Em 2012, enquanto o funk ostentação tomava São Paulo com letras sobre Nike, BMW e balada VIP, uma música de MC Federado e os Lelek saiu do eixo paulistano e foi parar nos pés de Beyoncé. Literalmente.
“Ah Lelek lek lek” virou um dos maiores fenômenos do funk ostentação daquele ano, mas o que ninguém calculou foi o raio de alcance. A faixa chegou até Neymar, que fez questão de registrar o passinho do volante, e até à rainha do pop, que também embarcou na dança. Dois nomes que, em qualquer outra hipótese, não estariam na mesma frase que um MC de São Paulo em 2012.
O funk ostentação tinha uma lógica própria: letras que não escondiam o desejo de consumo, batida grossa, e uma estética que era quase uma resposta ao carioca. São Paulo tinha o seu som agora, e ele falava de relógio importado e tênis de trezentos reais. “Ah Lelek lek lek” entrou nessa onda, mas ultrapassou a praia.
Neymar na época já era o jogador mais comentado do Brasil e qualquer coisa que ele fizesse virava print. Quando gravou dançando a música, foi combustível suficiente para escalar ainda mais. Beyoncé apareceu depois, e aí a narrativa ficou impossível de ignorar: um funk gravado em São Paulo havia atravessado o Atlântico e chegado a uma das artistas mais monitoradas do planeta.
Vou falar uma coisa: tem algo genuinamente engraçado na ideia de Beyoncé fazendo o passinho do volante por causa de um funk de ostentação paulista. Não é crítica. É só que o universo claramente tem senso de humor.
O alcance da música também diz algo sobre como o funk ostentação funcionava como produto cultural naquele momento. A batida era acessível, a dança era replicável, e o gancho fonético de “lelek lek lek” fazia o que qualquer hit precisa fazer: grudar. Não importava se você estava em Guarulhos ou em Los Angeles. O loop funcionava nos dois lugares.
MC Federado e os Lelek não viraram superstars globais depois disso, mas ficaram com um currículo que a maioria dos artistas brasileiros nunca vai ter. A faixa entrou para a lista de 20 hits em 20 anos de funk com um argumento difícil de refutar.
Beyoncé já dançou muita coisa na vida. O passinho do volante provavelmente não estava nos planos.






