Daniela Mercury vai entrar para a história do Grammy Latino como a primeira artista de axé music a receber o Prêmio à Excelência Musical, o chamado Lifetime Achievement Award. A cerimônia da 27ª edição está marcada para 9 de novembro, e o anúncio já virou assunto antes mesmo do palco.
O prêmio é dado a artistas cuja carreira inteira justifica a homenagem. Nenhum disco novo, nenhuma campanha. Só o peso do que foi feito. E no caso de Daniela, o que foi feito é considerável: “O Canto da Cidade”, lançado em 1992, vendeu mais de três milhões de cópias e colocou o axé no mapa internacional numa época em que isso não era óbvio.
Vou falar uma coisa: axé music sempre foi tratado como produto de verão pela crítica especializada. Animação de trio elétrico, música de carnaval, coisa que some em março. O fato de o Grammy Latino reconhecer uma artista do gênero com o prêmio máximo de carreira diz algo sobre revisão de narrativa.
Daniela construiu a carreira numa interseção que não era fácil de navegar: era baiana, era mulher, fazia axé e ainda assim negociou espaço internacional. Turnês pela Europa, apresentações nos Estados Unidos, colaborações com artistas de fora do Brasil. A conta chegou agora, em 2026, na forma de um Grammy com seu nome.
O Prêmio à Excelência Musical já foi para nomes como Caetano Veloso, Roberto Carlos e João Gilberto no lado brasileiro. Daniela entra nessa lista como a representante de um gênero que esses nomes, com todo o respeito, nunca foram. Primeira do axé, primeiro Grammy dessa categoria para uma artista da Bahia nesse recorte específico.
A cerimônia completa acontece em novembro, mas o anúncio já foi o suficiente para a internet lembrar de “Swing da Cor”, “Ilê Ayê” e aquela coreografia que uma geração inteira sabe de cor sem nunca ter ensaiado.
Trinta anos depois de “O Canto da Cidade”, o Grammy Latino concluiu o óbvio.






