Lenine tocou no Tokyo Marine Hall, em São Paulo, no dia 30 de maio de 2026, com o show “Eita”, e saiu de lá com casa lotada e 4,5 estrelas na crítica. Não é pouco.
O set girando em torno do álbum mais recente entregou o que o artista pernambucano vem prometendo desde o lançamento: uma teia de afetos que não tem vergonha de ter opinião. Músicas que falam de amor com a mesma seriedade que falam de posicionamento. Sem aquele embaraço de quem tenta separar os dois.
O que chamou atenção na noite foi exatamente essa tensão que ele não tenta resolver. Lenine alterna entre momentos quase contemplativos, com arranjos que pedem silêncio, e passagens que deixam claro que o cara tem lado. A plateia foi junto nos dois.
Tem gente que acha que show “político” perde em emoção. Alguém esqueceu de avisar o público do Tokyo Marine Hall, que ficou em pé quando precisava e em silêncio quando o palco pedia.
Visualmente, o show também trabalhou. Iluminação que acompanha a dinâmica do repertório, sem aquele excesso de efeito que tenta compensar o que a música não entrega por si mesma. Aqui a música entrega. A produção só sublinha.
A construção do setlist seguiu uma lógica que o álbum “Eita” já ensaiava: abrir o afeto devagar, deixar o ouvinte se instalar, depois apertar. Funciona ao vivo com mais impacto do que no streaming, porque o silêncio entre as notas tem peso diferente quando tem gente respirando ao seu lado.
Literalmente um dos poucos shows em que a crítica e o público chegaram no mesmo lugar sem precisar combinar.
Aos 66 anos de carreira construída fora do eixo do que a indústria sempre esperou dele, Lenine continua operando num frequência própria. “Eita” ao vivo não é apresentação de disco. É argumento.
Quatro estrelas e meia é a nota. O ingresso esgotado foi o spoiler.






