Julia Guedes vai lançar seu primeiro álbum em agosto. Músicas autorais, produção própria, repertório em português e espanhol. Tudo certo, exceto pelo detalhe de que o arranjador das cordas é Wagner Tiso e o avô é Beto Guedes. Sair da sombra com essa escolta é um projeto ambicioso.
O disco inclui faixas como “Estranha nuvem” e “Sus mareas”, e já tem data marcada. Julia tem construído carreira fora do holofote familiar, o que, dado o tamanho do holofote em questão, é uma escolha que exige esforço ativo. Beto Guedes é um dos nomes centrais do Clube da Esquina. A família já gravou o Brasil inteiro, como dizem.
O interessante é que Julia não está negando a herança. Wagner Tiso ali nas cordas é uma escolha, não uma coincidência. Ele era parceiro do avô, arranjador histórico do Clube da Esquina, e agora aparece no primeiro trabalho dela. Dá pra ler isso como homenagem, como continuidade ou como o tipo de rede que só existe quando você nasceu nessa família. Provavelmente as três coisas ao mesmo tempo.
Vou falar uma coisa: lançar “primeiro álbum autoral” quando o sobrenome já tem catálogo de décadas é uma das posições mais difíceis da música brasileira. Ou o disco é bom e as pessoas dizem que era óbvio. Ou o disco é mediano e o sobrenome vira explicação. Não tem terceira saída fácil.
O que chama atenção nas faixas divulgadas até agora é que Julia parece estar construindo uma estética própria, com influências que não são exatamente o som do avô. “Sus mareas” em espanhol já é um sinal de que ela não está tentando fazer Clube da Esquina 2026. Isso conta a favor.
O álbum chega em agosto. A comparação já chegou antes.





