É sabido que a formação de nosso caráter e de nossa personalidade ocorre na mais tenra idade, muito antes do que costumamos considerar. Dito isto, temos que reconhecer que a produção cultural pop do começo dos anos 90 é responsável pela gama de valores que norteia a maioria dos jovens adultos contemporâneos.

Para recuperar minhas origens morais, resolvi fazer um glorioso TOP 5 (lê-se “tópi fáive”) dos discos mais importantes da minha pré-adolescência, por volta dos 10-12 anos, lá entre a primeira punheta e o primeiro porre de licor de pêssego. Pelo seu valor musical, cultural, intelectual ou meramente bestial, foram obras que rolaram em REPEAT MODE no meu primeiro aparelho de som e, definitivamente, tiveram total relevância na construção da minha personalidade.

Sem mais delongas, vamos à lista:

1. “Gabriel O Pensador” – Gabriel O Pensador (1993)

O primeiro disco do Pensador foi também o meu primeiro disco de verdade – se ignorarmos a coleção de LP’s da Xuxa que eu sempre ganhava de presente na infância. Na época em que começavam a nascer os primeiros pelos do meu corpo, um encarte com letras recheadas de palavrões e frases fodonas de protesto contra o “sistema” foi um verdadeiro marco. Decorei todas as letras. E concordo com elas até hoje.

 


 

2. “Rap Brasil” – Vários (1995)

O primeiro disco de funk carioca que realmente estourou nas paradas de sucesso veio parar nas minhas mãos já na forma de Compact Disc. As construções musicais eram uma merda, e eu já sabia disso desde então. Mas era diferente, irreverente, e todos os adultos odiavam: ou seja, era legal. Sem falar que o batidão do pancadão até hoje toma conta das festinhas menos criteriosas – e mais etilicamente generosas.

 


 

3. “Mamonas Assassinas” – Mamonas Assassinas (1995)

Dispensa comentários. Meu primeiro contato com os Mamonas foi na primeira excursão de colégio da minha vida. Com parcos 11 anos, eu era o caçula de uma galera bem mais velha que ia se apresentar numa mostra cultural em Minas Gerais. Na viagem inteira, só rolaram hits do grupo. Excesso de putaria, de palavrões e de outras referências rebeldes. Perfeito.

 


 

4. “É o Tchan!” – Gera Samba (1995)

Conheci Salvador – e cinco primas de segundo grau – nas férias de 1996. Entre passeios turísticos e toneladas de acarajé, fiquei encantado com a magia contagiante dos ritmos tropicais soteropolitanos. Uma das minhas primas sacramentou o fim da minha inocência quando me ensinou a coreografia da música de trabalho do novo fenômeno do axé music. E desde esse dia eu nunca mais saí de casa sem cueca.

 


 

5. “Usuário” – Planet Hemp (1995)

Eu estava na 6ª série quando meu pai me deu o álbum de lançamento do Planet Hemp de presente. A ideia era me mostrar que legalidade não era sinônimo de verdade. Mais do que isso, eu descobri o verdadeiro valor da liberdade de expressão – e do raprocknrollpsicodeliahardcoreragga. Fui pra diretoria, certa vez, simplesmente por estar portando o CD em sala de aula. Foi a primeira vez que eu entendi o significado do termo “Porcos Fardados”…

 

Então é isso. Quem quiser se manifestar sobre os discos que fizeram a sua cabeça no despontar de sua existência, fique à vontade!