Felipinho
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Claro, pode adorar ver pornô – mas alguma vez já pensou como ele foi do preto e branco no cinema às novas tecnologias na internet?

Como bons consumidores, gostamos de saber a origem daquilo em que investimos tempo e dinheiro: o seu processo, a sua função e a sua história. Entre a população mundial, os consumidores de pornografia fazem parte de uma grande fatia do enorme bolo do consumo.

Num mundo majoritariamente frequentado por maiores de 18 anos, há pessoas que ainda desfrutam de um bom streaming de pornô aqui ou ali, e que ainda se lembram vividamente de como era antes da internet tornar o pornô acessível para todos. As “histórias de guerra” são imensas: desde falar com o atendente atrás do balcão da locadora para ter acesso ao material escondido, surripiar o catálogo de roupa íntima da mãe no momento certo até, claro, aquele precioso tempo e lugar no espaço em que o nosso melhor amigo foi presentado pelo seu irmão mais velho com um leitor VHS. Sim, chegar ao pornô era tarefa árdua até pouco tempo atrás, mas o que sabemos de facto sobre a história da pornografia?

Há muito para se saber sobre a história da pornografia. Aliás, se queremos mesmo falar sobre a história do pornô, temos que regressar à idade Paleolítica e descortinar desenhos em cavernas onde despontavam seios impressionantes para memória futura. Apesar disso, a pornografia tal como a conhecemos nos dias de hoje – em filmes e animações – começou muito mais tarde. “O conceito moderno de pornografia começou na era Vitoriana, com pornô em preto e branco, a ser exibido em filmes e fotografia”. O Porndoe.com, um site dedicado a tudo o que é pornô na internet, relata que a fotografia moderna não começou antes de 1800, mas quando começou não parou de avançar.

 

História do Pornô: Filmes Pornô Vintage e Cinema Público

Nos anos 1930, uma era que podemos considerar como a Idade de Ouro dos filmes porno vintage, a nudez e o erotismo era uma arte completamente normalizada. Foi durante este período que até mesmo publicações mais reputadas ilustraram as suas páginas com desenhos de cunho sexual sobre personalidades da vida política, celebridades e até os nossos desenhos animados preferidos – como personagens da Disney – em posições no mínimo comprometedoras. A sexualidade animada foi a primeira forma de pornografia midiatizada, aproveitando o erotismo dos anos 1920 e dando vida ao mundo da impressão.

Por volta de 1940, os filmes começaram a ser produzidos clandestinamente em casa por amadores entusiasmados. Contudo, processar um filme envolvia muito tempo e recursos, levando algumas pessoas a usar as suas banheiras para lavar negativos, isso numa época em que revelar filme não era acessível ao homem comum – sobretudo porque as empresas que o faziam eram geridas pela máfia. Os filmes feitos na banheira circulavam de forma privada ou através de vendedores na rua, enquanto religiões mais puritanas entraram com força nas estruturas sociais e a sexualidade passou a ser considerada ofensiva. Durante esse período, ser apanhado a ver, distribuir, ou estar meramente na posse de filmes eróticos acarretava o perigo de ir parar à prisão.

Devido a essas dificuldades, causadas pela nova leva de proibições e censura, foi apenas nos anos 1970 – já depois da pornografia ter sido legalizada na Dinamarca – que os EUA conseguiram fazer pornografia de qualidade profissional. Em 1973, os EUA regressaram finalmente à ribalta do pornô, aproveitando o lobby contra o fim das restrições à pornografia. Muitos destes filmes foram exibidos para grandes multidões em cinemas públicos. Para muitos, estávamos perante uma nova época de iluminismo que sacudia a conformidade instituída. Para outros, era algo apenas estranho e pouco higiênico.

A tecnologia encontrou assim forma de produzir estes filmes num formato que pudesse ser desfrutado na privacidade das nossas casas. A mudança tecnológica aconteceu rapidamente e tomou conta do mercado. Os realizadores perceberam que filmar continuamente em filme não era uma opção rentável – porque os valores da produção não compensavam as receitas de bilheteira. E porque as exibições privadas passaram a ser preferência de uma audiência cada vez mais vasta.

 

De Regresso a Casa

Esta mudança tirou definitivamente os filmes dos cinemas e levou-os para o conforto do lar, marcando o fim da era das produções com grandes orçamentos e do glamour da pornografia. Enquanto o pornô passava para o vídeo caseiro, as cenas ficaram mais cruas, as histórias mais curtas e os fetiches ganharam espaço. Isto porque as cassetes de VHS só podiam armazenar algumas horas de filmagens, para além de que se percebeu rapidamente que pouca gente via filmes pornô com duas horas de duração.

Até aos anos 1990, os filmes de pornô vintage e os vídeos amadores foram amplamente disseminados por todo o território dos EUA, estabelecendo-se definitivamente quando a indústria passou a ser dominada pelos DVDs e pela internet. Foi a partir daí que a internet se transformou na maior fonte de pornografia para muita gente, oferecendo privacidade, acesso fácil e uma vasta escolha de filmes disponíveis. Além disso, o advento das câmeras digitais embaralhou as fronteiras entre filme, fotografia, produções profissionais e amadoras, e promoveu a democratização da indústria. Significa dizer que qualquer pessoa com uma webcam passou a ser uma estrela do pornô nos sonhos de alguém.

O formato digital permite a fotógrafos e produtores manipular imagens de forma anteriormente inconcebível, criando cenários fantásticos e novos ambientes, tudo sem que seja preciso um orçamento digno de Hollywood. Mas este progresso não vai contra a história. Pelo contrário, as novas tecnologias ajudaram a preservar o pornô vintage e o preto e branco. Permitindo-nos ver prazerosamente filmes que levaram muitos à prisão ou que foram vistos num cinema cheio. Outros tempos.


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