Simone estreia “Que mulher é essa?” no Vivo Rio e acerta em cheio

Simone estreia "Que mulher é essa?" no Vivo Rio e acerta em cheio

Simone pisou no palco do Vivo Rio no dia 7 de agosto de 2026 com 22 músicas e uma proposta que não pede licença: falar de mulher, de sexo, de poder, de tudo aquilo que andava sem letra boa para cantar. O show se chama “Que mulher é essa?” e, pela estreia carioca, a resposta ficou bem clara.

A grande virada desta fase foi trazer Ana Frango Elétrico para a direção musical. Parece aposta improvável no papel, mas funcionou com uma naturalidade que surpreende. Ana deu ao repertório um frescor que as tentativas anteriores de renovação de Simone nunca conseguiram sustentar por muito tempo.

E olha, a cantora vem tentando sacudir a própria trajetória desde pelo menos 2001, quando o álbum “Seda pura” sinalizou que ela queria sair das fórmulas que o mercado fonográfico colou nela nos anos 1980 e 1990. Alguns movimentos renderam, outros esfriaram rápido. “Que mulher é essa?” é o primeiro que parece ter fôlego de verdade.

A crítica do G1 assinou cinco estrelas para a apresentação e definiu como o melhor show solo de Simone no século XXI. Isso considerando uma cantora em cena desde 1973, com timbre singular e força cênica que a casa lotada do Vivo Rio confirmou na prática.

O roteiro de 22 músicas percorre questões femininas sem soar panfletário. Esse é o detalhe que normalmente afunda esse tipo de proposta: o tom de manifesto que cansa antes do intervalo. Aqui, segundo o crítico Rodrigo Goffredo, a abordagem é contemporânea sem ser didática. Simone canta o tema, não explica o tema.

Vale lembrar que os encontros recentes da cantora com Ivan Lins, em 2018, e com Francis Hime, em maio deste ano, já tinham rendido noites antológicas. Mas eram colaborações. “Que mulher é essa?” é um show solo, e a diferença importa: aqui Simone carrega o palco inteiro.

Vou falar uma coisa: quando uma artista de mais de cinquenta anos de estrada encontra a parceira certa e entrega o melhor show da fase adulta da carreira, a pergunta deixa de ser “será que ainda tem fôlego?” e vira outra completamente diferente.

Simone não voltou. Ela simplesmente ainda não tinha chegado aqui.