proibido

Ligue a televisão na hora em que esteja passando um noticiário qualquer e você certamente vai ver alguma matéria sobre uma nova proibição:

“Em Piraporinha do Norte, a câmara de vereadores proibiu o uso de capacetes pelos motociclistas para inibir a criminalidade.”

“Em Comuxatiba de Dentro, o prefeito decretou a proibição de pipas com cerol para impedir que novos acidentes aconteçam.”

“Está proibida a venda e circulação de videogames com temática subversiva e/ou incitação à violência, como o Counter Strike e o GTA – Grand Theft Auto.”
 

E é assim que vai ser durante muito tempo ainda. As gangues do centro da cidade estão utilizando chaves de fenda nos assaltos? O prefeito vai proibir a venda de ferramentas sem autorização da PM. Houve um acidente com uma loja de fogos de artifício? Vamos proibir a venda de qualquer coisa inflamável. A violência não dá trégua? Toque de recolher: vamos proibir a circulação de transeuntes nas ruas após a meia-noite.

Toda a vida, eu fui criado numa escola católica onde quase tudo era proibido: de balas e chicletes a corretores ortográficos. Foram 20 anos de restrições impostas pela política educacional do colégio, e nem por isso hoje eu deixo de ser o pior mau exemplo possível.

Algumas substâncias entorpecentes consideradas ilegais no mundo todo são a base da economia de diversos países e podem saber que é muito mais simples comprar um baseado na esquina que achar uma creche de qualidade – ainda mais se for pública.

Enquanto a gente estiver vivendo sob o império da proibição, absolutamente nada vai mudar na nossa sociedade. Proibir não resolve nada. Tornar ilícitas novas modalidades de hábitos usuais é de uma tolice tão grande, que passaram a inventar novos tipos penais para inibir a prática de outros absolutamente distintos.

Ao invés de dedicar esforços no combate à marginalidade juvenil, nossas autoridades julgam mais eficaz determinar a proibição de jogos de tiros em primeira pessoa. Brilhante.

Pau no cu do repressor! Faça da sua vida uma ode à permissão. Permita que seus filhos vivam em plenitude sob uma orientação pedagógica (e não sob um regime de brutalidade e castração disciplinar).

Não é o que é proibido que é mais gostoso. É a cultura hipócrita dos nossos entes sociais que entendem que tudo o que é mais gostoso deve ser proibido.

Querem uma proibição que vai, enfim, resolver boa parte de todos esses problemas? Que tal proibirem o ato de proibir?

No dia em que o povo brasileiro for obrigado a gerir sua própria liberdade, daremos início a uma nova etapa do nosso desenvolvimento.

Paz do Senhor!