Lois Kinder, 44 anos, encontrou a ashwagandha no TikTok em julho de 2025. A promessa era boa: aliviar sintomas da perimenopausa, relaxar, sentir-se melhor. Toda manhã, duas gomas do suplemento. Por um ano inteiro.
Um ano depois, ela estava com pele amarelada, olhos amarelados, vomitando com frequência. Os sintomas clássicos de icterícia. O médico que a atendeu primeiro não pareceu muito preocupado, pediu exames de sangue e uma tomografia do fígado. Rotina.
Não era rotina nenhuma.
Em 13 de julho, Lois entrou em falência hepática aguda. Veio a parada cardíaca. Depois os danos cerebrais. Os médicos identificaram a ashwagandha como causa do colapso hepático. O marido, Oliver Kinder, contou ao The Mirror que ela sempre dizia que, depois de tomar a goma, se sentia melhor e mais relaxada. O suplemento que deveria relaxar destruiu o fígado dela.
A ashwagandha virou febre global nas redes exatamente por parecer inofensiva: erva asiática, vende por 5 libras numa prateleira, aparece em todo segundo vídeo de bem-estar. No Reino Unido está disponível livremente. No Brasil, a Anvisa proibiu a venda desde 2022, mas o consumo ainda é possível via manipulação, com acompanhamento médico.
O problema com trend de suplemento no TikTok é que o algoritmo não faz anamnese. Ninguém no vídeo pergunta se você tem predisposição hepática, se usa outros medicamentos, se vai tomar isso todo dia por doze meses seguidos. A conta, quando chega, é outra.
Lois precisou de transplante de fígado. O caso está sendo relatado publicamente pelo marido justamente para alcançar quem ainda está comprando o suplemento achando que é coisa simples porque viu numa trend.
Vou falar uma coisa: o fato de custar 33 reais e aparecer num vídeo fofo não transforma uma erva com efeito farmacológico real em bala de goma.






