Cynthia Erivo falou, finalmente, sobre o que foi a divulgação de Wicked pra ela. Em entrevista recente, a atriz disse que sua humanidade foi deturpada durante o ciclo de promoção do filme, referindo-se diretamente aos memes e críticas que circularam enquanto ela e Ariana Grande estavam em turn por meio mundo.
O ponto mais tenso, segundo ela, foi a estreia em Singapura. O momento virou assunto porque prints e vídeos do evento foram editados, cortados e recontextualizados até virar combustível pra um tipo de narrativa que ela claramente não reconheceu como a própria história.
Ninguém comentou, mas boa parte desses memes tinha uma lógica bem específica: colocar as duas em competição. Ariana de um lado, Cynthia do outro, como se o sucesso de uma dependesse do fracasso da outra. A internet montou esse ringue sozinha e foi atrás de cada expressão, cada frame, cada segundo de footage pra confirmar a teoria.
Cynthia não entrou no jogo na época. Ficou em silêncio enquanto o ciclo durava. Agora, com o filme já no catálogo, ela escolheu falar, e a frase que usou é bastante direta: sua humanidade, não a personagem, não a atriz, a pessoa, foi deturpada.
Vou falar uma coisa: tem algo muito peculiar em assistir uma atriz negra ganhar uma das maiores estreias da Broadway adaptada pro cinema e, ao mesmo tempo, virar material de corte seletivo pra provar que ela estava infeliz, enciumada ou qualquer outra coisa que a narrativa precisasse naquele dia.
O desabafo de Cynthia não vem acompanhado de mágoa declarada ou nome apontado. Ela não citou Ariana, não atacou a imprensa, não listou os memes. Só nomeou o efeito: deturpação. Que é, na prática, o que acontece quando uma situação vira meme antes de qualquer pessoa ter a chance de explicar o que realmente estava sentindo.
A estreia de Singapura virou print. O print virou piada. A piada virou pauta. E a Cynthia que estava lá, ao vivo, ficou de fora de tudo isso.






