Autor: André Fantin

Criar quase sempre é um processo doloroso. É realmente um parto você encarar uma tela branca e saber que em pouca horas tem que preenchê-la com letras ou grafismos. Carinhosamente, chamo essa tela (ou folha) de Touro Branco. Porque trata-se de uma verdadeira batalha da sua imaginação contra a pressão de criar. E quem cria sabe: não existe macete. Não existem atalhos. Apenas crie.

Claro que algumas coisas ajudam muito o processo criativo. Fatores como referências culturais e de conteúdo servem de combustível para o seu cérebro processar a informação de uma forma diferente da convencional e ajudam a dar luz a algo realmente inusitado, ou pelo menos que ninguém tenha visto. Mas, um dos maiores inimigos do processo criativo, geralmente, é o ambiente em que estamos criando. Concentrar-se, pelo menos para mim, não é uma tarefa fácil.

Alguns recorrem a música e fones de ouvido que abafam todo o som ambiente e ficam ali, imersos nos seus próprios pensamentos. Particularmente, música não me ajuda muito. Ela torna todo o resto desinteressante e foca a minha concentração na letra, na melodia, no ritmo e em quem está tocando. Não necessariamente nesta ordem.

Outros preferem o silêncio absoluto e isso é uma segunda coisa que me incomoda muito. O silêncio pleno faz acordar na minha cabeça uma criança de cinco anos barulhenta e inquieta que não para de dar voltas. Logo, estou perdido em meus pensamentos e todo o resto desaparece do meu foco.

Quando criança, costumava deixar a TV ligada para tudo. Brincar, conversar, comer, fazer lição de casa, estudar para provas, enfim. Mas, dificilmente eu prestava atenção no que estava sendo dito ou exibido. Só precisava de um barulhinho ao fundo para distrair a criança de cinco anos na minha cabeça. E funcionava!

Depois de adulto e trabalhando com criação todos os dias, a TV foi substituída pela conversa dos colegas de trabalho, sempre tão mais interessantes que qualquer job deixado sobre a minha mesa. Ouvir e participar dessas conversas tornou-se um hábito tão comum e prazeroso que mais uma vez eu assisti o foco embarcar em uma viagem sem nem ao menos me despedir. E quando eu me forçava enxergar esse foco novamente, era sempre uma fase tortuosa, de muito suador, desespero e agonia.

Claro que esse sentimento não é exclusivo – e nem poderia ser. É muito provável que você, leitor, também passe por isso todos os dias e por isso estou aqui para apresentá-los ao Coffitivity, um site para você abrir quando ligar o computador e fechar só na hora de ir embora.

Ele simula o som ambiente de uma cafeteria, com aqueles barulhos de talheres e conversas que nem mesmo o ouvido mais atento poderia distinguir. É um murmurinho muito agradável e bem vindo no processo criativo. No meu caso, ele coloca a criança agitada para dormir em poucos minutos e deixa o meu cérebro livre para a imaginação fluir e a criatividade trabalhar. Esse post foi escrito ao som doCoffitivity e o Touro Branco que me encarava no começo caiu aos meus pés derramando o sangue preto das letras. Boa sorte com o seu!

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Texto originalmente publicado no Repertório Criativo.


 

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