O Renascimento é um período histórico e um fenômeno cultural e artístico que teve seu início na segunda metade do século XIV, na Itália. Além de criar uma oposição ao pensamento medieval predominante até então, esse movimento foi também fundamental para o desenvolvimento da ciência moderna.

Também chamado de Renascença ou Renascentismo, o Renascimento incidiu em diversas artes, como a pintura e a arquitetura. A cidade de Florença, na Itália, foi o berço da arquitetura renascentista, no início do século XV, e essa escola até hoje marca as paisagens urbanas da Itália e atrai inúmeros visitantes para o país.

Principais construções da arquitetura renascentista italiana

Embora o fenômeno do Renascimento e, em particular, da arquitetura renascentista tenha se espalhado para diversos outros países — com destaque para Alemanha, França e Países Baixos —, nos anos a seguir ao seu surgimento, é preciso salientar a importância das obras italianas. Esse movimento arquitetônico não apenas surgiu na Itália, mas grande parte das suas construções mais famosas se encontram nesse país.

É importante notar também que, durante o Renascimento, a arquitetura se tornou uma ciência, coordenada pela razão e a lógica científica.  Como afirma Felippe Lima, em artigo sobre o Renascimento italiano, o Renascimento incorporou a visão humanista do mundo, “tomando o ser humano como referência para a ciência e afastando-se da cultura medieval”. O artista intelectual desse período, por sua vez, foi valorizado e se afastou do artesão medieval. Veja abaixo alguns nomes e obras que se destacam na arquitetura renascentista italiana.

 

Filippo Brunelleschi

De acordo com a Encyclopaedia Britannica, Filippo Brunelleschi (1377–1446) é considerado o primeiro arquiteto renascentista. Muitos edifícios famosos são de sua autoria, como a cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença, construída em 1434 e tida como o marco inaugural do Renascimento na arquitetura.

Brunelleschi também foi responsável por outras obras marcantes, como a reconstrução da antiga sacristia e da igreja da Basílica de São Lourenço, finalizada nos anos 1460, e a construção da Basílica de Santa Maria do Espírito Santo, inaugurada em 1487. Nesta última, de acordo com o Lonely Planet, é possível encontrar também um crucifixo que, segundo especialistas, teria sido feito pelo famoso artista renascentista Michelangelo.

 

Donato Bramante

Donato Bramante (1444–1514) também foi um artista essencial para a Renascença italiana, responsável por construções importantes como a Basílica de São Pedro, no Vaticano, e a Igreja de São Pedro em Montorio, em Roma. A Basílica de São Pedro, que é o maior e mais importante edifício do catolicismo, foi projetada por Bramante, mas o projeto final é de autoria de Michelangelo.

Outros

Não apenas igrejas estão entre as construções famosas do renascimento italiano. Segundo um artigo da Betway, no século XVII, em 1638, foi criado o primeiro cassino de que se tem conhecimento, o Casino di Venezia. Já no século XX, tal cassino foi transferido para o prédio onde se encontra até hoje: uma casa senhorial de estilo renascentista que já foi a residência de doges — os dirigentes máximos da República de Veneza.

Em Florença, o Hospital dos Inocentes (“Ospedale degli Innocenti”) é um exemplo importante da arquitetura renascentista em seu período inicial, tendo sido projetado por Filippo Brunelleschi. Já em Roma, uma construção interessante do Alto Renascimento é o Palácio Farnésio, onde atualmente se encontra a Embaixada da França. Esse edifício, construído no século XVI, é conhecido como “o dado”, por causa do seu formato de cubo.

 

Principais características

A arquitetura renascentista italiana rompe com o estilo gótico medieval e busca recuperar a Antiguidade Clássica, que se localiza no período de 800 a.C. até cerca de 500 d.C.. Segundo afirma Peter Burke, em O Renascimento, não é surpreendente que essa retomada tenha acontecido na Itália, onde vários edifícios clássicos permaneceram relativamente intactos, como o Panteão e o Coliseu.

Imagens: Pixabay.com

 

Os arquitetos do Renascimento se embasaram especialmente em um tratado da Antiguidade: Os Dez Livros de Arquitetura, de Vitrúvio. Esses livros favoreciam a simetria e a proporção e comparavam edifícios a corpos humanos. Segundo Felippe Lima, no artigo já citado acima, Vitrúvio via a arquitetura como imitação da natureza e, portanto, defendia o cumprimento de princípios racionais por parte dos arquitetos.

De acordo com Lima, a visão estética social desse movimento se baseava em conceitos matemáticos e geométricos, com o objetivo de comprovar a racionalidade artística. A ordem, a razão e a proporção foram centrais para o Renascimento e para o que era considerado belo nas artes desse período. A palavra da vez era “perfeição”: buscava-se uma sociedade perfeita, com homens perfeitos e uma arquitetura perfeita, que expressasse essa harmonia!

Algumas das formas greco-romanas resgatadas foram as colunas — em especial as colunas gregas denominadas dórica, jônica e coríntia —, os arcos arredondados e as cúpulas hemisféricas. Além disso, como é possível ver em muitas das construções aqui citadas, as formas geométricas eram consideradas essenciais, especialmente o cubo, com suas perfeitas proporções.

Enfim, seja na Toscana ou na capital italiana, na arquitetura de edifícios dos séculos XV e XVI, ou nas inúmeras obras de arte em museus, muitas são as atrações que carregam as marcas do importante período histórico que foi o Renascentismo, essencial para a Modernidade e também para a Idade Contemporânea.