Como o Whatsapp substituiu oficialmente a imprensa na cobertura desta campanha eleitoral tão assustadora, em que eleitores de Bolsonaro cometem mais de 50 ataques por todo o país em menos de uma semana após o primeiro turno das eleições, e quando não estão motivados por ódio estão imersos na ignorância das correntes e fake news, sobrou para todo e qualquer “cidadão de bem” (no sentido original), conversar com amigos, vizinhos e familiares, eleitores de Jair Bolsonaro para tentar esclarecer boatos e informações falsas, e quem sabe fazer com que se reflita melhor sobre tudo que está acontecendo. Isso, claro, utilizando principalmente o próprio Whatsapp e as redes sociais.

Não por coincidência, é do Whatsapp que retirei esse texto, muito interessante, sobre como conversar com as pessoas sobre voto e política nessas eleições, utilizando técnicas de comunicação não-violenta:

 

Guia de Comunicação Não-violenta em 10 Passos

1. Antes de tudo, é preciso evitar uma posição de superioridade.

Somos todos cidadãos com histórias de vida e realidades diferentes. Mas todos queremos um país melhor. Acreitar que a pessoa com quem você está falando é como você é o primeiro passo para chegarem a um acordo.

 


2. Evite os apelidos depreciativos.

Assim como você não gosta de ser chamado de “petralha”, chamar algém de “bolsomínion” ou de “coxinha” só vai levantar defesas. A pessoa se sentirá ofendida e tentará defender seu ponto de vista ainda mais, apenas para revidar.

 


3. Não acuse o eleitor de fascista, racista e homofóbico.

Embora esses discursos permeiem as propostas do CANDIDATO, não é isso que atrai diretamente os ELEITORES.
Os eleitores de direita são atraídos pela identificação com a indignação do candidato com a corrupção. A raiva que o candidato demonstra nos discursos espelha a raiva do eleitor com a situação do país. Seu tio ou tia do Whatsapp não é fascista, é um indignado.
Seu tio quer uma mudança.

 


4. Comece a conversa empatizando com o eleitor e mostrando que vocês tem mais coisas em comum do que diferentes.

“Eu entendo que você esteja decepcionado com a política. Eu também fiquei. Dá muita raiva mesmo.”

 


5. Encadeie argumentos que mostrem que vocês tem o mesmo objetivo.

“Eu acho que nenhum de nós quer ser roubado. Ninguém escolheria de propósito alguém que achasse que fosse nos roubar. Acho que todos queremos saúde, segurança e educação.”

 


6. Assuma as falhas que já aconteceram. Mostre sempre que você também refletiu muito e não escolhe um candidato cegamente.

“Eu também tenho pensado muito que quero uma mudança. Realmente o PT já teve muitos envolvidos em corrupção. A verdade é que todos os partidos tiveram, sempre tem alguém se aproveitando. Outras instituições como igrejas, times de futebol, essas organizações feitas de pessoas sempre terão falhas. A política tem falhas também.

Eu também quero mudança, e depois de pensar muito vi que o Haddad é uma tentativa de alguém novo, que nunca se envolveu com corrupção, que teve experiência administrando a maior cidade do Brasil e tem um projeto pra fazer diferente do que já tem sido feito”.

 


7. Pergunte o que ELE acha. Isso é uma conversa, lembra? Não um discurso unidirecional.

Após ouvir, empatize. “Entendo. Eu também concordo com vários pontos. Mas justamente pra não ficar pensando na pessoa certa ou partido certo que vai fazer essa mudança, eu resolvi pensar nas propostas. Por isso analisando as propostas do Haddad pra saúde, segurança e educação, escolhi votar nele. (Obviamente é importante que você realmente conheça as propostas do plano de governo!)

 


8. Se a pessoa se exaltar e apenas xingar o PT e o candidato, faça um reflexo. Cuidado para não cair na ironia. Na entrevista motivacional, isso costuma gerar ambivalência que pode resultar em mudança depois.

“Ah, entendi. Pra você as propostas não são tão importantes assim…”

Normalmente, a pessoa vai demonstrar ambivalência, dizendo algo como “ Não, quer dizer, são sim, só não quero do PT…”

 


9. Mostre que vocês estão juntos e o debate não é um confronto.

“Bom, de qualquer jeito achei legal a gente conversar. Deu pra perceber que a gente quer muitas coisas parecidas. Eu acredito que esse projeto não vai ser bom só pra mim, mas pra você também e pra todo o Brasil. Mas respeito tua opinião.”

 


10. Se a pessoa não mudar de ideia ao final da conversa, não jogue seu esforço fora dizendo “Eu desisto” ou xingando ela. Lembre dos tópicos 1 e 2.

A conversa pode não gerar resultado na hora. Mas pode deixar uma semente para reflexão. O objetivo é criar ambivalência. Uma mudança de paradigma não acontece na hora.

 

Não desanime com truculência, agressividade e teimosia. Sempre fica uma pulga atrás da orelha… Vamos juntos lutar conta o discurso de ódio e violência que leva ao fascismo! A luta continua a cada dia! Força, pessoal!