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“Tive uma idéia: vou vender um barbante higienizado para limpar o espaço entre os dentes e torná-lo item obrigatório de higiene pessoal.”

Com certeza a primeira pessoa que ouviu isso deve ter caído na gargalhada. Mas a vida é mesmo uma caixinha de surpresas e hoje a Johnson & Johnson toma conta do mercado mundial de adesivos para dentaduras.

O valor de uma idéia é a cotação mais flutuante dentre todos os indicadores financeiros. Num piscar de sinapses, um gênio criativo pode revolucionar um segmento de mercado, lançando um novo produto, serviço ou método. Uma idéia pode nascer espontânea ou induzida para solucionar um problema ou explorar um terreno de possibilidades comerciais inexploradas. Uma boa idéia pode salvar a lavoura.

Nos dias atuais, o peso da idéia tem sido mais do que nunca o ponto de corte para definir o resultado final da empreitada, seja ela qual for. A globalização, as tecnologias, essa estrutura dinâmica toda taí a serviço do desenvolvimento dos negócios entre as empresas e as pessoas, mas na maioria das vezes o projeto acaba morrendo por não ter aquele cromossomo ímpar que o tornaria realmente atraente. Projetos não deveriam nascer da conveniência das circunstâncias, deveriam ser apenas a etapa naturalmente posterior de uma grande idéia.

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Do que eu escrevi até aqui, aposto que ficou a idéia de que basta ter uma epifânia criativa para encher os bolsos de grana e usufruir uma vida plena. Seria muita pretensão e atrevimento de minha parte afirmar uma coisa dessas enquanto vencem as prestações do banco. Mas não.

O que realmente mexe com os meus instintos mais primitivos é quando vejo alguém faturando uma grana preta em cima de uma simples – e genial – idéia. Aquela sacada absolutamente perspicaz que você concebeu há algumas semanas mas não fazia a menor idéia de como aplicar em algo concreto.

Uma idéia só chega a virar ouro na sua mão quando você consegue transformá-la em uma proposta, um conjunto de regras funcionais para envolver outras pessoas no desenvolvimento da sua idéia sem perder a paternidade do conceito. E essa é a parte difícil. É o toque de Midas. É o trunfo de um bom negociador. É onde eu me fodo.

Eu nunca fui bom comerciante e não costumo insistir em deficiências que só me fazem perder dinheiro, por isso sempre queimei a mufa atrás de maneiras alternativas de estabelecer o valor pecuniário de uma idéia. Entre o feijão-com-arroz do mercado publicitário ortodoxo e o salmão fresco das propostas mais ousadas acabei sendo obrigado todo esse tempo a fazer uma dieta forçada à base de água e elogios.

Já que eu não estou no mercado e não sei qual a melhor porta para entrar metendo o pé, resolvi ir guardando as melhores idéias que tenho tido em todos os tempos para o bendito dia em que eu tivesse uma idéia genial que me dissesse o que fazer com tantas idéias. Como apresentá-las e como comercializá-las neste mar de investidores e empreendedores dispostos a enriquecer às minhas custas. A idéia que proporcionaria sentido a todas as outras. A idéia mãe, a idéia-mor.

Nessas horas de necessidade extrema, eu entoo o mantra secreto da dinastia Neuman e dou início ao ritual sagrado de floração cognitiva que muitos profissionais da área chamam de “brainstorm”. Depois eu faço uma oração pra São Jorge e espero pacientemente o momento da grande iluminação. Ainda que leve dias, meses ou décadas, uma hora ela bate.

E foi há algumas horas que veio, de supetão. Se instalou no meu HD cerebral com todas as pastas e subpastas configuradas com esmero, como se fosse um sistema perfeito e original para implementar no meu projeto maior. Mais uma vez tão evidente, tão óbvia, que não chega a ser novidade.

Estava na minha frente o tempo todo.