Tudo bem que todo mundo é um pouco chato de vez em quando. A chatice é algo intrínseco à nossa humilhante condição humana. Tem um tanto a ver com alterações de humor e outro com a falta de perceção sobre a inconveniência de nossos atos.
Eu mesmo, quando me empolgo demais fico insuportável. Há quem encha o saco quando está bêbado, ou chapado. Há quem insista em argumentar no meio de discussões tolas para fazer prevalecer seu ponto de vista, especialmente quando o assunto envolve valores morais, religiosidade, futebol ou um entrave interminável sobre o ator que faz o protagonista de Alpha Dog (eu disse “ator”, não o Justin Timberlake, ok?).
O problema é que tem gente que vive nesse estado de pentelhação 24 horas por dia. Fala e faz coisas com um aparente propósito de ser o mais inconveniente possível. São malas sem-alça tão desagradáveis que conquistam notoriedade entre os amigos. Vai dizer que você não conhece alguém cujo nome seja sinônimo de “chato” nas piadas internas da sua galera?
Meu conselho pra 2008 fica aí: pare e reflita muito sinceramente se você também sofre de malária. Em caso de diagnóstico positivo, não se desespere. A vida é uma folha em branco pra você escrever o que bem entender. Se o seu texto ficou ruim até o presente momento, trate de recomeçar do zero e preencha as próximas páginas com mais cautela.
E se nem mesmo um post claro e objetivo (e chato) como este é capaz de fazer você se mancar, faça a todos nós um grande favor: vá tomar no cu.

Além da Usura, outro mal terrível que acomete alguns publicadores (sejam jornalistas ou blogueiros) é o SEnsacionalismO. Em letras garrafais.
O sensacionalismo é o vício editorial que move o mercado em – quase – todas as mídias. Funciona assim: o publicador encontra um conteúdo bacana em uma determinada fonte e cria uma manchete escandalosa para chamar ainda mais atenção que a versão original da notícia.

Com sensacionalismo, qualquer relato ganha pinta de flagrante.
A publicação mais representativa da prática sensacionalista de todos os tempos é o famoso tablóide inglês The Sun. Mas pra entender o que é sensacionalismo de uma forma simples, ligeira e nacional, basta dirigir-se à banca mais próxima com apenas um real na carteira. Compre o que o dinheiro der e leia a chamada das notícias de capa:

Dinheiro, mulher, famosos e tragédia: precisa de mais o quê?
Na internet, o sensacionalismo não é uma mera questão de linguagem e comunicação. É uma questão de linguagem, comunicação, e principalmente de posicionamento. O título de um post é a “manchete” daquele conteúdo e como tal, supostamente contém a idéia central de que trata a matéria.
Se eu quero ver “fotos da Samambaia nua, pelada e sem calcinha“, nada mais lógico do que procurar por manchetes que contenham essas tags.
É assim que o Google enxerga cada página dessa internet sem porteira. Ele e os demais sites de busca alimentam a prática sensacionalista, fazendo com que certos publicadores cibernéticos optem por chamadas aberrantes e temas popularescos. São estes os autores de blogs que, se fossem impressos em papel (existe jornalog?), seriam vendidos por R$ 0,50 ou menos. A publicidade veiculada pagaria a totalidade – ou quase – dos custos de produção.

O TRETA de papel seria útil para a leitura sanitária.
Um jornalog é algo que eu gostaria muito de ver. Mas só por curiosidade mórbida mesmo. Imagino que as versões impressas do Sr. Hype, Uhull e do próprio Blog do Cardoso, por exemplo, trariam cabeçalhos otimizados em letras garrafais com tamanhos variando de acordo com a importância do termo, da mesma forma que uma nuvem de tags.
Outra coisa desagradável na hipótese dos jornalogs seriam os anúncios relevantes em cores e posições estratégicamente embutidas para confundir o leitor. Queria ver o Adsense contabilizar quantas pessoas colocaram o dedo sobre um link patrocinado impresso no papel.
Enfim, toda essa digressão foi pra tentar estabelecer um paralelo entre as táticas comerciais implementadas nas duas mídias. Pra refletir que a MENSAGEM é uma categoria mais “categórica” que o MEIO EMPREGADO.
E pra concluir que a picaretagem de resultados pode habitar qualquer tipo de tablóide, seja ele impresso ou virtual.

