Rosa no céu: Maria Luiza Jobim e Marcelo Camelo fizeram um álbum que finalmente entrega

Rosa no céu: Maria Luiza Jobim e Marcelo Camelo fizeram um álbum que finalmente entrega

O primeiro álbum de Maria Luiza Jobim, “Casa branca”, chegou sem deixar muito rastro. Bonito por fora, vago por dentro. Não faltava técnica nem sobrenome, mas faltava o que ninguém consegue emprestar: uma voz que pareça dela.

“Rosa no céu” é outra história. Feito em parceria com Marcelo Camelo, o disco saiu com quatro estrelas na crítica do G1 e com algo raro em segundo álbum de artista em formação: a sensação de que a pessoa finalmente chegou em si mesma.

Camelo não entrou como produtor contratado. Entrou como parceiro de composição, e essa diferença aparece em cada faixa. O repertório tem aquela leveza aparentemente fácil que, na prática, exige bastante controle pra não virar açúcar. Maria Luiza segura o tom. A crítica usou a palavra “requintada” e não parece exagero.

O que mudou entre os dois discos não foi uma virada de estilo nem uma reinvenção de marketing. Foi o processo. Escrever junto com alguém que já achou o próprio caminho tende a funcionar como espelho. Você vê onde está, onde pode ir, o que não precisa forçar. A Maria Luiza de “Rosa no céu” parece menos preocupada em provar algo e mais interessada em habitar as músicas que fez.

Vou falar uma coisa: disco com Jobim no sobrenome e Camelo no crédito de composição carregava expectativa pesada. Poderia ter afundado em referências ilustres ou em tentativa de agradar dois públicos ao mesmo tempo. Não afundou.

As canções têm cara de canção, não de exercício. A leveza que a crítica aponta não é leveza de pouco conteúdo, é leveza de quem não precisa gritar pra ser ouvida. Isso é técnica e também é confiança, e confiança é a coisa que “Casa branca” claramente não tinha ainda.

Segundo álbum costuma ser o mais difícil porque a pressão já existe mas a identidade ainda está se formando. Maria Luiza pegou esse momento e trouxe um colaborador que não apagou a voz dela, ajudou a achar o volume certo.

“Rosa no céu” não vai fazer barulho de hit de streaming. Vai fazer o outro tipo de barulho, aquele que fica depois que o álbum acaba e você volta na segunda faixa sem saber exatamente por quê.