Uma das estratégias da extrema-direita contemporânea para confundir e dominar o debate público é a artimanha conhecida como dog whistle (ou, em bom português, “apito de cachorro”), que consiste basicamente em passar uma mensagem com um significado político oculto, que pode ser facilmente identificado pelo grupo que é seu público-alvo, ao mesmo tempo que negada perante a opinião pública.

Para quem quiser saber mais sobre o tema, o vídeo abaixo é bem esclarecedor:

 

No último dia 24, Filipe Martins, assessor especial para assuntos internacionais do presidente da República, Jair Bolsonaro, deu mais um exemplo concreto dessa técnica realizando em frente as câmeras um gesto supremacista conhecido como “White Power” (“Poder Branco”) durante uma audiência do ministro Ernesto Araújo.

 

O gesto vem sendo utilizado nos últimos anos como um “cumprimento secreto”  de supremacistas brancos.

 

Parte da “brincadeira” dos neonazistas consiste em tentar desmoralizar as acusações alegando que se trata do inocente gesto de “OK”, ou até mesmo um gesto obsceno equivalente a um “vai tomar no cu”.

Existe até um post de um fórum de anônimos clássico celeiro de incels da internet, que serviria para desacreditar qualquer pessoa que identificasse o cumprimento subliminar:

 

Mas o caso chamou a atenção até do Museu do Holocausto, que se pronunciou indignado com a audácia desse filho da puta nazipardo que além de tudo se proclama judeu em deboche.

 

Não é a primeira vez que Filipe faz esse tipo de “gracinha”, ele já estampou na capa de Twitter um verso do poema mais famoso de Dylan Thomas, usado no manifesto de terroristas de Christchurch, na Nova Zelândia: “Não entre gentilmente nessa boa noite.”

 

E em outra oportunidade, o facho postou uma frase em latim que por mero acaso era o lema de um grupo neonazista terrorista, o Combat18, responsável pela morte de imigrantes nos Estados Unidos e na Europa:

 

Pra quem ainda não se convenceu, aqui nessa thread tem uma pequena listinha de “coincidências” entre nazistas e membros do governo Bolsonaro.

 

Pra constar, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse que vai determinar que a Polícia Legislativa abra uma investigação contra o assessor.

[ATUALIZAÇÃO] A Polícia Legislativa concluiu que assessor de Bolsonaro Filipe Martins cometeu crime de preconceito no Senado, fazendo gesto igual ao de supremacistas brancos durante audiência do ex-ministro Ernesto Araújo. O inquérito foi remetido ao Ministério Público, que decidirá se leva o caso adiante. (Via.)