emodayNeste Emo Day 2008, nada mais justo que um autêntico manifesto à causa:

Assim como os negros, as mulheres, os homossexuais e os blogueiros que ainda não possuem 1.000 visitas diárias, os jovens de uma tribo urbana contemporânea denominada “Emo” vêm sofrendo todo tipo de discriminação e sendo alvo de ataques jocosos injustificados por parte de nossa sociedade preconceituosa e provinciana só porque têm hábitos não usuais como pintar a unha do dedinho de preto ou passar 48h chorando trancado dentro do quarto ao som de My Chemichal Romance, Simple Plain, NX Zero, Fresno, ABBA e, mais recentemente, Skazi.

O grande problema é que uma parcela dos chamados “emos” têm tido ainda maiores dificuldades com o tratamento dado pela sociedade à sua tribo. Uma minoria dentro da própria minoria: os emos-heterossexuais.

Eles afirmam que atrás daquela franjinha e daquele jeito meigo e delicado existe um “Jece Valadão” pronto para entrar em cena e demonstrar sua macheza numa espécie de psicologia reversa com psicóticos terminais. Mas na verdade nós sabemos que é mera questão de identificação: preferem mocinhas sensíveis e fofuxas do que aqueles grosseirões que gostam de futebol e falam palavrões de boca cheia.

Se eles afirmam ter preferência pelas mulheres, e exigem não ser confundidos com a massa homoafetiva que se manifesta sob a sigla G.L.B.T. (Gays, Lésbicas, Blogueiros e Transsexuais), quem somos nozes para discordar?

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E para minimizar a afetação dessa rapaziada, o TRETA elaborou um tira-dúvidas exclusivo com as questões recorrentes e as melhores dicas para ser um autêntico emo-heterossexual. Capricha:
 

1) Franja com mechas em cores cítricas prejudicam minha masculinidade? Sim. Apesar de sua enorme vontade de fazer-se entender pela sociedade careta enquanto criatura incompreendida e infeliz, evite utilizar tinturas não-ortodoxas até que algum personagem de uma novela da Globo o faça sem virar ícone da cena gay.
 

2) Existe alguma relação cientificamente comprovada entre tendências suicidas e tendências homossexuais? Sim. As estatísticas comprovam que toda depressão tem origem num problema sexual mal-resolvido. Geralmente anal.
 

3) Usar caracteres especiais em meu “nome de usuário” do Orkut denota necessariamente alguma nuance de homoafetividade? Necessariamente, não. Na maioria dos casos denota apenas retardamento mental intermediário. Você vai sobreviver.
 

4) O fato de eu achar o baixista do Fresno uma gracinha pode dar a entender que eu possuo algum tipo de desejo sexual em relação à pessoa dele? Sim. Pode dar.
 

5) Comemorar o Emo Day 2008 ouvindo os meus primeiros CDs com influência emo, como Spice Girls e Bon Jovi, pode ser considerado homossexualismo? Comemorar o Emo Day somente não será considerado homossexualismo se você atender pelo nome de “Victor Mazzei” e tiver sido referenciado por mais de 150 blogs com o advento da data. Neste caso, será considerado mero oportunismo blogueiro.
 

6) Eu já dei um selinho na minha melhor amiga. Isto é suficiente para definir a minha opção heterossexual? Não. Mas também não se preocupe tanto com a repercussão desta sua atitude, pois hoje em dia todos estão cansados de ver moças se beijando em público sem que isto signifique que as mesmas possuem tendências homossexuais.
 

7) Vale a pena decidir ser emo-heterossexual neste país de preconceitos? Sim, vale à pena. A proposta e a estética emo exigem que o sofrimento e a infelicidade sejam os preconizadores do seu estilo de vida. Suas maiores chances de conseguir adotar esta ideologia é vivendo ao lado de uma mulher.

 
E pra fechar a nossa marota participação de última hora encerrando os nossos festejos do Emo Day 2008, vai uma última sugestão para os heróis da emo-hetero-resistência: procure não se debaldar com os perfumes e cremes hidratantes da sua mãe. Opte por fragrâncias masculinas, mas tenha cuidado na escolha do desodorante – ou seus piores pesadelos se tornarão realidade.