Na quarta-feira, 21 de outubro, o que seria mais uma gravação do SuperPop virou um impasse digno de capítulo final de novela. Cariúcha chegou à RedeTV!, percebeu que Rico Melquiades estava confirmado como convidado, ficou abalada, chorou nos bastidores e deixou a emissora antes mesmo de subir ao palco. A gravação foi cancelada.
A apresentadora já tinha sinalizado à produção que não queria fazer a entrevista com Rico, segundo relatos publicados pelo jornalista Lucas Pasin, do Metrópoles. Mesmo assim, teria sido surpreendida ao chegar e descobrir que a gravação seguia prevista. Ela teria dito que preferia ser demitida a conduzir o programa naquelas condições.
O motivo, segundo a própria Cariúcha, não era divergência eleitoral, embora ela apoie Lula e Rico tenha declarado voto em Flávio Bolsonaro. “O problema são os ataques que ele faz às pessoas trans”, disse ela, conforme publicado pelo portal Fofoka. A apresentadora tem uma filha trans e relatou que temia perder o controle emocional durante a entrevista.
Rico chegou à emissora sem saber de nada. Ficou sabendo do cancelamento na portaria. Em vídeo publicado nas redes, apareceu abalado: “Eu tô querendo chorar de verdade. Vim gravar e quando cheguei na entrada, falaram que o programa tinha sido cancelado.” Num primeiro momento, disse acreditar que Cariúcha não tinha responsabilidade pelo ocorrido e que a considerava amiga.
O tom mudou quando a apresentadora explicou publicamente seus motivos. Na mesma noite, Rico publicou: “Estou me tremendo de ódio dessa mulher.” Também contestou a versão de que ela teria sido surpreendida com sua participação e divulgou o print de uma suposta conversa em que aparece a mensagem “Tá tudo certo você amanhã comigo”, atribuída a Cariúcha. O print levanta dúvidas sobre a versão dos bastidores, mas não explica o que aconteceu entre essa conversa e o cancelamento.
Segundo informações publicadas pela imprensa, outros oito convidados também teriam recusado participar do programa ao lado de Rico. O histórico do influenciador ajuda a contextualizar: além do apoio a Flávio Bolsonaro, ele publicou um vídeo ameaçando demitir uma funcionária caso ela votasse no PT, o que motivou uma investigação do Ministério Público Eleitoral por suspeita de coação eleitoral.
A RedeTV! não emitiu explicação oficial detalhada sobre o cancelamento. O que ficou registrado: dois desabafos, uma printagem, um choro em cada lado e uma amizade que não vai precisar de roteirista pra piorar.






