Body positive emagreceu: quando o ativismo virou tendência passageira

Body positive emagreceu: quando o ativismo virou tendência passageira

O movimento body positive que dominou o Instagram entre 2015 e 2020 está, ironicamente, encolhendo. Influenciadoras que construíram audiência pregando aceitação corporal estão emagrecendo, mudando de estética e, em alguns casos, de discurso. No Brasil, Beta B.oechat foi uma das pioneiras do segmento e também uma das primeiras a seguir nessa direção.

O ciclo é conhecido: começa com um grupo pequeno, genuíno, com causa real. A internet amplifica. As marcas patrocinam. Vem o backlash. Vem o esquecimento. O body positive não fugiu da regra.

Na prática, o que aconteceu foi uma espécie de cooptação lenta. O movimento que nasceu como resposta a padrões impossíveis foi adotado por marcas de fast fashion, campanhas de lingerie e departamentos de marketing que precisavam de diversidade sem precisar mudar nada estrutural. Virou estética antes de virar política. E estética, a internet cansa rápido.

Ninguém comentou muito, mas o pico do body positive coincide quase perfeitamente com o pico do Instagram como plataforma de comportamento. Quando o TikTok assumiu o ritmo das tendências, a lógica mudou: corpos em movimento, transformações, antes e depois. O algoritmo novo tinha preferências diferentes do algoritmo velho.

Tem também a questão do GLP-1, os remédios como Ozempic e Mounjaro que viraram conversa mainstream a partir de 2023. Eles não mataram o body positive, mas criaram um atalho novo para um assunto que o movimento tentava tornar irrelevante. Quando emagrecer ficou mais fácil, a aceitação ficou mais difícil de vender.

As influenciadoras que ficaram no segmento enfrentam um problema real: o público que as seguia por identificação pode não acompanhar uma mudança de corpo, e o público novo não as conhece pelo conteúdo anterior. É uma encruzilhada com câmera ligada.

O que sobra do body positive em 2026 são as bordas: pesquisadoras, ativistas que nunca dependeram de patrocínio de marca de iogurte, pessoas que levavam o assunto a sério antes de virar pauta de campanha de verão. O núcleo influencer do movimento está em silêncio ou em outra fase.

Tendência que virou ativismo que virou nicho de mercado que virou nostalgia de feed. O body positive não morreu, só ficou do tamanho que sempre deveria ter sido.