O sensacionalismo transforma qualquer bobagem num hype.
O mais importante, em todas as mídias e todas as circunstâncias, é prezar pela propriedade de um cérebro e saber perceber o contexto em que cada mensagem está envolvida. Diferenciar o joio do trigo é o segredo pra você deixar de ser um pato recorrente de estratagemas patifes e aprender a se divertir com as piadas involuntárias.
Um cérebro e seu uso adequado podem te dar “superpoderes” para escapar imune às artimanhas sensacionalis
tas. Com um pouquinho de senso crítico, razoabilidade e malícia, qualquer um é capaz de identificar uma matéria financiada por patrocinadores subliminares, um post pago, uma manchete capisciosa ou um viral forçado. É só deixar o alerta ligado.
O Cocadaboa é um exemplo clássico de picaretagem. Com seu noticiário absurdo, mesclando notícias verdadeiras e inventadas, o site colecionou vítimas de seus boatos e seu autor, o carioca Mr. Manson entrou pra história da imprensa brasileira como o “Rei do Hoax“.

O Cocadaboa apronta desde os primórdios até hoje em dia.
No final das contas, tudo é culpa do sensacionalismo. Quando reportado com o tom e a empolgação adequados, seja mentira ou verdade, qualquer informação parece ser incrivelmente crível.
Não se irrite com as manchetes sensacionalistas e os títulos oportunistas. Ainda que perversos e sorrateiros, na maioria das vezes são eles que nos conduzem a descobrir o que, de fato, é SENSACIONAL.
Paz do Senhor!
ATENÇÃO, leitora: este é um post escrito exclusivamente para os internautas do sexo masculino. Conversa de homem. Clique ali em cima na setinha ao lado do título para ocultar esta postagem e vá ler o resto do blog. Ou se preferir ocupe-se indo buscar uma cerveja gelada para o macho mais próximo.
Não está convencida a desistir de ler? Imaginei. Sabendo que a curiosidade feminina é algo que transcende as barreiras do socialmente recomendado, trato de avisar às mocinhas insistentes que:
a) o enfoque dos assuntos a serem abordados abaixo é completamente desinteressante para a maioria absoluta das mulheres;
b) existe a possibilidade de você se identificar com alguma das situações descritas, e pretender usar o debate como um subterfúgio para discutir a relação com o seu namorado, irritando-o e fazendo-o te dar um pé na bunda;
c) iremos ilustrar nosso texto com algumas imagens cuja essência artística só é compreensível ao processo cognitivo/sináptico do cérebro masculino – aquele que tem 4 bilhões de neurônios a mais (comprovado cientificamente).
Por exemplo:

Observem a complexidade sinestésica da figura! Atentem para a vibração das cores!
Bom, acredito que a essa altura eu esteja escrevendo somente para leitores com cromossomo “Y”. Ainda que a companhia das moças seja aprazível em quase todas as circunstâncias, vamos mantê-las fora dessa conversa para não ser desejável o uso inconsentido da mordaça.
Na verdade, o que acontece é que nós iremos promover aqui a PORNOGRAFIA CONSCIENTE, e pornografia não é algo para ser debatido com mulheres. O ideal, nesses casos, é mantê-las com a boca ocupada.
Não, não vamos fazer campanha contra a pedofilia, ou a zoofilia, ou qualquer aberração similar que infelizmente contaminam algumas páginas subterrâneas dessa internet de meu Deus. Também não falaremos sobre a questão da L.E.R., Lesão por Esforço Repetitivo, sobre a importância de acompanhamento médico e fisioterapêutico, ou qualquer outro assunto que venha a fomentar o velho debate sobre a punheta com responsabilidade social. São todos temas ultrapassados.
O ponto principal de hoje é sobre a propaganda enganosa. Especificamente sobre a irresponsabilidade de sites tidos como “meros estabelecimentos virtuais de lazer masculino” ao publicarem centenas de milhares de fotos de mulheres em poses sensuais e provocantes sem a devida advertência dos males intrínsecos ao produto ou de seus defeitos de fabricação. Um absudo:

Tudo que é embriagante quase sempre provoca ressaca
Trata-se de mera questão de coerência: se à publicidade de cigarros e bebidas é imposto algum tipo de advertência, como “FAZ MAL À SAÚDE” ou “APRECIE COM MODERAÇÃO”, entendemos por certo que a exibição de figuras ilustrativas que favoreçam o produto feminino – em especial na pornografia – deveria vir acompanhada de uma visível mensagem de admoestação, como abaixo:

Propaganda governamental embutida na veiculação de pornografia
Trata-se de mera questão de coerência e consciência. Tal e qual os avisos em cigarros que nos chamam atenção aos indiscutíveis malefícios do fumo, poderíamos ser alertados sobre os malefícios eventuais das mulheres.
Ainda que desagradável, ser lembrado dos indesejados acessórios de fábrica femininos é sempre útil para escapar de uma roubada. Especialmente uma roubada que acontece todo mês: a TPM.
Como o título deste artigo subliminarmente anuncia, este é um texto sobre a famigerada TPM, a tal “tensão pré-menstrual” que nós também conhecemos como “Temporada Psicótica Mensal” ou “Tenta Pondo Mordaça”. Aqueles malditos dias vermelhos do ciclo fecúndeo das fêmeas em que estas se tornam criaturas vis, histéricas e absolutamente paranóicas.

Não acompanha manual de instruções
A TPM é um conjunto de sintomas físicos e comportamentais que ocorrem na segunda metade do ciclo menstrual, uma desordem neuropsicoendócrina com sintomas que afetam a mulher na esfera biológica, psicológica e social – e por “esfera social”, trate de entender, inclusive, o aspecto sexual. É uma verdadeira avalanche hormonal que irá transformar mensalemente a sua meiga princesa encantada em uma malévola megera desvairada.
Pode-se identificar um espécime feminino atravessando tal período maligno quando você se vê obrigado a limitar suas respostas em monossílabos vagos e imprecisos durante qualquer tipo de diálogo estabelecido, para evitar deturpações interpretativas no seu discurso e garantir um leque variado de saídas argumentativas ao tentar escapar das investidas psicóticas da patroa.

Se com uma já dá tanto trabalho, imagine encarar uma TPM à tróis
Resumindo: é um saco. Você convida a fémme fatale pra uma private num motel inexperimentado e acaba tendo que se explicar sobre a recepcionista saber o seu nome – e a sua suíte preferida. E esta ainda é a parte mais amena das reações fisiológicas à iminência da menstruação.
Insuportável mesmo é quando ela resolve se auto-conceder poderes de veto sobre a sua lista de amigos que virão assistir ao jogo do Flamengo na cervejada de domingo à tarde. Geralmente só passam na peneira os respectivos acompanhantes das amigas dela. E você não pode em hipótese alguma contrariar as decisões tirânicas da imperatriz. Não durante a TPM.

Penetrar no universo feminino pode ser eletrizante
É por essas e outras que o TRETA defende a pornografia socialmente responsável. Chega de iludir os ingênuos adolescentes onanistas com a insinuação de que as mulheres são todas gostosas, ninfomaníacas e estão sempre prontas para atender às suas fantasias sexuais.
Mulheres são, sim, criaturas maravilhosas – desde que não estejam naqueles dias. São flores perfumadas nos jardins de nossas vidas, que nos encantam diariamente com a sua delicadeza, seu perfume, sua sensualidade e até mesmo com sua incapacidade de abrir um pote de palmito em conserva. Algumas são ainda mais encantadoras e apaixonantes, como as órfãs e as mudas, mas todas têm em comum a maldição sangrenta da TPM.
Portanto, nada de fotografias imprudentes contendo (SR. HYPE MODE: ON) ninfetas gostosas peladas, nuas, sem roupa e sem-calcinha em poses provocantes e sensuais (SR. HYPE MODE: OFF). Todos temos de colaborar com a formação dos jovem adeptos a fazer justiça com as próprias mãos, especialmente no que diz respeito a ensiná-los que as mulheres de carne e osso podem ser elementos de alta periculosidade.

