A abordagem das campanhas públicas contra as drogas nunca me pareceu funcionar muito bem. Você vira pra um adolescente cheio de energia e vontade de fazer merda e fala pra ele: “Não use drogas!”. De jeito nenhum. Mesmo. Logo adiante o mesmo jovem está diante de um anúncio de cerveja repleto de pessoas felizes, mulheres saradas e energias positivas. Em mais algum tempo o cara descobre que o termo “drogas” expressa uma vasta lista de substâncias utilizadas das mais diferentes formas, em diferentes níveis de liberalidade.
Me pergunto, se há pouco descobriram que a única forma de tentar garantir uma vida sem traumas sexuais para crianças e adolescentes é educar com liberdade e informação, por que não se conclui de uma vez por todas que assim devem ser enfrentados todos os outros problemas da sociedade? Enquanto os adultos não suportarem a idéia de chacoalhar suas caixas cranianas para enfrentarem os seus próprios tabus, vai ser muito difícil promover qualquer tipo de transformação.
Antes que essa introdução fique ainda mais longa e prolixa, apresentamos o artigo do autor convidado Archimedes Marques, Delegado de Polícia no Estado de Sergipe, sobre esta calamidade social brasileira, o crack, também conhecido como “nóia da pedra”:
Crack, a droga que não forma craques
Estamos em aguda e profunda crise urbana e social relacionada ao crack, essa droga avassaladora, aniquiladora e mortal que vem fazendo vítimas e mais vítimas diariamente em todo canto do nosso país. O crack traz a morte em vida do seu usuário, arruína a vida dos seus familiares, aumenta a criminalidade onde se instala, degrada e mata mais do que todas as outras drogas juntas.
De poder sobrenatural, o crack pode viciar o usuário já na sua primeira ou segunda experiência e o que vem depois é a tragédia certa. Crack e desgraça são indissociáveis e quase palavras sinônimas. Relatos dos seus usuários e familiares, fatos policias diários e opiniões de especialistas sobre os efeitos e as conseqüências nefastas da droga podem ser resumidos em três palavras tão básicas quanto contundentes: sofrimento, degradação e morte.
A composição química do crack é simplesmente horripilante e estarrecedora. A partir da pasta base das folhas da coca acrescentam-se outros produtos altamente nocivos a qualquer ser vivo, tais como: ácido sulfúrico, querosene ou solvente e a cal virgem, que ao serem processados e misturados se transformam numa pasta endurecida homogênea de cor branco caramelizada onde se concentra mais ou menos 50% de cocaína, ou seja, meio à meio cocaína com os outros produtos altamente nocivos citados. A droga é fumada pura, misturada num cigarro comum ou num cigarro de maconha que recebe a denominação de “bazuca”.
A fumaça altamente tóxica do crack é rapidamente absorvida pela mucosa pulmonar excitando o sistema nervoso, causando inicialmente euforia e aumento de energia ao usuário, com isso advém a diminuição do sono e do apetite com a conseqüente perda de peso bastante rápida e expressiva. Logo os efeitos nefastos aparecem para os seus usuários, tais como: aceleração ou diminuição do ritmo cardíaco, dilação da pupila, elevação ou diminuição da pressão sanguínea, calafrios, náuseas, vômitos, convulsão, parada respiratória, coma ou parada cardíaca, infarto, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, para os fracos e debilitados usuários sobreviventes, ao longo do uso da droga, há perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico que faz parte da composição química do produto assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição. O crack também causa a destruição dos neurônios e provoca a degeneração dos músculos do corpo do seu usuário, fenômeno esse conhecido na medicina como rabdomiólise, o que dá aquela aparência esquelética ao indivíduo com ossos da face salientes, pernas e braços finos e costelas aparentes.
O crack é tão perigoso que até o próprio traficante que tem consciência desse perigo, de tal droga não faz uso. Dificilmente e raramente um traficante usa o crack o que não ocorre com os outros tipos de drogas em que muitos deles também as utilizam em consumo próprio.
A disseminação do crack é constante e diariamente prende os menos avisados assim como uma teia de aranha para as suas presas, transformando as suas vítimas em verdadeiros mortos-vivos a perambular pelo submundo da sociedade.
Pesquisando junto às opiniões dos médicos e especialistas em tratamento dos drogados conclui-se que realmente estamos perante uma epidemia, porque há um número explosivo de casos nos últimos três anos. Antes era uma raridade, havia nas unidades hospitalares especializadas 90% de outras dependências e 10% de crack. Hoje há o contrário. É unânime o conceito dos especialistas em afirmarem categoricamente que o crack é uma droga diferente das outras, muito mais severa e contundente. Não há outra droga que produza um declínio físico e mental maior para o viciado quanto o crack.
Segundo estudos realizados por especialistas na área, as dificuldades para o tratamento dos viciados em crack também são imensas, por isso, a grande preocupação das autoridades ligadas ao tema da intensa problemática. É preciso de extrema força de vontade do próprio viciado para poder se livrar desse malefício infernal.
A conscientização e o investimento em massa na área da educação e na prevenção, com aulas, palestras, seminários e um convívio mais profundo e dialogado no seio da sociedade especialmente entre pais e filhos, poderá livrar-nos dessa epidemia. Não podemos achar que a polícia ou a medicina resolverão os problemas, que, muitas vezes, se iniciam nos lares, escolas e outros lugares de convivência, principalmente dos jovens, mais expostos, por vários motivos, à atração do mundo das drogas.
No País do futebol precisamos sempre formar mais e mais competentes e excelentes atletas craques da bola, do esporte e não incompetentes e debilitados cracks desta droga satânica.
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Archimedes Marques é Delegado de Policia no Estado de Sergipe e Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS.

