Pra quem nunca ouviu falar, uma introdução didática, direto da mãe-dos-burros: "feed" (do verbo em inglês "alimentar") é um formato de dados usado em formas de comunicação com conteúdo atualizado frequentemente, como sites de notícias, blogs, podcasts e canais de vídeos. O nosso blog, por exemplo, fornece a íntegra de toda as atualizações através do nosso feed oficial desde que entrou no ar, em 2005, como parte essencial do nosso programa de fidelidade, e hoje possui mais de 12 mil assinantes.

Na prática, o sistema possibilita que um leitor assíduo de portais de notícias, blogs e similares possa receber todos os novos conteúdos de suas páginas favoritas em um só lugar, sem precisar acessar cada site individualmente.

O hábito de acessar diariamente conteúdos recebidos de seus sites favoritos, contudo, não é nenhuma novidade para um grande número de pessoas, que tinham o Google Reader como principal agregador (ou simplesmente "leitor") de feeds. Tinham.

Este aviso está sendo exibido aos usuários do Reader há alguns meses, desde o anúncio oficial da decisão do Google de extinguir o serviço, para desespero de uma legião de fãs inconsoláveis da ferramenta (na qual me incluo, com olhos marejados de indignação).

Nestes quase oito anos de ofício blogueiro passei grande parte do meu tempo cuidando de ler (ou pelo menos tomar conhecimento) de mais de mil postagens por dia, de diversas fontes diferentes e o fim do Reader poderia ser um duro golpe na minha rotina de trabalho.

Por isso, tratei de experimentar e avaliar pessoalmente as alternativas gratuitas disponíveis no mercado para abrirmos oficialmente o processo de sucessão do Google Reader. Antes de tudo, porém, trate de baixar o arquivo com os seus feeds cadastrados aqui nesse link.

1. Netvibes / Pulse / Taptu

Começamos nossa procura pelo agregador substituto perfeito com estes três de uma vez porque considerei serem as opções mais fracas, especialmente no que diz respeito à importação dos feeds do Reader. O Pulse bagunçou todas as minhas inscrições organizadas por pastas e o Taptu e Netvibes sequer possuem a opção de importação, ao invés disso sugerem feeds recomendados por eles e a adição manual de fontes de conteúdo. Além desse descuido (fundamental caso estes sites desejem acolher os órfãos da ferramenta do Google) também "não fui muito com a cara" do layout web ou dos aplicativos móveis dessas plataformas.

Conclusão: passe logo para as sugestões abaixo.
 

2. The Old Reader

Ano passado, assim que o Google Reader eliminou suas opções de compartilhamento (muito úteis para descobrir os melhores posts do dia com base na atividade dos seus contatos no Google) para dar lugar ao botão cretino do Google Plus, foi lançado o The Old Reader. A promessa era a de ser uma reprodução fiel do layout e funcionalidades do Reader, e ainda promover o antigo sistema de compartilhamentos. Alguns bugs e instabilidades, contudo, revelam a fragilidade do sistema e precariedade do desenvolvedor.

Conclusão: válido para saudosistas irrecuperáveis e acumuladores que não liguem tanto para os problemas de instabilidade. Para os demais: desapega, desapega.
 

3. Flipboard

O Flipboard é o item mais descolado e moderninho da lista, disponível exclusivamente para plataformas móveis (iOS e Android) com a proposta de transformar os conteúdos recebidos dos feeds em uma "revista eletrônica". Na prática, agrada mais àqueles que preferem design em detrimento da usabilidade, e a ausência de uma versão para o browser inviabiliza sua utilização para quem tem esta necessidade.

Conclusão: você não terá tempo para ler seus feeds porque estará dando o cu.
 

4. Digg Reader

Pra quem não conhece, o Digg.com é um site em que membros cadastrados enviam e votam links interessantes, configurando um agregador de conteúdo relevante muito respeitado há quase dez anos. Por isso, a notícia do lançamento oportuno (ou oportunista?) de um leitor de feeds próprio soou como música para os ouvidos nerds de todo o mundo. Principalmente pra quem sente saudade dos recursos sociais do velho Reader, a esperança é de que a integração do novo leitor com os serviços tradicionais do Digg possa fornecer uma poderosa ferramenta na busca de bons conteúdos em destaque. Um erro fundamental, contudo, ainda incomoda bastante: aparentemente o serviço não diferencia os itens lidos dos ainda não-lidos, tampouco faz a sua contagem. Ao invés disso, apenas mostra os itens mais recentes das suas inscrições. Frustrante.

Conclusão: alguém por favor avise quando estiver funcionando pra valer.

 

5. AOL Reader

Lembra da época daqueles CDs com horas de internet grátis na época da internet lascada discada em que era preciso utilizar um provedor de acesso para se conectar? Foi o que eu senti quando me sugeriram o leitor de feeds da AOL. Como sou um cara (quase) sem preconceitos, fui verificar pessoalmente e confesso que a dupla layout & usabilidade me agradaram de cara. Adicionei aos favoritos e comecei as leituras, convicto de que tinha encontrado o serviço ideal, mas constatei rapidinho que nenhum vídeo do YouTube, Vimeo, etc., era exibido. Como o serviço ainda está em versão beta (experimental), já que também foi lançado oportunistamente para atender à demanda pós-Reader, creio que esta falha crônica deva ser resolvida logo.

Conclusão: sem suporte a mídia, não há quem suporte. Mas vale ficar de olho já que o problema aparentemente é só esse.
 

6. Feedly

O serviço mais engajado com o fim do Reader, contudo, é o Feedly. De olho na touperice do Google, eles pegaram a onda de início anunciando a possibilidade de importação completa dos feeds cadastrados no serviço antigo, inclusive organização de pastas e itens salvos, além de integração automática com diversos outras ferramentas. Inclua aí também uma bela apresentação visual, especialmente nos aplicativos móveis, e temos o mais forte candidato à sucessão que experimentamos. E ainda é verde, nossa cor favorita. Vale citar a ausência sentida de botões para avançar para o próximo post ou voltar para o post anterior, mas como os atalhos de teclado "J" e "K", respectivamente, cumprem tal função, o detalhe passa batido.

Conclusão: é o que tem pra hoje. Estamos usando este satisfatoriamente, pelo menos até que os problemas anteriormente citados nos outros serviços sejam resolvidos.
 

7. Facebook / Twitter / Outros

Mark Zuckerberg, todos sabem, não é bobo. E é claro que ele também já está de olho num agregador de notícias próprio do Facebook. Há quem prefira inclusive usar somente a timeline das redes sociais (FB, Twitter, YouTube, etc.) como fonte de conteúdo, já que a maioria dos sites está presente nesses canais. Infelizmente aquela sua tia idosa e o colega de trabalho sem noção também estão, dificultando a chance de se encontrar um bom conteúdo – ao invés de uma imagem feita no paint em protesto contra a extração do nióbio brasileiro…

Conclusão: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
 

Enfim, esperamos ter ajudado um pouco na sua escolha do herdeiro do Google Reader. Não obstante a nossa experiência, faça seus próprios testes e deixe aí nos comentários colaborando com a comunidade virtual, essa linda.

E o mais importante: independente do leitor escolhido, se inscreva para receber as postagens do TRETA através do nosso feed!


 

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