Uma das maiores barbadas dentre as previsões de futurologia no que diz respeito ao consumo de entretenimento e informação é o crescimento do fenômeno dos vídeos produzidos para a internet. Evidentemente não estamos falando nada de novo, uma vez que essa tendência já deve estar debutando – o YouTube foi fundado em 2005, mas desde a alvorada do século já se produziam vídeos pra “web”.

O fato é que essas revoluções culturais mais profundas não ocorrem do dia para a noite e a efetiva popularização dos vídeos independentes no Brasil virá na medida em que os novos aparelhos de TV, com acesso facilitado ao YouTube, Netflix e outras plataformas, adentrarem os lares brasileiros.

Num futuro cada vez mais presente, donas de casa vão poder decidir se querem assistir à Ana Maria Braga ou a Ana Maria Brogui. A família brasileira poderá se divertir com as pegadinhas do Sílvio Santos e do canal “Boom” numa mesma tela. E as crianças vão alternar rapidamente os canais de desenho da TV a cabo com o acervo da Galinha Pintadinha, do Felipe Neto e da Kéfera. Sem falar que muitos novos programas e canais vão surgir para prover entretenimento que há muito tempo a televisão “tradicional” não consegue proporcionar.

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Sempre fui um entusiasta interessado nos canais do YouTube BR e acompanhando tal “cena” acabei desenvolvendo minhas preferências, que costumo converter em recomendações.

Recentemente, falamos aqui no blog de 5 webséries que você precisa conhecer, e agora nos prontificamos a trazer mais uma bela lista com sugestões sinceras de bons conteúdos em vídeo sendo produzidos na internet nacional.

Se você prefere ouvir as massas – vox populi vox deiaqui tem uma lista com os 10 canais brasileiros mais populares do ano passado segundo o próprio YouTube, e aqui um TOP 100 canais por número de visualizações. Contudo, uma vez que rankings quantitativos não abrangem exclusivamente conteúdos de alta qualidade, sugiro abrir o coração (e os olhos, claro) para as nossas dicas.

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Fugindo de formatos repetitivos e manjados, comos “vlogs” e “esquetes”, mas com produções elaboradas e consistentes, edições sofisticadas e uma programação certamente superior à maioria do que é transmitido na TV aberta, confira abaixo os 10 melhores produtores de programas independentes para a internet da atualidade:

 

1. Jovem Nerd

Alexandre Ottoni, o “Jovem Nerd”, e Deive Pazos, o “Azaghal”, são os nomes por trás do único maior podcast brasileiro, que deu origem à maior comunidade nerd do país, sempre presente e engajada no site, loja online, redes sociais, eventos e quaisquer outros empreendimentos da dupla. O canal do YouTube, além de refletir este sucesso em outras mídias, apresenta formatos e conteúdos totalmente diferenciados, com a primorosa edição da Gaveta Filmes.

Na programação tem o NerdOffice, programa semanal de estúdio, além de gameplays no NerdPlayer e do recém-estreado quadro do Sr. K. E também rendeu dois spin-offs à altura em novos canais: NerdNews e Nerdologia! Ambos poderiam facilmente figurar nesta lista por seus próprios méritos, mas decidimos unificar o conglomerado no topo do ranking para fins de arquivo.

 


 

2. Barbixas

Daniel Nascimento, Anderson Bizzocchi e Elidio Sanna compõem o trio de “improvisadores” que fundou a Cia Barbixas de Humor e se apresenta no teatro desde 2007 com seu espetáculo “Improvável”, registrando tudo para publicar no YouTube desde 2008. Apesar da maioria dos vídeos ter a mesma estrutura, sempre trazendo quadros específicos do espetáculo de improviso na forma de jogos como o “Cenas Improváveis”“Troca” e “Só Perguntas”, por exemplo, o canal traz sempre convidados especiais talentosos, alguns consagrados, e se diferencia por conseguir fazer humor engraçado de verdade em tempos de fórmulas batidas e piadas forçadas. Até as esquetes que eles arriscam eventualmente conseguem ser mais divertidas que a média.

Infelizmente, a Globo achou melhor contratar a consultoria dos rapazes para fazer aquele vergonhoso programa de título literal, “Tomara Que Caia”, ao invés de simplesmente comprar todo o acervo já existente do grupo pra passar no horário. Felizmente, o canal deles no YouTube está aí com todo esse material de graça pra você assistir por horas, na hora que quiser. É o que eu chamo de “Galinha Pintadinha dos adultos”.

 


 

3. Manual do Mundo

Certa vez tive uma epifania de que, com o YouTube, o mundo não precisaria mais de escolas. Já perdi a conta de quantas coisas dessas do dia-a-dia aprendi a fazer assistindo vídeos – de informática a culinária. Nesse cenário, o jornalista Iberê Thenório decidiu que poderia fazer experiências variadas em sua oficina para abastecer um canal na internet, não só com fins de entretenimento e lifehacktivismo, mas sempre transmitindo lições interessantes de ciências e conhecimentos gerais em seus vídeos.

Com a esposa, Mari Fulfaro, Iberê construiu uma produtora de conteúdo que pode se gabar de, além de entreter, disseminar conhecimento útil para seus milhões de espectadores.

