O Channel 4 britânico anunciou nesta quinta-feira que “Casamento à Primeira Vista UK” está cancelado. Sem nova temporada, sem volta ao ar, sem sequência. A decisão veio depois de uma análise interna motivada por denúncias de estupro feitas por duas participantes durante as filmagens do programa.
A história começou quando a BBC publicou uma reportagem detalhando as acusações. Em maio, o Channel 4 já havia retirado do ar todas as temporadas anteriores do reality enquanto conduzia a investigação. Nesta semana, a emissora divulgou o resultado.
O relatório do escritório de advocacia Clyde & Co concluiu que os protocolos de bem-estar da emissora estavam “em conformidade com os códigos de radiodifusão”. Uma segunda análise, conduzida pela ex-executiva da BBC Lorraine Heggessey, foi ainda mais generosa: chamou os protocolos de “abrangentes, extremamente minuciosos e de alto padrão”.
Ou seja: os protocolos eram excelentes. Os incidentes aconteceram do mesmo jeito.
O relatório reconheceu que houve “incidentes isolados em que a estrutura de bem-estar não foi totalmente implementada”. Nessa mesma semana, a BBC noticiou que um participante do programa havia sido preso sob suspeita de estupro após investigação policial.
A diretora executiva do Channel 4, Priya Dogra, disse que “bem-estar em todos os seus programas é uma preocupação primordial” e que implementar todas as recomendações da análise “alteraria fundamentalmente o formato”. Concluiu que o programa havia “cumprido seu ciclo” depois de 10 anos no ar.
Ninguém vai comentar que “cumprido seu ciclo” é um jeito bem elegante de dizer que a emissora decidiu que o custo de continuar era alto demais.
O formato, em que estranhos são combinados por especialistas e se casam à primeira vista, existe em versões nos Estados Unidos, Austrália e outros países. As franquias internacionais, por enquanto, seguem no ar.
O que a análise não disse com todas as letras, mas o cancelamento diz: colocar duas pessoas num casamento forçado diante de câmeras e chamar isso de entretenimento tem um limite. Parece que o Channel 4 chegou lá dez anos depois de todo mundo.