Tome sempre muito cuidado com as farpas de uma mulher em TPM
Vamos enviar uma proposta de emenda constitucional ao Congresso que estabeleça algum tipo de advertência obrigatória à exibição de pornografia, mencionando não só a questão da TPM, mas também alertando sobre a provável existência de sogros, cunhados, histórico sexual e inaptidão para estacionamento. A indústria da pornografia possivelmente irá se articular para impedir a vitória do dispositivo normativo, mas esperamos conseguir fazer com que a comoção nacional por transparência e ética supere os torpes interesses econômicos burgueses.
Sonho que se sonha junto é realidade! Quem sabe um dia então consigamos fazer passar a lei que proíbe de vez a Tensão Pré-Menstrual, sob qualquer alegação. Esta causa também é sua! Vamos à luta!
Ou então passe o resto dos seus 28 dias explicando pra patroa que você não quis dizer aquilo com o intuito de magoá-la…
O Blog Action Day (em tradução livre: “Dia da Ação dos Blogs”) foi mais uma campanha inspirada no mundialmente divulgado EMO DAY. O problema é que o combinado desta vez era participar no dia 15/10, vulgo “ontem” – para vocês que já dormiram na segunda e acordaram na terça.
Pra não dizerem que o TRETA não seria cara-de-pau o suficiente para participar de um meme com prazo de validade vencido:
Peder prazo faz parte do ofício blogueiro humano. Coisas da profissão. Mas a causa é nobilíssima, ainda que um tanto batida: o meio ambiente.
É sempre meio constrangedor tocar nesse assunto, mas sou daqueles que realmente acreditam que pequenas decisões dentro do meu dia podem fazer a diferença. Na verdade “fazer a diferença” nem é o que realmente importa. Importa fazer o que é certo. Importa fazer as coisas sempre do modo que você acha que seria ideal se todos também fizessem.
Desligar uma lâmpada acesa à toa, jogar a porra do lixo dentro de uma lixeira, não fumar em ambientes fechados, tratar todas as pessoas com respeito e gentileza, denunciar todo e qualquer preconceito (inclusive os seus próprios), fazer um link de referência para um colega de profissão… São coisas que você deve fazer sem se preocupar se aquela atitude isolada vai reverter ou influir nos erros do mundo. São coisas que você deve fazer porque você sabe que se todos fizessem o mesmo viveríamos num mundo absolutamente melhor.
Isso se você acredita que pode haver um mundo melhor. Eu acredito. E numa internet mais recíproca. A despeito de qualquer crítica a qualquer pessoa, penso que a responsabilidade por essas coisas não é daqueles poucos que não conseguem enxergar o óbvio, mas daqueles que vêem o certo, sabem o que é o certo e ainda assim se permitem fazer o errado por desleixo.
A responsabilidade é minha mesmo. E sua também. Fazer um mundo melhor e mais recíproco em todos os aspectos é responsabilidade de cada um. Do escritor e do leitor, do traficante e do usuário, do capitão do BOPE e do apresentador de televisão mauricinho, do diretor de cinema e do vendedor de DVDs piratas.
Cada um sabe como transformar a realidade que os cerca. Eu tento fazer a minha parte a cada dia. Ainda que às vezes eu perca um prazo.
Paz do Senhor!
(Autor convidado: Walter Carrilho)
Djavan é o cara responsável por versos como “Açaí, guardiã, zum de besouro, um imã”, que geram dezenas de monografias em cursos de letras e algumas câimbras no meu duodeno. Pois ele está de disco novo: “Matizes”. E para homenagear esse “poeta”, escrevi este texto em djavanês.
Cacatua, sol da manhã, um suco de maçã. Neste novo disco, Djavan, este filho do luar, revoada de pombos, araçá, Zimbabwe, inovou. Na canção “Imposto”, ele mostrou o seu lado indignado e engajado, parangolê, maracujá, nuvem no céu, em uma crítica à carga tributária:
“IPVA, IPTU / CPMF forever / É tanto imposto / Que eu já nem sei!. (…) Eles nem tchum”
O “nem tchum” é, obviamente, fruto de alguma influência parnasiana. Bumba meu boi, meu rei, meu oi. No próximo disco ele promete musicar uma medida provisória, ou fazer uma crítica à cotação do dólar. Seu olho, repolho, alegria de ser. Deputados, intelectuais e economistas não convencem o governo. Mas nada mais assustador do que um músico de MPB revoltado. Se eu fosse ministro, abolia o ICMS. Só de medo.
O mais legal em Djavan, esse iansã, calor, grão de areia no ar, é que ele anima qualquer imbecil a ser compositor. Vejam o meu caso: musiquei a minha lista de compras. Ficou assim:
“Arroz, ovo e canela / Mate-leão / tomate, berinjela / sal e um monte de pão”
Estou pensando em chamar essa música de “Carrefour”. Flor no orvalho, lamour, sabor de mel. Acho que vai bombar.
Walter Carrilho é jornalista, boçal, e poeta.
Onde a macheza abunda, a homoafetividade enruste. Vocês já pararam pra reparar que os esportes tidos como másculos invariavelmente envolvem ardentes confrontamentos físicos entre machos musculosos e suados?
Vejamos as lutas com combates no solo, como o jiu-jitsu. Os manuais de imobilização no tatame bem poderiam ser lançados como uma versão gay power do Kama Sutra. Não seria necessário nem muita criatividade pra entitular a obra: poderíamos chamar simplesmente de “Vale Tudo”, ou no máximo “Vale Tudo (Mesmo)”.
O boxe é outro exemplo clássico do paradoxo da masculinidade no esporte. Quando o macho – cascudo e porrador – não aguenta a pressão, ele pode se valer do famoso clinch, aquele abraço maroto cheio de volúpia entre os lutadores, para se manter longe dos golpes do adversário – ou para se manter perto do seu verdadeiro “eu”.
E tudo isso foi só pra dizer que não há nada mais compreensível que as fotos íntimas e comprometedoras do boxeador americano Oscar De La Hoya vestido de mulher que vazaram na internet. Por trás (hummm…) de todo homem durão há sempre um homem sensível e delicado procurando descobrir a verdadeira essência da sua sexualidade.
Faltam exatamente 56 minutos para 24 de setembro, o EMO DAY.
Particularmente, o TRETA é favorável à replicação indiscriminada de conteúdo. Acreditamos que quanto mais um determinado assunto é reproduzido em outros sites e blogs, maior é sua repercussão, e isso é sempre bom.
O símbolo invertido do Copyleft lá no rodapé do blog deixa bem claro nossa posição. Gostamos e incentivamos a livre reprodução de nossos textos, imagens e idéias, inclusive damos prévia autorização para alterações e adaptações de qualquer natureza em nossa “obra”.
Acredito que não seja nem necessário dizer que um link de referência à fonte é sempre de bom grado. Questão elementar de bom senso e a dignidade. O grande problema é que nem todo mundo pensa assim. Tem gente que realmente acha que internet é território sem lei e manda um Ctrl+C / Ctrl+V em qualquer artigo que encontra por aí, apropriando-se dos créditos da autoria como um senador apropria-se de verbas públicas. Coisa de gente sem vida sexual.
Quando fizemos o Super Trunfo Blogs, foi necessário punir duas das cartas mais poderosas do baralho (Kibe Loco e Acidez Mental) em atenção ao ressentimento acumulado de toda blogosfera com relação a esse tipo de comportamento anti-desportivo – que, infelizmente, não é raro no ofício blogueiro.
O último que aprontou uma dessas foi o sujeito abaixo:
Luiz Pilantrieri é colunista do Alagoas 24 Horas e, pra incrementar ainda mais a fama anti-ética das práticas locais, publicou como se fosse seu um texto original do nosso estimado cúmplice Armando, do Blog do Solteirão.
A Confraria Secreta de Blogueiros Capixabas já se reportou ao Google sobre o plágio. Esperamos pelo menos secar o cofrinho do malandrão, que usa e abusa do ADSENSE pra monetizar seus (?) artigos.
Além do Armando, recentemente o Inexistent Man também foi alvo de plágio. Um espertalhão preguiçoso chupou o layout do cara e agora tá rolando uma campanha pra aloprar o sujeito no Orkut. Tá dentro?
ATUALIZAÇÃO:
Aos espertos que estão falando merda no box de comentários sobre o texto do Armando ter sido publicado na Revista Papo de Homem: entrem lá e tenham ao menos o trabalho de ler o nome do autor.
