Xuxa Meneghel abriu a turnê “O último voo da nave” em São Paulo com um espetáculo de 37 músicas divididas em seis atos, percorrendo os 40 anos de carreira que a tornaram uma das maiores vendedoras de discos da história da indústria fonográfica brasileira. O show revisita desde os primeiros sucessos no mercado infantil até os clássicos que criaram gerações inteiras de fãs.
A produção tem fôlego de retrospectiva. Seis atos para cobrir quatro décadas significa que ninguém vai embora antes de meia-noite com saudade na garganta, e provavelmente vai embora mesmo assim.
O título chama atenção. “Último voo” soa como despedida, mas 37 músicas em cartaz não é exatamente linguagem de quem está fechando as malas. É o tipo de “último” que a indústria do entretenimento usa com muita liberdade criativa.
Ninguém vai reclamar. A Xuxa construiu um catálogo que funciona como memória afetiva coletiva para praticamente qualquer brasileiro que teve acesso a uma TV nos anos 80 e 90. “Ilariê”, “Arco-íris”, “Abecedário da Xuxa”, o repertório praticamente se autoapresenta. A questão é que revisitar 40 anos de sucesso num único espetáculo é uma declaração de tamanho, e 37 músicas confirmam que ela levou isso a sério.
Vou falar uma coisa: tem poucas atrações brasileiras que conseguem encher de significado um show que faz a plateia cantar junto sem nem precisar puxar letra na tela. Xuxa é uma delas, e esse repertório prova o motivo.
O espetáculo tem estrutura de cinema, com os seis atos funcionando como capítulos de uma carreira que, convenhamos, ainda está voando. A turnê segue para outras cidades após a estreia paulistana, então quem ficou de fora da abertura ainda tem chances.
Quarenta anos de mercado infantil revisados num palco só. Se isso é o último voo, a nave decolou bem.






