Anitta vira Carmen Miranda e entrega brasilidade no “Equilibrium II”


Depois de anos construindo uma carreira internacional tijolo por tijolo, Anitta lançou “Equilibrium II” nesta terça-feira, 23 de julho, com um plot twist que a internet não estava esperando: o disco é cheio de brasilidade. Samba, forró, referências a Djavan e uma fantasia de Carmen Miranda que parece saída de um carnaval de 1943.

O álbum chegou às 21h e já no visual de divulgação ela aparece caracterizada como a Pequena Notável, com frutas na cabeça e tudo. Não é só estética. O som confirma: “Equilibrium II” aposta nas raízes que Anitta passou anos tentando deixar do lado de fora quando batia na porta do mercado gringo.

A ironia tá ali no meio, visível: a artista que virou caso de estudo em como uma cantora brasileira conquista os Estados Unidos resolveu, justamente agora, entregar o Brasil de volta pro Brasil.

Ninguém comentou isso ainda, mas faz sentido que a virada aconteça exatamente quando ela já não precisa mais provar nada lá fora. Quando você tem o Grammy Latino no currículo e uma parceria com Madonna no portfólio, dá pra soltar o samba sem que ninguém fale que você desistiu.

A referência a Carmen Miranda não é gratuita. Miranda fez o caminho inverso, saiu do Brasil pra se tornar símbolo de tropicalismo para o mundo, e carregou frutas na cabeça como uniforme de exportação. Anitta pegou essa imagem e trouxe de volta pro ponto de partida. O que era produto de exportação virou declaração doméstica.

O disco mistura faixas com pegada de Djavan, arranjos de samba e o forró que ela nunca tinha explorado com tanta franqueza. Pra quem acompanhou a era de “Boys Don’t Cry” e os lançamentos em espanhol e inglês, a mudança de direção é real.

A pergunta que fica: será que o público internacional que ela conquistou nos últimos anos vai seguir junto nessa, ou “Equilibrium II” é mesmo um recado pra quem nunca saiu daqui?

Carmen Miranda aprovaria. E o algoritmo já tá decidindo o que fazer com isso.