Parafraseando a lagartixa desdentada mais famosa do Brasil, temos de reconhecer que a produção cultural pop do começo dos anos 90 é responsável pela gama de valores que norteia a maioria dos novos adultos contemporâneos.
Com nenhuma pretensão de querer lançar um novo meme, resolvi fazer um glorioso TOP 5 (lê-se “tópi fáive”) dos discos mais importantes da minha pré-adolescência, por volta dos 10-12 anos, lá entre a primeira punheta e o primeiro porre de licor de pêssego. Pelo seu valor musical, cultural, intelectual ou meramente bestial, foram obras que rolaram em REPEAT MODE: ON no meu primeiro aparelho de som e, definitivamente, tiveram total relevância na construção da minha personalidade.
Sem mais delongas, vamos a eles:
1. “Gabriel O Pensador” – Gabriel O Pensador (1993)
O primeiro disco do Pensador foi também o meu primeiro disco de verdade – se ignorarmos a coleção de LP’s da Xuxa que eu sempre ganhava de presente na infância. Na época em que começavam a nascer os primeiros pêlos do meu corpo, um encarte com letras recheadas de palavrões e frases fodonas de protesto contra o “sistema” foi um verdadeiro marco. Decorei todas as letras. E concordo com elas até hoje.
2. “Rap Brasil” – Vários (1995)
O primeiro disco de funk carioca que realmente estourou nas paradas de sucesso veio parar nas minhas mãos já na forma de Compact Disc. As construções musicais eram uma merda, e eu já sabia disso desde então. Mas era diferente, irreverente, e todos os adultos odiavam: ou seja, era legal. Sem falar que o batidão do pancadão até hoje toma conta das festinhas menos criteriosas – e mais etilicamente generosas.
3. “Mamonas Assassinas” – Mamonas Assassinas (1995)
Dispensa comentários. Meu primeiro contato com os Mamonas foi na primeira excursão de colégio da minha vida. Com parcos 11 anos, eu era o caçula de uma galera bem mais velha que ia se apresentar numa mostra cultural em Minas Gerais. Na viagem inteira, só rolaram hits do grupo. Excesso de putaria, de palavrões e de outras referências rebeldes. Perfeito.
4. “É o Tchan!” – Gera Samba (1995)
Conheci Salvador – e cinco primas de segundo grau – nas férias de 1996. Entre passeios turísticos e toneladas de acarajé, fiquei encantado com a magia contagiante dos ritmos tropicais soteropolitanos. Uma das minhas primas sacramentou o fim da minha inocência quando me ensinou a coreografia da música de trabalho do novo fenômeno do axé music. E desde esse dia eu nunca mais saí de casa sem cueca.
5. “Usuário” – Planet Hemp (1995)
Eu estava na 6ª série quando meu pai me deu o álbum de lançamento do Planet Hemp de presente. A idéia era me mostrar que legalidade não era sinônimo de verdade. Mais do que isso, eu descobri o verdadeiro valor da liberdade de expressão – e do raprocknrollpsicodeliahardcoreragga. Fui pra diretoria, certa vez, simplesmente por estar portando o CD em sala de aula. Foi a primeira vez que eu entendi o significado do termo “Porcos Fardados”.
Então é isso. Quem quiser se manifestar sobre os discos que fizeram a sua cabeça no despontar de sua existência, fique à vontade. A idéia não é das mais originais, mas a viagem nostálgica é um barato.
Quando Bill Gaytes criou o Microsoft PowerPoint, software para criação de apresentações gráficas, certamente não tinha em mente que seu programa seria um dos maiores vilões da era cibernética. Hoje o PowerPoint é utilizado por seres inescrupulosos e sem vida sexual para a criação e disseminação de apresentações escrotas e sem sentido que fazem lotar nossas caixas de e-mail e tomam um percentual significativo do tempo de pessoas de bem.
O TRETA entra em campo, aproveitando seu estrondoso e repentino índice de audiência, para lançar uma campanha de utilidade pública: “Diga NÃO ao PowerPoint!”
Vamos dar um basta nesses e-mails que trazem anexas apresentações imbecis com musiquinhas irritantes e efeitos que só agradam mongolóides! Chega de mensagens piegas e correntes mentirosas!!
Conheça 10 bons motivos para aderir à nossa campanha e varrer essa praga do mapa:
1. 99,89% dos e-mails com apresentações de PowerPoint veiculam mensagens inúteis que poderiam ser veiculadas via texto normal e facilmente barradas por filtros anti-spam.
2. Para computadores mais antigos e conexões mais lentas, baixar arquivos PPS é realmente um transtorno.
3. As musiquinhas inseridas nas apresentações geralmente são arquivos MIDI ou loops mal-recortados de mp3 extremamente irritantes e desaconselháveis por consultores de saúde auditiva e mental.
4. Os efeitos demoram tanto para carregar que todo mundo fica clicando várias vezes na apresentação para abrir logo a porcaria dos textos.
5. 78,5% das mensagens veiculadas nesse tipo de arquivo são lições de vida ridículas ou de cunho religioso. Nós vivemos num estado laico e não somos obrigados a receber doutrinas imbecis por e-mail.
6. 98,57% das piadas veiculadas via PPS você já conhece e não tem nenhuma graça. 1,43% das piadas veiculadas via PPS você não conhece, mas não tem nenhuma graça.
7. O uso do PowerPoint é recomendado para apresentações acadêmicas e científicas. No entanto a maioria absoluta das mensagens que rodam pelas caixas postais foram criadas por amebas que não chegaram a completar a terceira série primária.
8. Qualquer criança de 6 anos consegue fazer uma apresentação em PowerPoint. Ainda assim as apresentações que vemos parecem ter sido feitas por crianças de 3 anos.
9. O PowerPoint é um software da Microsoft e seu uso só faz aumentar a fortuna de tio Bill Gaytes.
10. O uso prolongado de apresentações em PowerPoint causa câncer.
Então é isso, macacada! Se você não se convenceu do quão prejudiciais são os arquivos com extensão PPS, permaneça nas trevas. A semente foi plantada. Esperamos adesão em massa. O Greenpeace, inclusive já se manifestou simpático à nossa causa.
Envie seu depoimento ou sua opinião sobre esse mal da vida contemporânia pra gente. Ficaremos felizes em compartilhar sua dramática história. Mas peloamordedeus, não nos mande em PowerPoint!
(Originalmente publicado em 07/03/2006)
Fomos convidados pelo capixaba Armando, do Blog do Solteirão, a participar de um meme. A princípio a idéia pareceu meio estranha, principalmente pelo fato de que nós não fazíamos a mínima idéia do que fosse um meme. Santa Wikipédia.
Apesar de toda a complexidade conceitual do termo, no caso um meme viria a ser tão somente um tema em comum a ser discutido em diferentes blogs. E a bola levantada foi: “As 5 invenções mais importantes”. Partindo daí, cada blogueiro faria o seu top 5 (pronuncia-se “tópi-fáive”) segundo os critérios que bem entendesse. O Armando, por exemplo, falou das invenções mais relevantes na vida de quem mora sozinho.
Como o TRETA não pode ver uma micareta que já vai vestindo o abadá, entramos na onda e trazemos abaixo As Cinco Invenções Mais Importantes do Universo em Todos os Tempos na Perspectiva do TRETA. Nossa falta de critério foi estabelecer quais seriam as invenções mais importantes e revolucionárias na vida de um autêntico seguidor da filosofia TRETA de vida, sem cair em velhos chavões, como o clipe de papel e a vodca ABSOLUT™, que afinal de contas são invenções hours concours (pronuncia-se “ó com o cú”).
Sem mais delongas, eis nossa lista:
5º lugar: Massageador de Cabeça
O massageador de cabeça, também conhecido pela alcunha de orgasmotron, é um utensílio indispensável para a vida-mansa moderna. Verdadeira revolução no ramo da auto-fisioterapia, podemos dizer que o orgasmotron está para a massagem tailandesa assim como a masturbação está para o sexo. A vantagem é que o orgasmotron não é exclusivo para o uso individual e egoísta, sendo também muito recomendado para a massagem tailandesa a dois. E para o sexo.
Dica: Experimente levar um para a próxima rave.
Como conseguir um: À venda por míseros 10 beréus no Mundo Verde.

