: não sou especialista em cinema e muito menos daqueles que consideram a “escola iraniana” a verdadeira sétima arte. Eu curto um “enlatado” bem produzido e me contento quando um filme me diverte, ainda que não provoque profundas reflexões na minha alma. O duro é quando a gente descobre, lá pela metade da película, que a trama parece ter sido escrita por aquele seu sobrinho disléxico, com efeitos de fundo de quintal a atuações digna dos canais de televenda.

Por já ter passado por essa situação muitas vezes e pensando no glorioso bem-estar dos nossos mimadíssimos leitores, decidi listar um TOP 5 com sugestões aleatórias de bons filmes, alguns quase antigos, que você pode assistir sem medo de ser feliz (na verdade, que já deveria ter assistido!). Sem mais delongas, vamos às cinco películas:
 

5. A Colônia (Double Team, 1997)
 

A Col%C3%B4nia Dvdrip Xvid Dual Audio 1997ENREDO: Jean Claude Van Damme é um experiente contra-terrorista que acaba indo parar na “Colônia” do título, uma prisão que tem tudo para dar arrepios no pior dos marginais. Para agravar a situação, sua esposa grávida está na mira de seu arquirrival terrorista.

BÔNUS: Dennis Rodman estréia nos cinemas como um traficante de armas que salva a pele do Grande Dragão Branco.

ÔNUS: Tem um tigre no filme que atua melhor do que o Dennis Rodman.

DICA MAROTA: Com um baixinho marrento e um negão de cabelo verde na tela bancando os heróis, no mínimo sua mina vai achar você menos feio.

ASSISTIR:
Legendado

4. Um Novato na Máfia (The Freshman, 1990)
 

um-novato-na-mc3a1fiaENREDO: Matthew Ferris Broderick vive um jovem universitário que ao procurar emprego conhece um chefão da Máfia e rapidamente se envolve no mundo do crime.

BÔNUS: Marlon Brando, cara. MARLON FUCKING BRANDO está aqui!

ÔNUS: Matthew Broderick ainda não ter feito a continuação de “Curtindo A Vida Adoidado”.

DICA MAROTA: Para jovens criados a leite de pêra e Ovomaltine vale explicar que Carmino Sabatini, o personagem de Marlon Brando, é uma referência óbvia ao Don Corleone vivido pelo mesmo ator em “O Poderoso Chefão”. Quem viu o original vai rir mais desse.

ASSISTIR:
Legendado

3. Bad Boys (Bad Boys, 1995)
 

1670ENREDO: Eles são maus. Eles são durões. Eles são Will Smith e Martin Lawrence juntos em um filme de ação clássicão dos anos 90, na pele de dois policiais “barra-pesada” tentando salvar o departamento de polícia e pegar os caras maus.

BÔNUS: O primeiro sucesso de dois atores que na época só eram conhecidos pelas comédias de TV em um filme de ação que marcou época.

ÔNUS: Téa Leoni deveria ser a “bad girl” do filme, mas não vai muito bem.

DICA MAROTA: Se o pessoal gostar, lembre a todos que o filme tem uma sequência.

ASSISTIR: 
Dublado

2. Heavy Metal – Universo em Fantasia (Heavy Metal, 1981)
 

ENREDO:
O longa de animação traz uma série de pequenas histórias independentes envolvendo um elemento comum entre elas: uma energia luminosa verde e esquisita – tipo aquela coisa do filme Flubber – que concentra “Todo o Mal do Universo” e contamina tudo à sua volta como num esquema de possessão demoníaca esverdeada por osmose. 

BÔNUS:
Para quem só está acostumado com desenhos animados para adultos em traços de mangá japonês, eis uma bela pedida. Animação estilosa, com nuances psicodélicas e uma trilha sonora paulera que justifica o título.

ÔNUS:
Evite assistir na presença de crianças, idosos ou pessoas caretas.

DICA MAROTA:
Se você estiver na batalha pra arrancar a meia arrastão e a saia de couro daquela sua amiga metaleira gostosa, o convite para um filme tão rock’n’roll e tão inusitado pode te dar alguns pontos.

