Felipinho

 

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Eu acho engraçado como as novas possibilidades da internet (conhecidas pela alcunha besta de “web 2.0”), assim como o Cocadaboa, nos pregam algumas peças de vez em quando.

Dado o tamanho do meu ego, sempre me considerei um bom detector de coisas maneiras, e até hoje, no exercício blogueiro, eu me considero um editor com um bom faro para hypes (compreenda melhor neste artigo do Nagueva), apesar de ser absolutamente preguiçoso para tirar qualquer proveito dessa suposta habilidade.

Simplesmente estou acostumado a me frustrar por ver tudo o que eu gosto saindo do underground e entrando no mainstream (salve D2!). Geralmente acontece frequentemente com músicas, álbuns e bandas (Raimundos, Nativus, O Rappa, Charlie Brown Jr., Planet Hemp), atores, programas de TV, filmes (Tropa de Elite, Zeitgeist), e mais frequentemente algumas  tendências de popularidade na internet.

E digo isto do alto da experiência de alguém que tinha a saudosa Página do Rafinha nos favoritos bem antes do fenômeno YouTube dar as caras – e do sobrenome “Bastos” ter esgotado o estoque de piadas, caras e bocas do comediante.

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Numa dessas últimas semanas, mais precisamente em 03/07/2009, recebi de um amigo um daqueles e-mails que rolam pelos escritórios do país com alguns nomes de duplas sertanejas muito loucos (publicado inicialmente, até onde eu sei, pelo blog Universo Sertanejo).

email.duplas

Imediatamente, me pus a preparar este artigo para compartilhar tamanha boçalidade com os fofuxos leitores do TRETA, e novos nomes de duplas começaram a bombar nos comentários. Alguns dias depois, estava no Sedentário e no Buteco da Net, dois dos blogs mais visitados do país. Daí pra virar uma matéria no Fantástico, é um pulo:

Não reclamo do ofício blogueiro de atravessador de conteúdo porque não me requer qualquer habilidade além de umas boas e pioneiras risadas, mas é um saco a sensação de que algum sortudo recebe um salário pra catar conchinhas na internet e ainda tira onda de produtor da Globo nas horas vagas.

E de mais a mais, essa paranóia da exclusividade editorial (“eu vi primeiro, então me linka”), que anda rolando graças a um certo ruído na mensagem da nossa mais famosa campanha, já encheu o saco até de quem não curte quibe.

A conclusão que eu acredito ser menos irrelevante é a de que nós blogueiros-celebridades da alta roda blogosférica (insira um comentário sobre este título auto-proclamado aqui) efetivamente devemos ter cuidado com as coisas que publicamos em nossos blogs. Os velhos dinossauros estão famintos.

Vai que numa dessas pautas mais eloquentes dos noticiários globais nego acaba confundindo azeitona com empada e a semente da discórdia estará plantada.

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Dedicado ao Duquian, ao Oneberto e ao Cadu, blogueiros e leitores assíduos do TRETA