4º lugar: Dichavador
O dichavador, também conhecido como desbelotador, triturador, pokebola, ou simplesmente bolinha, é um prático utensílio doméstico que tem por função, digamos… agilizar o processo. Espécie de “socador-de-alho rastafari”, o desbelotador é uma mão na roda para não-simpatizantes a trabalhos manuais e preguiçosos em geral. Ideal para utilização em conjunto com a técnica do cartão, que infelizmente não conseguiu entrar para o nosso top 5 porque ficou em sexto lugar.
Dica: Desconhecido dos mais distraídos, a bolinha possui um malemolente compartimento secreto para guardar orégano.
Como conseguir um: À venda por 20 beréus na Revistaria e Tabacaria Cultural XYZ do shopping mais próximo. Ou pela internet.

3º lugar: Caixa de Som
A caixa de som é provavelmente um dos itens mais óbvios desta lista, mas ainda assim não poderia ficar de fora. Basicamente, a caixa de som se faz necessária em todo e qualquer evento festivo, de um simples aniversário de criança a um mega-festival de música eletrônica. Imaginem quão desconfortável seria o mundo moderno sem essa maravilhosa invenção. Somente pessoas de alto poder aquisitivo poderiam se dar ao luxo de ouvir música em casa, contratando músicos residentes para levar aquele som na sala de estar durante o dia. Ou, ainda, pensem no trabalho que daria sincronizar os iPods e mp3 players de todas as pessoas que fossem a uma boate, rave ou micareta, sem o som uniforme e auto-falante dos auto-falantes.
Dica: Jamais tente entrar numa caixa de som numa rave sem estar calçando um par de chinelos com o solado de borracha apropriado.
Como conseguir uma: À venda por muitos reais nas melhores lojas do ramo.