ASSISTIR: 
Legendado

1. Strippers Zumbis (Zombie Stroppers, 2008)

zombiestrippersENREDO: Nosso primeiro lugar só poderia ser uma “comédia de horror” trash em que, num futuro pra lá de estranho um clube de strippers é atacado por zumbis. Acho que não preciso dizer mais.

BÔNUS: Bônus? Você não leu acima? Mulheres que tiram a roupa e zumbis, quer mais o quê? O paraíso deve ser assim, no máximo com um estoque de bacon e cerveja.

ÔNUS: Não é exatamente afrodisíaco ver gatas como zumbis, mas vai que…

DICA MAROTA: Jenna Jameson e outras atrizes do filme tem longa história no cinema pornô. Dê um search no elenco e você terá entretenimento individual para uma década!

ASSISTIR:
Dublado
 

Bom, está dado o recado. Se você ainda não assistiu algum dos filmes acima, aproveite as nossas dicas que é certeza de sucesso!

Estes cinco filmes e muito mais estão disponíveis gratuitamente (e legalmente) no site:
www.crackle.com.br

CRACKLE

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Queria muito ver as listas com as recomendações cinéfilas dos amigos especialistas Inagaki, Não Salvo, Luide, Castrezana e Bobagento.

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Apesar de ter certeza que os maias têm tanta autoridade sobre o destino da civilização quanto o profeta Nostradamus (ou a vidente Mãe Dinah), o que há entre o céu e a terra talvez não seja suficiente para explicar estes primeiros dias de 2012. Se o apocalipse não estiver às portas, ainda sou obrigado a suspeitar que as trombetas não estejam sendo tocadas à toa.

O ano começou com as enxurradas e enchences características do verão brasileiro, acompanhadas de um tsunami de assuntos em generalizado debate, como se o mundo simplesmente tivesse decidido fervilhar de fatos aleatórios, em diferentes níveis de relevância, disputando a atenção da humanidade. Ou, é claro, pode ser simplesmente que tudo esteja como sempre esteve, em seu lugar, e a nossa percepção dos acontecimentos e suas repercussões é que tenha mudado, definitivamente.

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Um exemplo escandaloso do que quero dizer é o fenômeno (Ronaldo?) Michel Teló e sua Anna Júlia sertaneja-universitária. Nossa, nossa… Quão mais fácil não é “virar meme” do que os antigos “fazer sucesso” ou “ter seu talento reconhecido”? Pra repercurtir nos dias de hoje, como diria o amigo Fausto (que não por acaso também é Silva), mais do que nunca, não é preciso ser erudito ou sequer contemplar qualquer complexidade. O tosco, o bizarro, o trivialmente interessante e o incompreensível, seguem sendo igualmente divertidos, só que agora eles podem estar sob os holofotes – da nova mídia, mas dali pra antiga em matérias sobre “o poder da internet” infestando os noticiários, e vice-versa, como um mamão, num ciclo contínuo.

Quando no passado outras músicas idiotas estouravam nas rádios e chegavam aos programas vespertinos havia todo tipo de comentários engraçadinhos, observações impertinentes, paródias e versões esdrúxulas, mas distribuídos isoladamentes em grupos desconexos. Hoje, com o grande chat coletivo que virou a web mundial, todo mundo sabe, por exemplo, que a piada do pavê é um ícone da infâmia em família. Daí, mencionar a piada do pavê como uma chatice é que virou a piada (já igualmente manjada, diga-se).

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A isto costumávamos dar o nome de “piada interna”. Algo inusitado que aconteceu num grupo, numa festa, sala de aula, excursão, etc., e que depois é mencionado de forma recorrente em diversas situações, trazendo à baila as lembranças hilariantes do fato que lhe dá contexto e graça. A única diferença é que no universo multimídia contemporâneo qualquer história dessas pode ser muito melhor contada através de um post em um blog, um vídeo no YouTube ou alguns links e piadinhas no Twitter e Facebook. De acordo com a carga emocional e os valores compreendidos no assunto, estabelece-se a polêmica, mãe da evolução do conhecimento.