17 pedradas[...] This post was mentioned on Twitter by Equipe Treta, Bruno Sanches. Bruno Sanches said: Li no Treta: A Pedra da Morte http://bit.ly/6m8voM [...]
Parabéns pelo post. E parabéns pela iniciativa do blog, sempre vemos humor aqui, mas é sempre bom ter um texto para refletir.
Nesse quesito o Brasil perde de GOLEADA dos Hermanos Argentinos… Enquanto os “malucos” argentinos não precisam sair de casa pra ficar “legal”, os brasileiros têm de ser comparados à essa turma de nóias fdp e financiar esses traficantes safados…como papai já dizia…”um dia agente ainda vai sentir saldades da planta”
Olá, Treta/Equipe. Sigo o Treta no reader (gosto muito), e quando li este post achei interessante, parabéns pelo papel informativo.
Sou a favor da legalização da criação, venda e consumo de drogas, embora não seja usuário. Acho que existem muitos outros inebriantes tanto quanto maléficos à saúde por aí. Mas vejo que o crak é realmente um tóxico perigoso. Tal qual a heroína (pelo que dizem), só que agora a pedra está na moda… Dura realidade.
Fiz questão de enviar esse texto pro prefeito da minha cidade!!!
Otimo post, caro Ivo, sou dependente quimico em recuperação, estou limpo a mais de 3 anos, fiz uso do crack por uns 5 anos, mas não posso deixar de comentar que só cheguei ao crack fazendo uso de outras drogas, o caminho é quase sempre o mesmo, cigarro, alcool, maconha, cocaina, bala, doce, nem sempre nesta ordem, mas a maioria nunca começa fumando pedra, qualquer tipo de droga leva a degradação, a diferença é que no crack isso é mais evidente e mais rápido.
Adoro o Treta e acompanho a muito tempo, parabéns!
Parabéns pela postagem!
Muito esclarecedora e Interessante, Já considerava o Treta excelente, e depois dessa iniciativa, ganharam mais um ponto!!!
Sou leitor assíduo do blog, e foram de uma felicidade extrema com essa post, é de pessoas assim que precisamos!
Bela abordagem!
Belas imagens!
Belo texto!
Simplesmente nota 10!
Parabéns pelo post..
com certeza o crack é o fim do poço..e concordo descordando do comentário do totonho..o caminho é realmente sempre o mesmo para quem chega nesse ponto..mas não são todos que chegam a esse ponto..eu por exemplo sou usuário de maconha há alguns anos..nunca passei desse ponto..nunca tive curiosidade de experimentar outras drogas, e digo que sou assim por ter acesso fácil a informaçao e cultura que é o que falta nesse país de merda que moramos onde tudo que faz efeito é dinheiro nos bolsos ricos e miséria nas cabeças pobres..nao sou a favor da legalizaçao da maconha nem de qualquer outra droga..sou a favor da discriminalização e SÓ da maconha, pqe analisando por todos os lados, a maconha é uma ”droga” tao comum quanto cerveja e cigarro..falta cultura no país..
Há menos de uma ano, meu cunhado, usuário de crack, suicidou-se em decorrência do vício, deixando pra trás dois filhos que agora vão crescer sem conhcê-lo. O crack realmente destrói vidas e ninguém parece estar realmente trabalhando para combater esse problema, que é tratado hipócrita e displicentemente por aqueles que discutem a discriminalização ou não das drogas. Enquanto não houver uma discussão séria e imparcial por parte de toda a sociedade, continuaremos a perder milhares de pessoas para as drogas.
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This post was mentioned on Twitter by treta: Novo post: A Pedra da Morte http://bit.ly/6m8voM…
Sem dúvidas que o crack realmente é a pior das drogas que mais circulam por ai, melhor do que um texto desse, é conhecer uma pessoa que foi viciada durante um tempo e ver até que estado ela chegou…essa droga detona a pessoa…Só acho que quem chega ao ponto de usar rocha, é quem não tem muita noção do que faz. A pessoa vai exprimentando de tudo e se acha o Super Homem, quanto mais doida a pessoa ficar, melhor será pra ela, ou usa pra fugir dos problemas ou fugir dos problemas, só que é uma falsa realidade e quase todos os usuários não querem acreditar ou entender isso…por isso se acabam na droga.
Muitos acham que fugir dos problemas é a solução ideal, só que é uma falsa ilusão…
Um vídeos p/ ilustrar: http://www.badtom.net/2010/01/video-piaba-fala-sobre-o-crack-pedra-do.html
Crack é uma praga mesmo.
Alcool só faz mal por causa da irresponsabilidade dos que consomem, pq acaba sendo uma compensação para algo, pois essa mulecada acaba transferindo para a bebida ou para o ato de beber inseguranças e outros problemas. Junta-se a isso a falta de alteridade e a falta de resposnabilidade, temos jovens morrendo e matando. Tudo que é excessivo faz mal. Bebo, mas não muito.
Maconha e Cigarro: Tudo que é em excesso faz mal, não uso nem fumo. Mas não sou contra.
Mas existem drogas que fogem do controle que acabam por viciar muito mais fácil do que as “drogas” acima. Essas são um grande problema. Cocaina, heroina e crack são só exemplos delas.
boa citacao da vasta compreensao que a palavra drogas abrange, no caso ate chocolate eh droga
Muito importante tocar nesse assunto. Familias estão sendo destruidas devido a ascensão desenfreada do crack.
ps.: estou kibando(copiando) esse post na integra, espero que não se importe.
Muito bom e interessante esse artigo.
Eu já convivi com amigos que eram usuários de crack e sempre terminavam de maneira ruim, era de dar pena da pessoa.
[...] Texto: A pedra da morte [...]
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