Museu da Língua Portuguesa cancela exposição de funk após pressão política

Museu da Língua Portuguesa cancela exposição de funk após pressão política

A exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, no Museu da Língua Portuguesa, foi encerrada antes do prazo previsto. A curadora Renata Prado publicou uma carta aberta nas redes sociais com uma palavra: censura.

Segundo ela, a mostra virou alvo de políticos de extrema direita, que teriam pressionado o museu até a exposição sair do ar. Renata não detalhou publicamente quais nomes estiveram envolvidos, mas foi direta ao dizer que o encerramento antecipado não foi decisão da equipe curatorial.

O Museu da Língua Portuguesa fica em São Paulo e é um dos mais visitados do país. Receber uma exposição sobre funk faz todo sentido num espaço dedicado à língua brasileira viva, considerando que o gênero produziu décadas de vocabulário, gíria, sintaxe e poesia própria. Isso, obviamente, não foi o argumento que prevaleceu.

Vou falar uma coisa: em 2026, uma exposição num museu público sobre um ritmo que domina o Brasil há trinta anos ainda consegue ser tratada como pauta de combate cultural. Isso é quase mais revelador do que a própria censura.

A carta de Renata circulou rápido. Os comentários foram na linha de “esperado” e “que vergonha”, com o público do museu claramente indignado. Do lado oposto, os políticos citados indiretamente ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso.

O funk nunca precisou de museu pra existir. Mas o fato de ter chegado lá, e de ter sido retirado por pressão política, diz mais sobre quem está com medo do que sobre quem está com o microfone.