Portuguesas no OnlyFans: o podcast que foi atrás dos números reais


O Podcast Hoje, do jornal português Público, foi investigar o que muita gente já se perguntou em voz baixa: quantas portuguesas estão no OnlyFans, quem são elas e quanto dinheiro circula por trás daquelas assinaturas mensais.

A resposta, como era de esperar, é complicada. O OnlyFans não divulga dados por país, então os números que existem vêm de estimativas, relatos de criadoras e agências que gerenciam perfis. O episódio ouviu mulheres que trabalham na plataforma e tentou montar um panorama do mercado português, que segundo os relatos é menor que o brasileiro ou o americano, mas cresceu bastante nos últimos anos.

O que aparece nas entrevistas é que o faturamento varia muito. A maioria das criadoras fica em valores modestos, tipo algumas centenas de euros por mês. As que chegam a cinco dígitos mensais são exceção, e costumam ter uma operação quase empresarial por trás: agendamento de conteúdo, estratégia de divulgação, presença ativa em outras redes para puxar assinantes.

Ou seja: o sonho de ficar rica postando foto do sofá existe, mas a realidade é que funciona mais como segundo emprego do que como sorte grande. Ninguém comentou isso com tanta clareza, mas é o que os números sugerem.

O podcast também toca num ponto que costuma ficar de fora dessas coberturas: o estigma. Várias criadoras ouvidas pelo Público trabalham sem revelar a identidade, usam nomes fictícios e mantêm o perfil separado de qualquer rede social vinculada ao nome real. A renda é real, mas o nome fica de fora.

Tem algo meio curioso no fato de um dos jornais mais tradicionais de Portugal ter mandado apurar exatamente esse tema. Mas faz sentido: o OnlyFans já passou da fase de tabu e virou pauta econômica. Quando o Banco de Portugal começar a rastrear a categoria no PIB, aí a gente sabe que chegou longe.

O episódio não traz um número definitivo, porque esse número não existe oficialmente. O que traz é o retrato de uma indústria que cresceu no silêncio e agora começa a aparecer nas pautas de fim de semana dos grandes veículos. A pergunta que fica: quem assina e nunca vai admitir.