 


 

4. Quatro Coisas

O ator, diretor e apresentador Pablo Peixoto decidiu produzir seus programas sobre grandes ícones da cultura pop dividindo-os em quatro pilares analíticos: uma coisa boa, uma coisa ruim, uma coisa velha e uma coisa nova. O trabalho bem feito de pesquisa e edição, além da própria atuação afetada do Pablo, garantem que os vídeos possam se aprofundar e se estender sem o risco de ficarem chatos. E além da programação normal, eventualmente o canal Qu4tro Coisas dispara edições extraordinárias com conteúdos adicionais, reviews específicos, e até montagens e redublagens engraçadinhas – que costumam virar “hit”.

Mais recentemente, o canal veicula também uma roda de debates nerds em parceria com os canais Amigos do Fórum e Nerd Rabugento, que também valem uma conferida de perto.

 


 

5. Facebullying

Humorista da “geração stand up comedy” e apresentador do CQC, programa da TV Bandeirantes, Maurício Meirelles não se acomodou e emplacou mais uma faceta de sua carreira, com seu canal no YouTube. Apesar de alguns vídeos de comédia mais antigos e tentativas de emplacar com outros formatos, o sucesso na internet veio com o “Facebullying”, um quadro de seu espetáculo teatral que virou atração principal do canal.

O quadro consiste basicamente em “invadir o Facebook” de um convidado e aprontar as-maiores-confusões com postagens, comentários e mensagens inconsequentes. Como uma versão social media atualizada do bom e velho “trote” – não queria ter que usar a palavra “trollagem”, mas vá lá.

 


 

6. Nostalgia

Na primeira vez que vi o canal do jovem apresentador Felipe Castanhari, achei graça do fato de ele ser tão mais novo do que eu mesmo, e já abordar este sentimento tipicamente ancião, a “nostalgia”. Do que um “fedelho” poderia sentir saudades? Digimón estreou na TV anteontem, cara. Assistindo aos programas, com média de 40 minutos a 1 hora de duração, contudo, você logo percebe que o trabalho é de “gente grande”.

Mesmo parecendo mais novo, Castanhari já produziu excelentes programas em um formato que poderíamos chamar de “webdocumentário” sobre alguns dos temas mais importantes da cultura pop (olha ela aqui novamente). Cada edição deixa evidente um grande trabalho de pesquisa e edição, com inserções de vídeos preciosos, direto do túnel do tempo.

Mais recentemente, o canal intercala ainda curiosidades, extras, indicações, animações e um vlog, claro.

 


 

7. Põe Na Roda

Um grupo de roteiristas e produtores da TV poderiam se engajar na internet e promover um canal extremamente bem-produzido e diversificado sobre um único tema? Se esse tema for bem colorido, talvez sim! Foi o que fizeram Pedro HMC, Nelson Sheep e Felipe Abe, que vem conseguindo surpreender com novos formatos e linguagens a cada vídeo.

Eles começaram a lacrar no YouTube com um leque variado de reportagens, entrevistas, esquetes, games e muitos outros quadros, e agora começam a fazer suas primeiras matérias internacionais.

 


 

8. Oito Minutos

Precursor do mercado de vídeos feitos para a internet antes mesmo do YouTube sequer pensar em existir, Rafinha Bastos é outro que conseguiu cavar novamente seu espaço na internet após consagrar-se fora dela. Em seu canal, além de distribuir cenas de seus espetáculos de stand up comedy, e de seu reality show no canal FX, o apresentador desenvolveu uma série de entrevistas curtas – em cerca de “oito minutos”, como diz o nome do quadro.

Provavelmente não foi por mera coincidência que o canal deslanchou principalmente após o fim do talk show de Rafinha na TV Bandeirantes, o “Agora É Tarde”.

 


 

9. Castro Brothers

O humorista carioca Marcos Castro vinha construindo sua carreira no stand up comedy, e abastecendo seu canal no YouTube com vlogs, trocadilhos e piadas nerds, mas foi em parcerias musicais com o irmão Matheus Castro que veio o sucesso definitivo.

Em “Um Joystick, Um Violão” eles fazem paródias de músicas famosas com temáticas gamers e em “A Lenda do Herói” veio o apogeu da dupla, com a ode cantada da jornada de um típico protagonista de games, cujo projeto para transformar a ideia em um jogo de verdade arrecadou mais de 250 mil reais em um site de crowdfunding.

 


 

10. Tá Dentro

Ex-apresentadora do programa “Papo Calcinha”, no Multishow, e “musa nerd”, Pietra Príncipe se juntou com o produtor e editor Beto Siqueira, que por acaso vem a ser irmão do vlogueiro PC Siqueira, para falar de sexo e sexualidade de uma forma bem descontraída, na telinha da internet.

Em seu canal do YouTube, a dupla faz reportagens, entrevista convidados, tira dúvidas sexuais do público e, principalmente, apresenta reviews, digamos, “irreverentes”, dos mais variados produtos de sex shop.

 


Então é isso, cambada!

Sei que muitos vão indagar sobre a ausência de alguns grandes canais, mas tentamos explicar lá em cima que vlogs, esquetes e clipes musicais não fariam parte da lista, mas sim, canais independentes que poderiam muito bem (e provavelmente irão, em breve) substituir a programação televisiva – segundo alguns critérios, objetivos e subjetivos. De qualquer forma, se você conhecer algum outro canal que tem feito um trabalho digno de nota, não deixe de registrar nos comentários desse post!

 

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Sobre o autor

Ivo Neuman
Fundador

Fundador do TRETA e consultor de ginástica laboral do Não Salvo.