Não é um pássaro. Não é um avião. E, principalmente, não é um homem.

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Tirando o Demolidor da Netflix, que apesar das ressalvas se sustenta nas cenas de porradaria louca, eu costumo torcer o nariz pra qualquer série de super-heróis que tento assistir. Não tem jeito, a gente ainda se rende a assistir filmes de super-heróis porque eles exploram excelentes aspectos cinematográficos em explosões de testosterona e pólvora, mas novelinha de marmanjo poderoso usando uniforme é foda.

Por isso não me causou qualquer estranheza a pegada “O Diabo Veste Prada” feminista fofinha do trailer da série Supergirl. Pega aí:

Apesar da ponderação sobre o aspecto naturalmente “Barbie” da prima do Superman, sou obrigado a concordar com a comparação feita com a sátira do programa Saturday Night Live sobre um hipotético filme solo da Viúva Negra, dos Vingadores.

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Pode ser que a trama traga uma heroína empoderada e absoluta, mas é bem claro qual o público-alvo se pretende atingir com essa “vibe” comédia romântica, e nada mais chato do que segregação de gênero na produção de obras que poderiam muito bem agradar a uma audiência mais ampla.

Pesa em favor de Kara Zor-El o fato de que Arrow e Flash continuam sendo as séries mais “menininhas” da DC.

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Apesar das muitas reflexões cabíveis, não me resta outra escolha a não ser fugir do debate sobre o quão feminista (ou machista) a série é (ou poderia ser). Até porque, vamos combinar, tudo envolvendo o universo do Superman é uma projeção fetichista da ideologia conservadora americana.

Melhor ficarmos apenas na parte do fetiche.

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Apesar das coisas andarem muito loucas ultimamente, ainda existem estereótipos sexuais claramente estabelecidos, e a bela donzela super-poderosa é um deles.

Diferentemente de sua colega Mulher Maravilha, que tem ainda mais dificuldade em transparecer delicadeza e sensibilidade do alto de sua ancestralidade amazona, a jovem alienígena do planeta Krypton transborda meiguice e “feminilidade”, no sentido mais consolidado pelo senso comum – poderia muito bem ser imaginada jogando The Sims ou lendo Crepúsculo com um pôster da Avril Lavigne no quarto.

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Mas não se deixe enganar pelo aspecto frágil e indefeso. Estamos falando de alguém com força suficiente para dobrar um caminhão cegonha no meio enquanto consulta o horóscopo. E como eu já disse, os tempos são outros.

Ao tempo em que as mulheres vão se empoderando, uma nova postura, coerente com o discurso libertário, passa a ser esperada delas. Em resumo: você pode até usar maquiagem e uma sainha chiquérrima pra proteger a Terra de todo o mal, mas é bom não correr do pau na hora que o bicho pegar.

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Enfim, esse misto de sensualidade, vulnerabilidade emocional e poderes titânicos talvez expliquem o magnetismo que super-heróinas – e toda uma nova classe de mulheres culturalmente emancipadas – exercem sobre mim a minha geração.

Nada melhor do que uma “donzela indefesa” que resolve a porra toda.

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Contudo, como contos de fadas – cor de rosas ou azuis – não são reais, só nos resta a dura realidade.

E na vida real, não só o episódio piloto de Supergirl vazou na internet em alta resolução seis meses antes do lançamento previsto, como também sua protagonista, a atriz Melissa Benoist, teve várias fotos reais em cenas de sexo explícito (+18) divulgadas.

O que, no meu universo moral particular, só deixa a nova Supergirl ainda mais poderosa.


 

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