Durante muito tempo o status quo se manteve explorando a ideia onipresente no senso comum de que “política é chato”, o mantra do analfabeto político.


Bertolt Brecht te alfabetizando com os olhos

 

Sem dúvida nenhuma, um jogo com tantas regras escrotas e jogadores podres no páreo não é dos mais atraentes, mas quem mais vende a ideia de “chatice” do jogo são os jogadores profissionais, que lá estão e de lá não querem sair – portanto nada melhor do que desestimular o envolvimento de novos jogadores adversários.

Hoje, especificamente no Brasil pós-2013, com infladas discussões políticas rolando nas redes sociais e no seio da família, a narrativa pró-manutenção do status quo mudou um pouco. Temos a ideia de que “político é tudo igual” e “nenhum presta” trabalhando incessantemente para desprestigiar a política como ferramenta, desestimular novamente a entrada de novos players, e camuflar o fato de que existem muitos deles trabalhando com seriedade e honestidade, mas sendo invariavelmente derrotados, já que (ainda) são minoria absoluta nas cadeiras do poder.

Mais do que isso, o principal discurso sobre polarização política percebido no senso comum atualmente é o de que “os dois lados são iguais”, como se o que se chama de “esquerda” e “direita” do espectro político fossem meras alegorias para separar os times de corruptos, sei lá, pela cor do uniforme.

Coxinhas x Petralhas, o clássico brasileiro

 

Pode ser um passo evolutivo à frente em relação ao mau e velho macartismo, que condenava qualquer questionamento e subversão como se fossem traições à pátria (malditos comunistas!), mas ainda é um pensamento que encaixa como uma luva para quem quer que o joio permaneça misturado ao trigo.

E pra quem cresceu nas últimas décadas, acreditando que o Brasil havia encontrado um rumo democrático e não retornaria a enfrentar o escárnio da elite tão cedo, eis que nos vemos no meio de um golpe descarado com múltiplas proporções e desdobramentos – todos escancaradamente prejudiciais ao povo brasileiro.

Existem dois lados no Brasil: o lado de dentro e o lado de fora

 

O momento no debate é tão inflamável e delicado, que até o canal Meteoro, um dos meus favoritos, teve que pedir desculpas no começo do vídeo para falar de politica:

 

Mais do que nunca, quem não se posicionar é cúmplice.