Cantora iraniana condenada a 74 chibatadas por cantar sem hijab em live

Cantora iraniana condenada a 74 chibatadas por cantar sem hijab em live

A cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi condenada a 74 chibatadas e recebeu proibição de exercer atividade artística depois de aparecer sem hijab em uma transmissão ao vivo no YouTube. A sentença foi confirmada por organizações de direitos humanos que acompanham o caso.

A live foi o único “crime” documentado. Ahmadi cantou com o cabelo descoberto. O regime iraniano enquadrou isso como infração suficiente para pena corporal e silenciamento profissional.

A condenação não parou nela. Integrantes da equipe de produção da transmissão também foram atingidos pela sentença, o que indica que o alvo era a existência inteira daquela apresentação, não só quem estava na frente da câmera.

Vou falar uma coisa: 74 chibatadas é um número específico demais pra ser acidental. Tem um recado embutido na precisão da punição. A mensagem não é “você errou”. A mensagem é “a gente contou cada segundo daquele vídeo”.

O caso ganhou repercussão internacional e foi levado por organizações de direitos humanos como exemplo do aperto do regime sobre artistas mulheres no Irã, especialmente após as manifestações de 2022 que colocaram o hijab no centro do debate político do país.

Parastoo Ahmadi não fez discurso. Não foi a um protesto. Cantou em uma live com o cabelo solto e o Estado iraniano respondeu com uma sentença que cabe em papel timbrado.

O absurdo aqui dispensa comentário editorial. Uma apresentação musical transmitida pelo YouTube terminou com pena corporal e proibição de trabalhar. A repressão não precisou nem esperar virar notícia para agir.

Organizações internacionais já pediram revisão da sentença, mas ainda sem resposta oficial do governo iraniano.