Há alguns anos tentamos iniciar uma coluna tecnológica no TRETA chamada Gambiarra Labs, mas como tudo se transforma, ela sofreu uma metamorfose e se tornou o que é hoje, esse repositório de invenções modernas e inacreditáveis. Para resgatar nossos antigos objetivos, agora tentamos voltar com a ideia inicial da seção aqui no blog com uma nova série: Geek Review (ou outro nome que vocês sugerirem). Para começar, escolhi o Pebble. Um smartwatch que iniciou a revolução na informação trazida ao pulso:

Depois de um mês com o smartwatch mais badalado do momento, tive a segurança de vir fazer um review que seja justo com o aparelho. Sem a empolgação inicial, mas já adianto que ao contrário da maioria, tenho mais a elogiar do que reclamar.
 

Um pouco da história do Pebble

O Pebble foi o maior sucesso da Kickstarter, uma startup responsável por angariar fundos para desenvolvimento de ideias. Com uma meta de 100 mil dólares, em poucos dias eles atravessaram a casa dos milhões. Como entusiasta de novas tecnologias que sou, achei interessante investir nessa idéia e o fiz.

Para quem não sabe, investir em algo do Kickstarter não requer só dinheiro, mas também paciência. Você tem que ter plena convicção que está investindo no desenvolvimento de algo e não comprando um produto. São meses e meses de espera por um produto que, em muitos casos, será entregue em versão de testes e cheio de falhas. Com o Pebble não foi diferente. Adquiri o produto em julho de 2012 e só o tive em mão 9 meses depois. Para quem é ansioso, é como se enfiassem dia após dias agulhas entre suas unhas. Uma tortura sem igual. Mas enfim chegou.
 

Embalagem

Acredito que os desenvolvedores leram alguns livros sobre Jobs durante o processo de criação do relógio. Embora não seja das mais bonitas, a caixa faz uma ótima apresentação do produto. De cara você vê tudo que te interessa: o cabo de alimentação, o link para o manual e, obviamente, o próprio Pebble.
 

Acessórios

O único acessório que acompanha o relógio, como eu disse anteriormente, é o carregador. Visivelmente inspirado no MagSafe da Apple o carregador proprietário é conectado ao aparelho através de ímãs. O formato único do conector pode ser um contraponto para quem precisa recarregar o relógio com bastante frequência, mas quem já teve outro smartwatch sabe que encaixar o plug micro-USB ou outro formato conhecido é extremamente ruim, além de deixar um enorme rombo no design do aparelho, talvez sendo coberto com tampas de borracha, que não ajudam muito no visual.
 

Design

O Pebble não é nenhuma obra prima de design, mas para quem já usou um Sony Ericsson Liveview, ele é quase o Rolex dos smartwatches. Com um vidro curvo ele tira aquela sensação de ter um corpo estranho preso a uma pulseira.  E pode ser encontrado em 5 cores: laranja, vermelho, preto, cinza e branco.

O grandes botões laterais de plástico, muitas vezes dão a impressão de uma construção sem muito esmero, digno de relógios promocionais, mas talvez fosse essa a solução para um equipamento eletrônico suportar até 5 ATM debaixo d’água.

A pulseira é feita de borracha, sem aquelas falhas de corte, mas sem nada de especial. Possivelmente a primeira coisa que irei trocar assim que achar uma de couro que se adapte ao aparelho.
 

Hardware

Para atingir os prometidos 7 dias de duração de bateria, o Pebble conta com uma tela de LCD e-paper (uma espécie mais simples de ink paper) que não deixa a desejar. Obviamente não teremos a definição de tela própria para isso mas não nos deixa na mão nem nas letras minúsculas dos e-mails recebidos. Além disso ela é completamente visível mesmo sob o escaldante sol de meio dia.

A bateria é, sem dúvida, satisfatória. Eu utilizo o relógio apenas durante a semana e nunca tive problemas com cargas, mas não sei se atingiria os prometidos 7 dias. Eu o coloco no pulso na segunda de manhã e tiro na sexta a tarde, deixando no carregador durante o sábado e domingo.

Além disso o relógio conta com um motor vibratório de alerta e um acelerômetro, que sem duvida torna a usabilidade mais interessante. É so balançar o braço e, voilà, a luz acende e você vê as horas até no maior breu.
 

Software

Acredito que esse é o tópico em que mais haverá discordâncias sobre o "relógio esperto". O Pebble tem uma pequena oferta de aplicativos. Por mais que eu acredite que a função dele é, antes de qualquer coisa, ser um relógio, acho que faltam maneiras de comunicá-lo melhor com o celular, deixando de ser apenas um “pager” do seu celular. Basicamente queria apenas ler minhas SMS arquivadas e ver as últimas chamadas recebidas.

Mas o seu papel de relógio é executado com louvor. Se você é uma pessoa mais clássica pode ter um relógio de ponteiros, se você é mais descolado, um com as horas marcadas por pontos, e tem até um de seios para os mais saidinhos.


 

Considerações finais

Para mim foi uma das novidades tecnológicas mais interessantes atualmente. Como utilizo um Galaxy Note 2, por causa do seu tamanho costumo transportá-lo dentro da mochila. O Pebble me poupa de inúmeras conferências inúteis ao aparelho por causa de e-mails e mensagens de marketing.  Outra coisa que me ajuda bastante é a função do player de música. É possível relacionar com qual aplicativo ele vai conversar e, como uso bastante o Deezer para ouvir musicas com o celular dentro da mochila ou via bluetooth do carro, tenho um controle sempre a mão.

Se o Pebble é um bom investimento? Vai depender do seu uso para ele. Se vale a pena esperar novos smartwatchs que virão baseado nessa tecnologia? Pra mim não. Afinal os maiores defeitos do Pebble são os softwares e a cada dia temos um passo para torna-lo um definitivo relógio esperto.


 

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