2º lugar: Benjamin
O benjamin (ou benjamim), vulgarmente conhecido como “T“, é o ícone maior da gambiarra lifestyle brasileira. Simples e genial, o pequeno utensílio tem por objetivo permitir a passagem de corrente elétrica através de três tomadas no espaço em que oficialmente deveria caber apenas uma. Os puritanos certamente irão esbravejar que o uso do benjamin pode prejudicar a vida útil de instalações e aparelhos elétricos, mas o que está em questão aqui é o milagre da multiplicação que o magnífico objeto proporciona. Democracia fácil e sem chorumelas na forma singela de plástico e metal. E, numa análise ainda mais profunda, pode-se dizer que o benjamin é a versão 3D da logomarca do TRETA. Mais web 2.0, impossível.
Dica: Pessoas que dominam a arte da gambiarra podem tentar construir benjamins múltiplos, para mais de três tomadas. Mais de trinta, inclusive. Contudo, não tente fazer isso em casa apenas juntando vários benjamins convencionais. Não sem antes chamar a gente pra filmar a experiência.
Como conseguir um: À venda por R$ 2,75 na Casa Útil.
1º lugar: Isqueiro
O isqueiro é uma invenção tão importante que possui seu próprio verbete na Wikipédia, com explicações técnicas sobre seus mecanismos internos e origem histórica. Particularmente, considero esta a invenção mais importante de toda a civilização humana pelo simples motivo de eu nunca ter conseguido produzir uma mísera faísca de fogo atritando duas pedras – ou dois gravetos – como faziam os antigos neandertais e como fazem os náufragos na ficção. Inspirador de canções clássicas da história da música, como Light My Fire, dos Doors, e pretexto para cantadas infames do tipo: “Tem fogo?”, o isqueiro faz parte do universo lúdico atemporal e ageográfico (acabei de inventar essa palavra) do planeta. E, além do mais, todo cigarro aceso com fósforos fica com gosto de Derby Vermelho.
Dica: Engenheiros de visão poderiam pensar em projetar aparelhos celulares que, além de fazer ligações, tirar fotos, transmitir dados e tocar mp3, tivessem uma função verdadeiramente útil: isqueiro. Não esqueça de enviar pra gente um pequeno percentual dos direitos sobre a patente da idéia.
Como conseguir um: À venda em qualquer esquina, de drogarias a tabacarias. Os preços variam tanto quanto a qualidade e durabilidade de cada tipo de isqueiro. Evite os mais baratos que R$ 1,00.

