Ultimamente venho agindo como um psicólogo de amigos. Não, não tô achando isso ruim, não tô achando isso pesado ou reclamando. Cinco pessoas que não se conhecem (umas delas nem eu mesmo conheço pessoalmente), ao puxar papo comigo – ou o contrário -, acabam me contando como estão suas vidas e dizem sofrer com mazelinhas. É normal passar por sitús brabas mas MANO não dá pra SEMPRE estar brabo.

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A internet é maravilhosa, tem gifs de gatinhos, de cachorrinhos, gifs de transas, transas hétero, transas gays, transas hermafroditas e até transas pra quem tem fetiche por pé. Sim, porque existem pessoas que se excitam por pés. Mas isso é papo pra outro texto. A internet é maravilhosa porque ela pode nos dar praticamente tudo. Mas, infelizmente, só procuramos coisas que não prestam. É mais ou menos uma metonímia (ou uma figura de linguagem parecida com essa) pra vida real.

Tá ligado esses “queria estar morta” ou “preferia não ter acordado” que você, muito provavelmente, já lançou no seu Twitter ou Facebook e fez aquela sua tia veióta se espantar com um sonoro “QUE ISSO MININA?” que foi escrito mas deu pra sacar espiritualmente a cara dela? Pois é… engraçadinho, né? Talvez não seja muito…

Não. Não é engraçado. Já foi um dia. É um meme que devia ser esquecido e que, se possível, pudesse levar essa adoração deslavada por remédios controlados junto. Não presta pra nada.

Não tô julgando quem realmente precisa, não! Tô sim falando com você jovem retardado que faz esse tipo de coisa pra ficar ganhando compartilhamento em troca de nada. Sua vida é uma merda e só você pode fazer com que ela pare de ser.

Digo isso com propriedade. Eu também era assim. Não sou exemplo pra muita coisa mas, pra isso, posso dizer que sim. A partir do momento que larguei o coitadismo ganhador de várias estrelinhas nas redes sociais e percebi que a vibe era pesada, eu estava odiando a minha família e preferia estar trancado no meu quarto mofado à ver televisão (ainda que fosse o Esquenta ou o Programa da Sabrina Sato) com minha família estava me destruindo por dentro, me tornando uma pessoa pior, a guinada foi espetacular.

Meu emprego era uma merda, odiava ter que fazer o que não gostava. Não estudava pra tentar algo melhor. Como dito, não tinha um bom relacionamento com a minha família (não tem jeito, por mais que eles não sejam, a seu ver, perfeitos, são as pessoas que tão ali contigo pra sempre)… ou seja, a vida era uma merda. Dei, aos poucos o estalo que só eu poderia mudar meu quadro, minha vibe. Não dá pra depender de ninguém. Só nós mesmos podemos fazer com que mudanças grandes possam acontecer na nossa vida.

Liguei o som alto, começou a tocar Queens of the Stone Age. Qual música? The Lost Art of Keeping a Secret. Sabe como é o refrão dela? Assim, ó: “whatever you do, don’t tell anyone”. Mais ou menos um “seja lá o que você for fazer, não conte a ninguém”. Nego é agourento, parceiro. Ninguém nesse mundo vai querer ou aturar a gente como nós mesmos.

A gente tem que se amar mais que qualquer outra pessoa possa nos amar.

E eu passei a me amar aos pouquinhos.

Meio que criei um mantra, até passei pra esses amigos que venho conversando. Acordo de manhã, olho pro espelho e digo que ninguém nesse mundo é melhor que eu, eu sou muito bom e posso fazer tudo o que eu quiser (sem esse lance de “o cara lá de cima vai me dar”). E eu posso. Todo mundo pode, gente.

Viver é bom pra caramba quando a gente se propõe a viver. Ficar em vibes merdas não adiantam. A gente que tem que construir essa estrada.

Agora chega desse lance augustocuryano, vou lá bater uma punheta. Ajuda também.


 

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