Felipinho
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Falar é fácil, extremamente fácil. Mas bancar as decisões dentro de um formato consagrado de reality show não é pra qualquer um. Na verdade, é pra um bem específico.

Enquanto milhões de telespectadores bradam suas mais criativas sugestões para o programa, abaixo trazemos nada menos do que três alternativas de formato, com suas dinâmicas de jogo descritas em detalhes, para deixar o próximo BBB muito mais emocionante:

Juliette

Juliette de Juliet meramente ilustrativa.

 

(Autor: João Luís Jr.)

 

#1
tudo começaria de maneira sutil já na primeira semana. um móvel trocado de posição, uma comida sumindo da geladeira, uma festa anunciada com um tema, realizada com outro, o leifert nega que tenha havido qualquer mudança. na segunda semana começam os sons de martelada durante a noite, as sirenes que tocam em horários aleatórios, um gato preto aparece no confessionário mas desaparece rapidamente. na terceira semana, durante a noite, um participante apenas desaparece do confinamento, sem paredão, eliminação, nenhum aviso prévio. os integrantes da produção agem como se ele nunca tivesse existido, negam que houvesse mais uma pessoa na casa. as paredes são pintadas com cores diferentes no meio da noite, durante a manhã abrem a geladeira e dois corvos saem voando de dentro dela. durante a festa de sábado um bode aparece na piscina. uma semana depois, durante a madrugada, surge uma nova pessoa na casa, alegando ser o participante que sumiu, mas totalmente diferente, por exemplo, sumiu um homem negro alto, surge um homem branco baixinho. ele sabe de tudo que foi dito e conversado antes, porém ele parece esconder um mistério, fala sozinho pelos cantos, está sempre afiando uma faca imaginária. durante o próximo paredão thiago leifert não diz “boa noite” mas sim “viva cthulhu, venham provar seu sacrifício, deuses antigos”. final com paredão triplo. o bode continua na piscina.

 

#2
é um bbb normal, porém no primeiro mês, durante todo fim de semana, tem uma festa com show do jota quest. daí no segundo mês, todo dia tem uma festa com show do jota quest. no terceiro mês os integrantes do grupo jota quest se mudam definitivamente para a casa. rogério flausino só se comunica através de trechos das próprias músicas (“rogério, tá tudo bem?” – “ah, ana, um dia feliz, às vezes é muito raro, falar é complicado, quero uma canção, todo mundo comigoooo”) e eles não competem pelo prêmio, não participam das provas, apenas ficam ali consumindo comida, sujando louça, ocupando aparelho da academia. sempre que a palavra “fácil” é pronunciada eles começam uma jam session com covers do pop nacional. rogério todo dia fala mal de pichadores durante as refeições, mesmo que ninguém toque nesse tema.

 

#3
três casas do bbb seriam montadas e tudo aconteceria normalmente. prova do líder, paredão, eliminação. as pessoas dentro das casas não sabem disso e acreditam que estão cada uma delas na única casa daquela temporada do big brother. as pessoas em casa acompanham confusas o triplo de emoções e aventuras, romances e brigas, sem saber o que exatamente as 3 casas significam. ao final da competição, os 3 vencedores são chamados a um palco, onde marisa orth abre um envelope e nele está um número de 1 a 3, que diz qual deles estava na casa que realmente importa. sim, os outros 2 ficaram confinados, sobreviveram a paredões pra nada. todos os telespectadores que votaram e torceram por participantes das outras duas casas fizeram isso durante meses pra nada. marisa orth pega o microfone e diz que isso é pra que todos aprendam que a vida é um animal selvagem trotando sem rumo por uma planície perigosa que leva do nada a lugar nenhum e que nenhum esforço é garantia de recompensa num mundo em que deus joga sim dados com o universo. em sua casa, pedro bial, sozinho debaixo das cobertas, chora baixinho. o bode segue na piscina. ao fundo toca jota quest.

 

Este texto foi originalmente publicado em abril de 2017 no Just Wrapped.


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