0º (zerésimo) lugar: Cerveja
Não resistimos à tentação de quebrar algumas regras e fazer um top 5 de 6 itens. E a causa é nobre. Apesar de extremamente óbvia em qualquer lista que mencione a palavra “importante”, a cerveja, também chamada de cerva, gelada, breja, gelo, loira, chope, querosene, ou simplesmente uma (p.ex. em “Vamos tomar uma?”), pode ser considerada a única religião monoteísta do mundo em que o dízimo é tributado pelo fisco oficial. Razão de nosso existir, combustível de nossas vidas, raio de sol das nossas manhãs, a breja-nossa-de-cada-dia sempre estará no topo de qualquer lista. A não ser nas de ordem decrescente, como esta.
Dica: Dependendo do seu orçamento mensal, é possível utilizar a cerveja para fins não-ortodoxos, como escovar os dentes ou tomar banho.
Como conseguir uma: Se você ainda não sabe, deveria estar em outro site.

Então é isso. Discordem ou não do grau de importância das invenções que escolhemos, certamente você não saberia viver sem elas. A não ser que prefira viver tenso, sujando as mãos, em silêncio, utilizando apenas um plugue por tomada, fazendo fogo com gravetos e bebendo guaraná Dolly.
E quais são as invenções mais importantes na sua opinião? Se você tem um blog ou fotolog (por que não?), participe desse meme você também! Desde já, deixo intimados todos os blogueiros capixabas a se manifestarem sobre o tema. Aqueles que publicarem sua lista e nos avisarem receberão a devida publicidade aqui no TRETA, claro.
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