Dona Onete aos 87: “Ainda estou de pé” depois de recuar por saúde

Dona Onete aos 87: "Ainda estou de pé" depois de recuar por saúde

Dona Onete completou 87 anos no dia 18 de junho de 2026 e, antes de qualquer celebração, ela mesma colocou as cartas na mesa: teve que recuar em algum momento por pedidos médicos. E então emendou, com a leveza de quem sabe exatamente o peso do que está dizendo: “Estou vencendo. Ainda estou de pé.”

O mês de junho chegou duplo pra ela. Além do aniversário, é o mês que marca uma década do Banzeiro, o disco que apresentou os sons e as encantarias da Amazônia pra um mundo que mal sabia que precisava disso. Lançado em 2016, o álbum transformou a paraense de Cachoeira do Arari numa referência internacional do carimbó chamegado, ritmo que ela carrega com uma autoridade que não se aprende, se nasce.

Vou falar uma coisa: tem artista que chega aos 87 como legado emoldurado em museu. Dona Onete chega como pessoa que ainda tem conta a prestar, disco a fazer e declaração a dar.

A admissão sobre a saúde não veio como drama, nem como apelo. Veio como dado, seguido de uma virada imediata. Esse movimento, aliás, é o dela: reconhecer o que pesou e continuar andando. A frase “ainda estou de pé” carrega mais história do que qualquer nota de imprensa conseguiria resumir, uma artista que estreou na carreira fonográfica depois dos 70 anos, que virou nome de festival e playlist antes que o mainstream lembrasse que a Amazônia tem cultura própria e urgente.

O Banzeiro fez dez anos com o peso de quem cumpriu o que prometia na faixa-título: balançar. Balançou o mercado, balançou o mapa da música brasileira, colocou o Marajó em conversa com palcos que a artista nem imaginava pisar quando ainda cantava nos bailes da cidade.

Oitenta e sete anos, um recuo médico assumido sem cerimônia, e uma frase que serve de encerramento e de abertura ao mesmo tempo. Dona Onete não precisa de nenhum adjetivo extra. A conta já fecha.