E quando algo tão aparentemente frívolo e ignóbil quanto um ruído de comunicação numa propaganda provinciana (ou uns amassos embriagados em rede nacional) ganha o centro das atenções da pseudo-intelectualidade de todos nós, logo surgem os heróis da resistência reacionária, alardeando o apocalipse da inteligência e do bom senso.

“Boa noite! Assista agora o Programa do Ratinho”
 

Infelizmente não está óbvio para todo mundo que o “fenômeno” aqui não é uma garota chamada Luiza que está no Canadá, mas a evocação de uma petulância característica das aspirações pretensiosamente aristocráticas da classe-média brasileira. E, claro, a vastidão de reações que um pequeno detalhe como este pode ocasionar, se jogado no ventilador das redes sociais.

Pessoas que não conseguem entender “como uma coisa tão idiota pode virar mania nacional” são as mesmas que insistem em esmurrar o faqueiro das modernidades, quase sempre acreditando que “algo deve ser feito para frear o caos”. Nos Estados Unidos, agora todos já sabem, este “freio” recebeu o nome Stop Online Piracy Act e foi rechaçado categoricamente pela comunidade online por contemplar dispositivos que possibilitariam o controle subjetivo da comunicação na internet.

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Sopa

O mundo está mudando sob o ritmo cada vez mais alucinante dos novos processadores de informação, desencadeando a repercussão de múltiplos elementos inusitados da nossa cultura. Valorizar o que é essencialmente positivo e cuidar para que as propriedades imateriais não sejam lesadas são desafios destes novos tempos.

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Só não me venham convocar a legião de macacos a voltar para a caverna.

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O Luide ainda vai ter um treco.

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Se você está aí tranquilo achando que todas as coisas permanecerão em seus devidos lugares, fique alerta! Forças políticas estão conspirando para apunhalar a sociedade pelas costas e autorizar legalmente essa pouca vergonha de casamento gay.

Veja por que NÃO podemos jamais permitir esta loucura dos nossos legisladores:

1. Ser gay não é natural. Brasileiros de verdade sempre rejeitam as coisas artificiais, como lentes de contato, poliéster e ar condicionado.

2. O casamento gay vai encorajar pessoas a serem gays, da mesma forma que sair com pessoas altas vai fazer você ficar mais alto.

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3. Legalizar o casamento gay vai abrir um precedente pra todo o tipo de comportamento maluco. As pessoas podem até querer casar com seus bichos de estimação.

4. O casamento hetero esteve aí este tempo todo e nunca mudou: mulheres continuam sendo propriedade dos homens, negros não podem casar com brancos e o divórcio continua ilegal.

5. O casamento hetero perderia o sentido se o casamento gay fosse permitido. O sacramento do casamento só de zoação de 55 horas da Britney Spears seria destruído.

6. Casamentos heteros são válidos porque produzem crianças. Casais gays, pessoas inférteis e pessoas velhas não devem ter o casamento permitido, porque nossos orfanatos não estão cheios o suficiente, e o mundo precisa de mais crianças.

7. Obviamente pais gays só criam filhos gays, assim como casais heteros só criam filhos heteros.

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8. O casamento gay não tem o apoio dos religiosos. Numa teocracia que nós vivemos, os valores de uma única religião têm que ser impostos sobre todas as pessoas do país inteiro. É por isso que temos apenas uma religião no Brasil.

9. Crianças nunca podem ter sucesso sem o papel de um modelo de homem e mulher em casa. É por isso que na nossa sociedade é estritamente proibido pais ou mães solteiros criarem crianças sozinhas.

10. O casamento gay vai mudar os fundamentos da sociedade; nós nunca poderemos nos adaptar a novas normas sociais. Assim como nós não nos adaptamos aos carros, ao terceiro setor, vidas mais longas e a internet.

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Autor: Delucca Martinez (link para o artigo original)