A cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi condenada a mais de 70 chibatadas depois que uma live dela viralizou nas redes. O motivo: ela se apresentou sem hijab enquanto interpretava Az Khoone Javanane Vatan, que traduz como “Do Sangue da Juventude da Pátria”. Uma canção patriótica. Punida pelo Estado que a canção homenageia.
Junto com ela, oito membros da equipe de produção também foram sentenciados. A apresentação foi transmitida ao vivo, saiu do controle do algoritmo iraniano e chegou onde o regime preferia que não chegasse.
O contraste não precisa de comentário, mas vai ter um assim mesmo: o governo iraniano achou uma forma de transformar um ato de amor ao país em processo criminal. Ninguém pediu pra eles fazerem isso, mas fizeram.
Parastoo não estava fazendo protesto explícito. Estava cantando. Sem véu, é verdade, mas o repertório escolhido era o tipo de coisa que o Estado costuma colocar em parada militar. A web notou essa ironia antes de qualquer analista político.
Vou falar uma coisa: quando a punição por cantar uma música patriótica é chicotada, o problema claramente não é a música.
A sentença ainda pode ser revista, segundo relatos de veículos que acompanham o caso, mas por enquanto está em pé. Ahmadi e sua equipe aguardam desdobramentos enquanto o vídeo da apresentação continua circulando fora do Irã, visto por pessoas que jamais ouviriam Az Khoone Javanane Vatan em qualquer outra circunstância.
O regime tentou apagar. Conseguiu o efeito oposto. A cantora foi punida e a canção nunca teve tanta audiência.






