“Heapdhones com cancelamento de ruído permitem uma experiência imersiva única”

 

No início dos anos 1990, a única forma de ouvir audiolivros eram as antigas fitas cassete, mas elas possuíam pouco espaço e até mesmo um livro abreviado preenchia facilmente uma dúzia delas.

A popularização do formato só viria nos anos 2000, quando surgiram os dispositivos de mp3 e a empresa americana Audible, pioneira no mercado, passou a oferecer um serviço de acesso fácil que permitia aos leitores escutarem os audiolivros nos seus próprios aparelhos.

A Apple logo assinou a empresa como fornecedora exclusiva de audiolivros no iTunes e em 2008 a Amazon transformou-a em uma das suas principais subsidiárias após um negócio de mais de 300 milhões de dólares.

 

Audiobooks são um fenômeno mundial

Mais de três décadas após as fitas cassetes, os audiolivros finalmente se tornaram o formato de crescimento mais rápido no setor editorial e sua popularidade nos últimos cinco anos explodiu ao redor do mundo.

Em 2016 nos Estado Unidos, a Association of American Publishers afirmou que essa mídia cresceu 29,5% em receita líquida e 22,7% em vendas unitárias. Já de acordo com o Nielsen Book Research, 59% dos consumidores de audiolivros no Reino Unido começaram a comprar e ouvir o formato nos últimos dois anos.

Apesar de números bem mais modestos, o setor também tem crescido no Brasil. Além de acesso a própria Audible e a Google Play, que acaba de chegar ao país, os consumidores brasileiros podem escutar o catálogo de empresas nacionais como a Tocalivros e a Ubook.

 

Experiência tão boa quanto ou melhor que a de livros de papel

Alguns críticos chegaram a afirmar que audiolivros não seria a mesma coisa que livros, mas a opinião não é compactuada pela maior parte dos especialistas e a ciência parece concordar.

Além da retenção do conteúdo das versões em papel e áudio ser a mesma, a experiência pode ser melhor que a original e até mesmo superar outras mídias.

Inclusive, um estudo recente da prestigiada University College London descobriu, através de uma colaboração com a empresa americana Audible, que os audiolivros podem ser mais “emocionalmente envolventes” até mesmo que o cinema e a televisão.

 

Alguns audiolivros para começar

Os audiolivros também são uma ótima maneira de melhorar e desenvolver habilidades nos diversos setores da vida. Por exemplo, hoje em dia o poker é um dos esportes mais populares e existem vários audiolivros que cobrem o assunto e ensinam estratégias valiosas para iniciantes.

Um dos melhores é “Reading Poker Tells”. Escrito e narrado pelo famoso competidor Zachary Elwood, o audiolivro apresenta diversas táticas úteis para melhorar no esporte das cartas e conta com um grande foco nos famosos “tells”, responsáveis por mostrar coisas como quando um jogador tem uma mão boa ou apenas está blefando.

O audiolivro de Elwood também ajuda o ouvinte a aprender a observar as ações do jogador depois que o “tell” é notado para ver se realmente é um sinal ou apenas uma mania ou “quirk” do outro competidor.

O maior bônus desse livro é que ele ajuda o leitor a perceber seus próprios “tells” na mesa e as medidas para eliminá-los ou misturá-los para confundir seus oponentes que estão prestando atenção para blefar melhor.

Outro audiolivro recomendado para quem estiver interessado no esporte das cartas é o curto e conciso “Unfolding Poker”, cujo autor e narrador James Sweeney é competidor e professor de poker há quase uma década.

Com pouco mais de duas horas e meia, a obra explica conceitos e situações usando uma linguagem simples de entender e conta com exemplos claros para jogadores iniciantes e intermediários, que podem utilizá-las para aprender a pensar um pouco mais como jogadores de alto nível e a fazer jogadas mais bem informadas.

“Annie Duke, campeã mundial de poker e expert em tomada de decisões”

 

Já para os entusiastas realmente avançados, a dica é mergulhar de cabeça no “Decide to Play Great Poker: A Strategy Guide to No-limit Texas Hold Em”, título escrito por John Vorhaus em conjunto de Annie Duke, que também faz a narração.

O primeiro é autor de mais de dez livros de sucesso e a segunda é uma competidora profissional que conquistou um bracelete do campeonato mundial World Series of Poker (WSOP) e venceu o Torneio de Campeões WSOP no mesmo ano.

O livro combina a prosa fluida de Vorhaus com o profundo conhecimento de Duke para mostrar ao leitor como o poker é um jogo de muitas variáveis e quais são elas, como posição de mesa, o número de jogadores em uma mão, as personalidades de seus oponentes e muitas outras.

Depois a dupla utiliza as habilidades de Duke como professora especialista em tomada de decisões para ensinar o ouvinte como identificar e analisar essas variáveis, colocá-las em modelos básicos de situação de jogo e fazer com que ele fique confortável e confiante em qualquer situação de poker.

Ao invés de focar regras específicas que funcionariam em apenas parte do tempo, o livro realmente ensina uma espécie de mapa mental que possibilite que o leitor se torne um grande pensador e estrategista de poker e possa navegar habilmente em qualquer desafio que encontrar.

É claro que desenvolver esse tipo de habilidade avançada demanda um bom tempo de estudo e o audiolivro é um dos mais longos disponíveis, com um tempo estimado em pouco mais de 10 horas. Apesar disso, o investimento vale a pena para quem quiser subir de nível no esporte das cartas.

 

Mídia conta com um futuro promissor

Além de proporcionar uma experiência tão boa ou melhor que os livros de papel e auxiliar no desenvolvimento de habilidades, o setor de audiolivros tem um histórico de se desenvolver em conjunto com a proliferação e invenção de novas tecnologias, uma série de fatores que tornam o futuro do formato muito promissor.

Por exemplo, a popularização cada vez maior dos smartphones e a ampliação do catálogo de audiolivros e outros formatos parecidos servirão para que o setor alcance novos públicos.

Além disso, à medida que os novos assistentes de voz como o Echo da Amazon se tornarem mais populares, essa mídia ganhará mais um canal para atingir ainda mais consumidores.