mercenario

Fazendo um balanço da minha vida nos últimos dias semanas meses, percebi que a maior parte do meu tempo produtivo se divide entre uma dura jornada de trabalho servindo ao megaconglomerado financeiro onde possuo um emprego convencional e uma não menos árdua busca incessante por um meio de transformar o TRETA num negócio, se não “rentável”, ao menos “minimamente remunerado”. Nas duas ou três horas vagas que me sobram diariamente eu procuro dormir para aguentar o tranco do próximo dia de labuta.

Como não é difícil notar, o site deu uma senhora “esfriada” nos últimos tempos. Menos postagens, menos idéias oportunistas, menos alfinetadas gratuitas. Em parte isto se deve ao aumento da minha jornada de trabalho no tal “emprego convencional” e em outra parte se deve ao aumento da boçalidade contida no ofício de tocar um blog como este a partir de um certo momento.

Quando se é o faz-tudo de uma corporação do ramo do entretenimento, chega uma hora em que receber 287 e-mails por dia pedindo troca de banners ou algo que o valha é um convite ao suicídio. As idéias pululam como sempre na sua mente doentia, mas morrem na constatação de que não importa o quanto você se esforce pra fazer um bagulho bacana, quem nasceu pra ser fodido nunca chega a ficar por cima. Sequer de ladinho.

Não que o TRETA valha alguma coisa. Nem o tal site que compra sites se prestou a fazer uma mísera proposta pela nossa tomada. Em termos de audiência estamos na mesma progressão – tímida porém crescente – de acessos diários, pageviews e assinantes do feed. Mas receber cento e cinqüenta e cinco reais do Adsense é de matar.

O caso é que, sempre reticentes quanto aos anúncios irritantes relevantes do Google, fechamos em dezembro nosso primeiro pagamento de 100 doletas no programa. Depois de meses de veiculação de anúncios, a quantia é uma piada, claro, mas se avaliarmos que a maior parte do tempo esses anúncios estavam escondidos no layout, contrariando completamente todas as dicas de otimização e monetização de blogs disponíveis internet afora, até que foi uma merreca merecida.

Quando recebi o aviso de pagamento no valor de US$ 110,50 e providenciei os dados bancários para recebimento, fiz um cálculo mental simples e estimei um crédito de 180 a 200 reais na minha conta em alguns dias. Ledo engano. Depois de uma batalha incessante junto ao atendimento do meu banco fui receber hoje (uma semana depois da ordem de pagamento ter sido remetida) o crédito da grana made in Vale do Silício: R$ 155,08.

Com todo respeito ao Deus da Era Moderna, enfia no cu.

Enquanto o patrocinador exclusivo das nossas páginas deve estar morrendo de rir dos idiotas que – como eu – veiculam anúncios ainda mais idiotas, eu estou aqui pensando com meus botões o que fazer para ser menos esculachado.

Não é possível que não exista aí do outro lado da tela um único empreendedor disposto a pagar mais que essa mixaria do Adsense pela mídia que o TRETA é capaz de proporcionar. Façam suas contas. Eu já fiz e refiz as minhas, e a cada vez que bato o olho na HP, fico com mais e mais vontade de doar o domínio do TRETA pro Mazzei. Ou pro Tabet.

De artigos patrocinados também não pretendo viver. Além de ser insuportável a idéia de ludibriar os leitores com falsetes promocionais travestidos de conteúdo, o Ian Black definitivamente não vai com a minha cara.

O jeito é partir pra guerra de trincheira. Estou escrevendo um kit de mídia pra vender espaço publicitário aqui no TRETA, loteando cada pixel a um preço que eu mesmo me prestaria a pagar pra ter um anúncio bem posicionado num site chinfrim como este. Até o fim desta semana, coloco no ar a minha proposta e deixo rolar pra ver se alguém se manifesta. Caso contrário, preparem-se para um novo mundo em nossas páginas.

Não é o fim do TRETA, ou da faceta independente e subversiva do TRETA. Podem ficar tranquilos (?) que a nossa tortuosa linha editorial será mantida a qualquer custo. A gente só vai dar um jeito de adaptar o site ao aclamado conceito da “sustentabilidade”. Se der pra ganhar alguma coisa com a nossa malemolência diária, podem apostar que isso aqui vai ficar cada dia menos pior.

Sabem como é, eu faço porque gosto, mas por uma contrapartida razoável eu posso gemer ainda mais alto.

Paz do Senhor!