Juliana Baroni resolveu abrir o livro sobre o que era trabalhar como Paquita nos anos 90, e os números que ela entregou dizem muita coisa sobre como aquela máquina funcionava.
Num vídeo que circulou essa semana, ela contou que o cachê das Paquitas no auge do Xou da Xuxa era por gravação, não por salário fixo. Cada programa gravado rendia um valor separado, e nos momentos de pico da atração o dinheiro era considerável para a época. Ela não deu um número exato em reais, mas descreveu o sistema como algo que hoje soaria informal pra caramba pra um trabalho daquele tamanho.
O detalhe que fez o post virar assunto foi outro: Xuxa apareceu nos comentários e escreveu “mais pura verdade”. Pronto. A própria rainha chancelou cada palavra, o que transformou uma memória sentimental em documento histórico.
Vou falar uma coisa: tem muita gente que cresceu assistindo aquelas meninas de laço no cabelo sem fazer ideia de que o esquema de pagamento era assim. A imagem era de uma grande família cor-de-rosa. A realidade era cachê por programa, sem vínculo empregatício formal, num regime que hoje geraria no mínimo uma thread no Twitter.
Juliana disse ainda que na época achavam aquilo ótimo. E provavelmente era, considerando o que o mercado pagava pra artistas jovens nos anos 90. Contexto histórico importa. Mas a ironia de ouvir isso em 2026 é inevitável.
O que chama atenção é a naturalidade com que ela conta. Sem mágoa, sem processo, sem episódio polêmico nas entrelinhas. Só a memória de como aquilo funcionava, dita por quem estava lá e confirmada pela pessoa que comandava tudo.
Xuxa nos comentários validando os números das ex-Paquitas é o tipo de coisa que o documentário deixou de fora.






