Tamara Klink disse para as pessoas não comprarem o livro dela. As pessoas foram comprar o livro dela.
A polêmica começou quando a navegadora e autora de “Bom Dia, Inverno” defendeu publicamente que os leitores recorressem a empréstimos, bibliotecas e doações em vez de adquirir exemplares novos. A reação foi imediata: o mercado editorial foi a limbo, a internet foi ao delírio, e Tamara voltou atrás, reconhecendo que “errou” e que não tinha pesado o impacto da fala sobre quem vive do setor.
Só que aí aconteceu o que sempre acontece.

Levantamento da BookInfo, empresa que monitora vendas em livrarias brasileiras, feito a pedido da Folha de S.Paulo, mostrou que o título teve um salto descrito pela própria empresa como “sem precedentes em toda a série histórica de 74 dias analisados”. Nos quatro dias seguintes à treta, o livro vendeu 2.061 exemplares, contra uma faixa esperada de 1.042 a 1.254. Um excedente de cerca de mil cópias, o equivalente a duas semanas de vendas normais concentradas em quatro dias.
A alta foi registrada em varejistas de 17 estados. A BookInfo ainda projeta desempenho superior nas semanas seguintes.
Vou falar uma coisa: nenhuma campanha de marketing faz o que uma boa treta faz.
Tem um nome pra isso. Efeito Streisand. Quanto mais barulho em torno de algo, mais curiosidade. Quanto mais curiosidade, mais gente abrindo o site da livraria. A Tamara pediu pra não comprar, e a internet interpretou como recomendação de leitura.
A contradição é boa demais pra ignorar: a autora questionou o consumo do próprio produto, gerou uma crise, pediu desculpas, e saiu com o melhor número de vendas da história recente do livro. O mercado editorial que ela preocupou está, tecnicamente, agradecido.
Bom dia, inverno. E boas vendas.






